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Google anuncia demissão de 12 mil funcionários

Empresas de tecnologia começam a se reestruturar diante da economia fraca. Em um ano, ‘Big Techs’ perderam US$ 2,854 trilhões em valor de mercado, calcula a TradeMap

Sede da Alphabeth (controladora do Google), nos EUA. Foto: Adobe Stock.
Sede da Alphabeth (controladora do Google), nos EUA. Foto: Adobe Stock.

Por Redação B3 Bora Investir

A Alphabet, dona do Google e do YouTube, anunciou nesta sexta-feira, 20/01, que pretende demitir 12 mil funcionários – seguindo uma tendência de ajustes que atinge outros grandes conglomerados de tecnologia. A medida, que afeta equipes em todo o mundo, vai reduzir a força de trabalho atual em 6%, maior corte na história, em meio às incertezas na economia mundial.

A companhia informou que os cortes vão acontecer em todas as unidades e regiões que a Alphabet atua. Disse ainda que as áreas mais afetadas serão de recrutamento e projetos não essenciais, mas que também haverá demissões em equipes de engenharia e produtos e na área corporativa.

Em um e-mail enviado aos funcionários, o CEO Sundar Pichai disse que as demissões são uma resposta a “uma realidade econômica distinta, que enfrentamos hoje”.

“Os postos que estamos removendo refletem o resultado dessa revisão. O fato de essas mudanças terem um impacto na vida dos ‘Googlers’ pesa muito sobre mim e assumo toda a responsabilidade pelas decisões que nos trouxeram até aqui. (…) Nos últimos dois anos vimos um período de crescimento dramático. Para conseguir acompanhar esse movimento, fizemos contratações que não condizem com a realidade econômica atual”.

O anúncio veio dois dias após a Microsoft divulgar o seu plano para desligar 10 mil funcionários até o final do terceiro trimestre do ano fiscal de 2023, entre abril e junho. O corte representa cerca de 5% da base total de funcionários.

É importante destacar que a declaração do presidente-executivo da Microsoft, Satya Nadella, veio na mesma linha do CEO da Alphabet com o discurso de mudanças na realidade econômica mundial.

“Precisamos otimizar os gastos digitais para fazer mais com menos e ter cautela, já que algumas partes do mundo estão em recessão e outras partes estão antecipando uma. Estamos vivendo tempos de mudanças significativas. É importante notar que, embora estejamos eliminando funções em algumas áreas, continuaremos a contratar em áreas-chave estratégicas”.

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No início do ano, a Amazon também citou a desaceleração econômica como justificativa para o corte de 18 mil empregos de sua força de trabalho. É o plano mais severo da história da empresa.

Para o economista-chefe do Banco Master, Paulo Gala, a desaceleração no setor de tecnologia vem em linha com o discurso do Federal Reserve (Fed) – banco central americano – que vê no mercado de trabalho aquecido um entrave para diminuir o ritmo de aperto monetário.

“A notícia do Google de enxugamento, acabou agradando um pouco naquela linha do ‘Good News, Bad News’ [boas e más notícias] de que a empresa está se ajustando e eventualmente isso vai sinalizar um arrefecimento do mercado de trabalho. É o que todo mundo quer ver: um mercado de trabalho um pouco mais aliviado nos EUA – por mais paradoxal que possa ser – para que o FED não suba tanto a taxa de juros”

Importante explicar que nos Estados Unidos, atualmente, a demanda por trabalhadores excede a oferta de trabalho disponível, o que pressiona os salários e consequentemente a inflação. Mais pressão nos preços, impõem aumentos mais substâncias de juros pelo Fed.

Um outro ponto que mostra a resiliência do mercado de trabalho americano em perder força, são os pedidos de seguro-desemprego. As solicitações tiveram queda de 15 mil na última semana, encerrada em 14 de janeiro, em relação ao período anterior, chegando a 190 mil pedidos. O número veio bem abaixo do projetado pelos analistas de 215 mil.

Queda das ‘big techs’

As ‘big techs’, como são chamadas a Apple, Microsoft, Meta (Facebook, Instagram e WhatsApp), Alphabet (Google) e Amazon vivem um momento de ajustes diante das turbulências econômicas no mercado mundial.

O grupo perdeu US$ 2,854 trilhões em valor de mercado nos últimos 12 meses. Isso equivale a cerca de R$ 14,8 trilhões, na cotação de hoje. O levantamento é do head comercial do TradeMap, Einar Rivero. (acompanhe na tabela abaixo)

“Como referencial, o valor de mercado de todas as empresas listadas na Bolsa do Brasil (B3) é de US$ 789 bilhões. Vale dizer, portanto, que as Big Techs perderam em um ano o equivalente a 3,6 vezes a B3”, explica.

A principal explicação para o momento ruim dos grandes conglomerados de tecnologia é a alta dos juros nos Estados Unidos para conter a maior inflação em quatro décadas. Além do impacto nas vendas, o cenário desafiador fez as companhias diminuírem os gastos com publicidade, o que impacta em cheio os caixas dessas gigantes que dependem dos anúncios.

BIG TECHS – VALOR DE MERCADO (em US$ milhões)

Empresa19/jan/2219/jan/23Variação(%)
Apple2.712.7812.151.891-560.890-20,7%
Microsoft2.277.3961.728.916-548.480-24,1%
Alphabet1.797.1121.209.580-587.532-32,7%
Amazon1.585.333955.691-629.642-39,7%
Meta889.023361.008-528.015-59,4%
TOTAL9.261.6456.407.0862.407.086-30,8%
Fonte: TradeMap

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