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Estimativa de inflação sobe em meio às discussões sobre reoneração dos combustíveis

Expectativa para o IPCA ficou em 5,90% em 2023, segundo o boletim Focus. Avanço acontece em meio aos debates sobre o fim das desonerações no preço da gasolina e etanol

Cartazes mostram o preço da gasolina e do etanol em posto onde um carro é abastecido
A desoneração de dois combustíveis – que começou no governo de Jair Bolsonaro (PL) – foi prorrogada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Por Redação B3 Bora Investir

As expectativas de inflação estão no radar do mercado nesta semana em meio às discussões no governo sobre a retomada ou não de impostos federais (PIS e Cofins) incidentes sobre a gasolina e o etanol. A desoneração dos impostos sobre esses dois combustíveis – que começou no governo de Jair Bolsonaro (PL) – foi prorrogada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no início do mandato e termina nesta terça-feira, 28/02.

O presidente Lula volta a se reunir nesta segunda-feira, 27/02, no Palácio do Planalto, para discutir o assunto. Participam do encontro os ministros da Casa Civil, Rui Costa, e da Fazenda, Fernando Haddad, além do Presidente da Petrobras, Jean Paul Prates.

O economista-chefe do Banco Master, Paulo Gala, explica que a discussão em torno dos combustíveis tem dois lados importantes. Se por um, a reoneração da cobrança dos impostos melhora a parte fiscal do governo, por outro atrapalha a inflação no curto prazo.             

“Uma possibilidade que tem sido cogitada é fazer uma reoneração gradual para não ter impacto de uma vez na inflação. Isso conjugado com o que a Petrobrás vai fazer com os preços. Por isso que essa decisão envolve tanto o Ministério da Fazenda quanto a Petrobrás. Esse é certamente o grande tema da semana”.

Óleo diesel, biodiesel e gás natural tiveram o benefício estendido até 31 de dezembro.

O debate já impactou nas projeções de inflação medidas pelos economistas do mercado financeiro ouvidos pelo boletim Focus, do Banco Central (BC). A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano avançou de 5,89% para 5,90%. É a 11ª semana consecutiva de alta e mais um resultado bem superior à meta de 3,25% e do teto da meta, de 4,75%, definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Para 2024, a projeção do IPCA se manteve em 4,02% – acima da meta de 3% perseguida pelo Banco Central. Para 2025, a inflação avançou de 3,78% para 3,80%.

“O Focus continua mostrando alguma deterioração de inflação. Toda semana temos visto essa piora e isso vem desde o começo do ano”, afirma o economista-chefe do Banco Master.

O relatório Focus – que é divulgado as segundas-feiras – aponta as projeções do mercado financeiro para a economia brasileira. Nesse relatório o Banco Central ouviu mais de 100 instituições financeiras até o fim da semana passada. Esses dados são essenciais para o investidor pautar as suas conversas no início da semana e corrigir ou confirmar estratégias no mercado de ativos.

Selic

Para a taxa básica de juros (Selic), as estimativas se mantiveram estáveis: 12,75% no fim de 2023, 10% no de 2024 e 9% em 2025.

Diante desse resultado, o mercado financeiro segue estimando queda dos juros neste ano e em 2024, mas em menor intensidade.

Produto Interno Bruto

O mercado financeiro também elevou a perspectiva de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano de 0,80% para 0,84%. Foi a segunda alta consecutiva na estimativa. A previsão permaneceu estável em 2024 – alta de 1,5% – e 2025 com avanço de 1,80%.

O resultado oficial do PIB de 2022 – que deve fechar em 3% – sai nesta quinta-feira, 02/03, e será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Produto Interno Bruto é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, num determinado período, e serve para medir a evolução da economia.

Dólar

A estimativa para a moeda americana no fim de 2023 permaneceu em R$ 5,25. Para o fim de 2024, subiu de R$ 5,29 para R$ 5,30 e para 2025, permaneceu em R$ 5,30.

Indefinição no Banco Central

A semana também começa com a indefinição nos nomes dos novos diretores de política monetária e de fiscalização do Banco Central. Os mandatos de Bruno Sena e Paulo Souza terminam nesta terça-feira e o presidente Lula ainda não escolheu os seus substitutos.

As indicações estão no foco em meio aos ataques do presidente à autonomia do BC e a elevada taxa básica de juros. A Selic está em 13,75% – maior patamar em seis anos. Essa será a primeira nomeação do novo governo para o Banco Central.

“Um diretor [política monetária] deve ser reconduzido e o outro nome no radar [para fiscalização] é o do Tony Volpon que já foi diretor de assuntos internacionais do BC. São dois nomes bem técnicos e o mercado está de olho nisso”, conclui Paulo Gala.

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