Empresas

Por que a Oi pediu a segunda recuperação judicial? Entenda

No documento entregue à Justiça, companhia aponta ter dívidas de R$ 43,7 bilhões

Foto: Pixabay
Atualmente, 17 empesas listadas na B3 estão em recuperação judicial. Foto: Pixabay

Por Redação B3 Bora Investir

A Oi pediu recuperação judicial pela segunda vez na quarta-feira, 1/03. No documento entregue à Justiça, a companhia aponta ter dívidas de R$ 43,7 bilhões.

O novo pedido ocorre em menos de três meses após o término da primeira recuperação judicial da empresa de telefonia, que durou seis anos. Mas, de acordo com a empresa, sua estrutura de capital se mantém insustentável mesmo após o “sucesso” da recuperação.

Diversos fatores são apontados como responsáveis pela continuidade da crise da companhia, segundo aponta matéria do E-Investidor. Entre eles estão juros altos, inflação alta e a valorização do dólar, moeda a qual está atrelada parte da dívida da empresa.

Pedido de recuperação pode ser negado?

Douglas Duek, economista, especialista em reestruturação financeira de empresas e recuperação judicial. não acredita que a Justiça deve negar o pedido. “Melhor uma segunda recuperação, que a falência.”

Já Gabriel de Britto Silva, advogado especializado em direito empresarial e do consumidor, acredita que a Oi usa o beneficio da recuperação judicial de forma inadequada. “Claramente, uma empresa não pode viver todo tempo em recuperação e se valendo das benesses”.

Para o especialista, se a recuperação se torna permanentemente necessária é porque não serve para atingir o objetivo de fazer a empresa se recuperar. Neste caso, só resta decretar a falência. Neste caso, o investidor é o último a ser contemplado.

Segundo Flávio Conde, analista de ações da Levante Ideias de Investimento, uma das estratégias da empresa na primeira recuperação judicial foi vender uma série de ativos para deixar a operação mais enxuta e levantar capital. Um das vendas mais importantes foi a Oi Móvel, adquirida por Vivo, Tim e Claro por R$ 16,5 bilhões. Mas a dívida continua alta perante a geração de caixa.

Hoje, a Oi é bem menor do que já foi e está concentrada nos segmentos de fibra ótica e telefonia fixa. “Após as vendas, sobraram os caquinhos. Só tem uma solução: tentar renegociar essas dívidas que sobraram”, diz Conde.

Para que serve o pedido de recuperação judicial?

O pedido de recuperação judicial não é um instrumento usado apenas para evitar que uma empresa quebre. Ele também dá fôlego a companhia com a suspensão temporária de cobranças. No entanto, é preciso apresentar uma estratégia de recuperação. Caso a empresa não escolha esse caminho, os credores podem entrar diretamente com o pedido de falência.

A recuperação também impede que trabalhadores da companhia percam o emprego, fornecedores o cliente e o Estado uma fonte de arrecadação de impostos.

Quais foram os maiores pedidos de recuperação judicial no Brasil?

O primeiro pedido de recuperação judicial da Oi já figura no ranking de maiores pedidos do país — e o segundo pedido da companhia também deve estar entre os dez mais da lista, assim como o recente caso da varejista Americanas.

Veja, a seguir, a lista das maiores recuperações judiciais no Brasil, em relação ao valor das dívidas na época do pedido:

CompanhiaDívidaStatus
ODEBRECHTR$ 80 biem andamento
OIR$ 65 biencerrada
SAMARCOR$ 55 biem andamento
AMERICANASR$ 43 bipedida à Justiça
SETE BRASILR$ 19 biem andamento
OGXR$ 12,3 biencerrada

FONTE: LARA MARTINS ADVOGADOS E MINGRONE E BRANDARIZ. VALORES CORRIGIDOS PELO IPCA

Para mais conteúdo sobre finanças pessoais e investimentos, visite o Hub de Educação Financeira da B3.

Sobre nós

O Bora Investir é um site de educação financeira idealizado pela B3, a Bolsa do Brasil. Além de notícias sobre o mercado financeiro, também traz conteúdos para quem deseja aprender como funcionam as diversas modalidades de investimentos disponíveis no mercado atualmente.

Feitas por uma redação composta por especialistas em finanças, as matérias do Bora Investir te conduzem a um aprendizado sólido e confiável. O site também conta com artigos feitos por parceiros experientes de outras instituições financeiras, com conteúdos que ampliam os conhecimentos e contribuem para a formação financeira de todos os brasileiros.