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Crise no Credit Suisse: ações afundam após principal acionista descartar injeção de capital

Saudi National Bank adquiriu fatia da instituição em 2022. Segundo maior banco da Suíça tenta se recuperar após crise de confiança. Crescem os temores sobre o setor bancário

Credit Suisse. Foto: Divulgação Twitter.
Credit Suisse: no ano passado, o banco que ainda era o segundo maior da Suíça, começou a passar por um processo de reestruturação mal sucedido. Foto: Divulgação/ Twitter

Por Redação B3 Bora Investir

O mercado financeiro mundial acordou apreensivo nesta quarta-feira, 15/03, impactado por novos temores ligados à saúde do setor bancário. O foco agora está no Credit Suisse, segundo maior banco da Suíça, diante das dificuldades da instituição em estabilizar as suas operações.

As ações do Credit Suisse despencaram mais de 20% na manhã de hoje e atingiram o seu valor histórico mínimo, após o seu principal acionista – o Saudi National Bank (SNB) – descartar a injeção de mais liquidez no banco.

“A resposta é absolutamente não, por muitas razões além da razão mais simples que é regulatória e estatutária”, disse o presidente Ammar Al Khudairy, do SNB, em entrevista à Bloomberg TV.

O Saudi National Bank tornou-se o maior acionista do Credit Suisse, após adquirir uma participação de 9,9% na instituição no fim de 2022. O banco, que é comporto por 37% do fundo soberano saudita, se comprometeu a investir até 1,5 bilhão de francos suíços (R$ 7,8 bilhões).

Crise de confiança no Credit Suisse

O Credit Suisse tenta se recuperar de uma série de escândalos que impactaram a confiança de investidores e clientes. Em 2021 e 2022, o banco sofreu perdas multibilionárias com os colapsos da Archegos Capital Management – ligada ao investidor Bill Hwang – e da gestora de ativos britânica Grensill Capital.

Diante desse quadro e com rumores sobre sua saúde financeira, o Credit Suisse passa a ver a saída de clientes da instituição aumentar para mais de 110 bilhões de francos suíços (R$ 628,2 bilhões) no quatro trimestre do ano passado.

As preocupações se somam ainda com a saúde do setor financeiro, desencadeada pelo fechamento dos bancos americanos Silicon Valley Bank (SVB) e Signature Bank nos últimos dias. E foram agravadas após o banco suíço afirmar que identificou “debilidades significativas” em seus procedimentos de balanços e controles nos últimos dois anos, na esteira de questionamentos de reguladores dos Estados Unidos.

Na semana passada, a instituição adiou a divulgação do relatório anual depois que a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) ter feito questionamentos sobre as demonstrações de fluxo de caixa de 2019 e 2020. O CEO Ulrich Koerner disse ontem que a posição financeira do banco é sólida.

“Os temores que pareciam ter se esvaído a cerca de uma crise bancária passaram a voltar para as manchetes dos jornais e ao radar do mercado. O Credit Suisse, que já encontrava problemas financeiros antes da quebra do SVB, viu uma queda de suas ações, enquanto seu CDS ultrapassou as máximas. Dessa forma, os investidores estão procurando adotar uma postura de maior cautela”, afirmou a Guide Investimentos em relatório.

Preocupação dos investidores do Credit Suisse

As preocupações sobre os riscos de contágio dos problemas no Credit Suisse levou o Credit Default Swap (CDS) de um ano – índice que mede os risco do mercado de crédito no setor financeiro – a subir mais de 800 pontos-base. Esse movimento não é visto desde 2003, além de ser 14 vezes a média de 20 anos – superando os níveis durante a Grande Crise Financeira de 2008.

Por volta das 12h30, o índice de ações do setor bancário europeu despencava 7%. O Stoxx Banks recuava 7,04%, o Stoxx 600 – referência do pregão europeu – caía 2,52%. Nos Estados Unidos, Dow Jones operava em queda 1,59%, o S&P 500 recuava 1,45%, e o Nasdaq, menos 0,75%.

No Brasil, o Ibovespa recua 1,82%, aos 101.058 pontos e o dólar comercial subia 0,95%, cotado a R$ 5,30.

“Os mercados estão caindo forte, liderados pelo derretimento do Crédit Suisse. Todos os grandes bancos globais estão em queda, por conta do receio de contágio. A instituição tem US$ 1,4 trilhões de ativos, o que sinaliza que muitos bancos podem sofrer em uma eventual quebra do banco suíço”, explica Pedro Paulo Silveira, diretor de Gestão de Recursos da Nova Futura Gestora.

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