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Taxa Selic: entenda como ela afeta seu dinheiro

Conhecido como taxa básica de juros brasileira, o indicador busca ditar o ritmo da economia e controlar a inflação

Dados de madeira formam a palavra Selic
A Selic foi criada em 1979, quando o Brasil vivia um cenário de hiperinflação e o governo buscava maneiras de controlar o problema.

Se você acompanha o noticiário de economia, provavelmente já ouviu falar da taxa Selic. Também conhecida como Selic Meta, é a taxa básica de juros da economia brasileira, influenciando todas as demais taxas de juros do país – como as cobradas em empréstimos, financiamentos e até as de retorno sobre aplicações financeiras.

O que é a Taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia)?

Definida a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, a Selic tem papel fundamental na economia do país: além de servir como base para as outras taxas de juros, ela também impacta o comportamento da inflação e o retorno dos investimentos.

A Selic foi criada em 1979, quando o Brasil vivia um cenário de hiperinflação e o governo buscava maneiras de controlar o problema e manter o poder de compra da população. Até hoje a taxa é a principal ferramenta do governo para equilibrar a economia.

Você sabia?

A maior taxa Selic da história foi registrada em 1989, período em que a economia brasileira sofria com a hiperinflação. Em 2 de fevereiro daquele ano, o índice apurado foi de 3,626% no dia. A maior Selic acumulada em 12 meses foi registrada em 26 de dezembro do mesmo ano, quando a taxa composta atingiu 115.334,03%.

Qual a relação entre a Taxa Selic x a inflação?

De modo geral, é importante entender que a inflação é causada pelo consumo da sociedade. Assim, à medida que a demanda por bens e serviços cresce, os preços também aumentam; pelo mesmo raciocínio, os preços caem se a procura por esses itens diminui.

Um dos motores do consumo é a oferta de crédito, ou seja, o acesso da população a empréstimos, linhas de crédito e financiamentos. Quanto mais barato for o crédito, mais as pessoas tendem a gastar e, consequentemente, impulsionar a inflação.

Dessa forma, ao aumentar a taxa Selic, o Banco Central busca desaquecer a economia, limitando a quantidade de dinheiro em circulação e tirando a pressão da demanda. Quando os preços estão subindo moderadamente, dentro da chamada “meta de inflação”, o Copom pode decidir baixar a Selic e incentivar crédito e consumo.

Esse mecanismo de controle da inflação por meio da Selic funciona melhor quando os preços estão subindo por uma alta na demanda. Pode haver, porém, uma queda na oferta – seja por desastre climático, pandemia ou guerra – e, nesse caso, aumentar a Selic pode não ser o suficiente para controlar a alta dos preços.

Você sabia?

A menor taxa Selic da história foi registrada entre agosto de 2020 e março de 2021, quando o índice ficou no patamar de 1,90% ao ano. Nesse período, o Copom estabeleceu uma meta de 2% ao ano para tentar estimular a economia em meio à crise provocada pelo coronavírus.

Como a Selic afeta seus investimentos?

Além de ser importante para a macroeconomia, a Selic também tem impacto nos investimentos. A taxa de juros interfere diretamente no rendimento de ativos de renda fixa atrelados a ela, como o Tesouro Selic. Em outros investimentos de renda fixa, ela tem influência indireta, como na poupança e nos investimentos atrelados ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário) como CDB; LCI, LCA e LC; FI e títulos atrelados ao IPCA (índice de inflação oficial do país).

Na renda variável, a influência da Selic é menos imediata e mais ligada à especulação. Por exemplo, uma tendência de alta da Selic pode incentivar investidores mais conservadores a tirar dinheiro da bolsa e aplicar em títulos públicos, atraídos pelos juros mais altos e menor risco. Já possíveis cortes na taxa Selic podem estimular investidores de perfil moderado ou arrojado a investir mais em ações, por exemplo.

Como a Selic está relacionada a ciclos de expansão e contração monetária (maior e menor oferta de crédito), tem impacto na projeção de receitas de alguns setores da economia, particularmente os mais dependentes do consumo, como varejo e tecnologia.

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Além dos investimentos domésticos, as variações na Selic também têm capacidade de atrair ou afastar aportes internacionais no Brasil. Uma taxa de juros mais alta pode representar uma vantagem competitiva para investidores estrangeiros. Já uma Selic mais baixa favorece um tipo de operação internacional conhecido como carry trade, em que um investidor toma empréstimos a juros baratos em um país e investe em outro com juros – e retornos – mais altos.

Vale lembrar que a taxa básica de juros serve como um termômetro para o risco de crédito do país. Quanto mais alta ela é, maior o custo do governo para emitir dívidas (os famosos títulos do Tesouro no Brasil). Os países com economia mais consolidada, como Estados Unidos, Japão e Alemanha, por exemplo, têm taxas de juros bem mais baixas do que as do Brasil.

Como a Selic é calculada nas seguintes aplicações:

Na poupança

A poupança é uma das aplicações financeiras mais conservadoras e populares do Brasil. Desde 2012, o governo estabeleceu uma nova regra de cálculo de rendimento que o atrela à taxa Selic.

  • Selic > ou igual a 8,5% ao ano
  • Rendimento = 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (taxa de correção monetária da inflação)
  • Selic < de 8,5% ao ano
  • Rendimento = 70% da Selic vigente no período

No CDI

O Certificado de Depósito Interbancário, também chamado de taxa DI, é uma operação entre bancos que segue a lógica da Selic, porém sem atuação do governo. A taxa DI é, em média, 0,2 ponto porcentual menor que a taxa básica de juros. Dessa forma, sua alteração muda o rendimento dos títulos que expressam seus retornos como porcentagens do CDI.

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