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Criação de vagas acelera nos EUA, surpreende e preocupa o mercado

Ofertas de emprego nos EUA cresceram para 9,6 milhões em agosto. Mais vagas abertas pressionam a inflação e investidores temem que novos aumentos de juros possam levar país a recessão

Novos dados podem indicar os passos a serem tomados pelo Fed, o Banco Central americano.

Por Redação B3 Bora Investir

A criação de vagas no mercado de trabalho dos Estados Unidos (EUA) surpreendeu de forma inesperada em agosto, na comparação com o mês anterior.

O número de empregos disponíveis aumentou para 9,61 milhões, ante 8,83 milhões em julho. O resultado veio bem acima do esperado pelo mercado, que previa um valor em torno de 8,8 milhões de vagas.

Os dados foram publicados na Pesquisa de Vagas de Emprego e Rotatividade de Trabalho (JOLTS, na sigla em inglês), publicada nesta terça-feira, 03/10, pelo Departamento do Trabalho americano.

As vagas de emprego cresceram principalmente nos setores de serviços comerciais (509 mil), finanças e seguros (96 mil), educação no governo estadual e local (76 mil) e produção de bens não duráveis (59 mil).

Os analistas explicam que essa melhora mostra a resiliência do mercado de trabalho nos EUA, o que pode indicar uma maior dificuldade do Federal Reserve – o Banco Central americano – em controlar a inflação.

Isso acontece porque com mais pessoas trabalhando, há mais recursos disponíveis na economia, ou seja, mais consumo e mais pressão sobre os preços.

A inflação elevada levou os juros nos Estados Unidos ao maior patamar em 22 anos, no intervalo entre 5,25% e 5,50% ao ano. Na semana passada, em decisão unânime, o Fed manteve a taxa nesse patamar.

Os juros em alta fazem os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, os famosos Treasures, subirem forte.

Na manhã de hoje, o rendimento dos títulos de 30 anos dos EUA estava perto das máximas do dia, depois de atingirem o nível mais alto desde 2007. As taxas de 10 anos bateram 4,74%.

O presidente distrital de Atlanta do Federal Reserve, Raphael Bostic, afirmou que o BC americano não tem pressa nem para elevar os juros, nem para cortá-los. Disse ainda que a política restritiva está ajudando a derrubar a inflação.

“Se as expectativas de inflação não derem um repique, o Fed poderá ser paciente”.

Impactos no mercado

Os juros em patamares elevados, por mais tempo, nos Estados Unidos tem preocupado o mercado financeiro.

Isso acontece, porque os investidores temem que uma política monetária mais apertada possa levar a maior economia do planeta a uma recessão, com impactos globais.

Diante desses temores, os agentes de mercado tiram dinheiro das bolsas de valores e aplicam nos chamados Títulos do tesouro americano.

Para o mercado financeiro e a economia brasileira, esse impacto é ainda maior – porque além da saída de recursos da bolsa, o dólar se valoriza o que pode impulsionar a inflação.

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