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4 opções de investimento para tempos de queda da Selic

Com o novo corte da taxa básica de juros pelo Copom, o investidor pode fazer alguns ajustes na carteira e incluir novos ativos

Mão segurando bloco de madeira
O investidor deve avaliar quais são as melhores alternativas para destinar seu dinheiro.

Por Paula Pacheco, especial para o Bora Investir

A terceira queda consecutiva da taxa básica de juros, para 12,25%, decidida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na última quarta-feira (1), confirma a previsão dos especialistas do mercado financeiro de que a trajetória da taxa Selic deve seguir o ritmo de cortes.

Nesse cenário, o investidor deve avaliar quais são as melhores alternativas para destinar seu dinheiro e assim se preparar para novas reduções da taxa básica de forma a aumentar as possibilidades de ganho.

A queda da Selic, embora diminua a rentabilidade de alguns investimentos de renda fixa, abre oportunidades para explorar outras classes de ativos que podem gerar retornos mais significativos a longo prazo, explica Carol Stange, consultora financeira. Entre as alternativas, a especialista cita os ativos de renda variável como ações, fundos multimercado e fundos imobiliários (FIIs).

Selic e sua influência

A taxa básica de juros é um indicador-chave que os investidores e economistas acompanham de perto porque suas mudanças têm amplas ramificações no mercado financeiro.

Como classifica Julianne Simões, educadora financeira CFP, a Selic é a taxa mãe, que influencia a economia como um todo. Por essa razão, é essencial que os investidores compreendam como ela afeta seus investimentos e ajustem suas estratégias de acordo com as condições do mercado e suas metas financeiras.

A Selic, lembra Carol, tem um papel central nas decisões econômicas. “Sua queda reduz a rentabilidade de investimentos de renda fixa pós-fixados, como CDBs e poupança, o que acaba incentivando o investidor a buscar alternativas mais rentáveis”, detalha.

Diferenças entre Taxa Selic, CDI e IPCA

Taxa Selic: é a taxa referencial de juros no Brasil, definida pelo Copom.

CDI: o Certificado de Depósito Interbancário é uma taxa atrelada às transações e aos empréstimos feitos entre instituições financeiras; tem a Selic como referencial.

IPCA: é o índice que mede a inflação no país.

Títulos pós-fixados atrelados à Selic

A diminuição da Selic, na análise de Carol, pode impulsionar o mercado de ações, pois os investidores procuram ativos que ofereçam retornos mais elevados em comparação com a renda fixa. Portanto, diz, a taxa básica de juros influencia o desempenho das ações e fundos de investimento em ações.

Quando a Selic começa em um cenário de queda, acrescenta Julianne, deve-se levar em consideração um cenário de ganho nominal que tende a reduzir. O prêmio da renda fixa tem uma redução.

Quais ativos ganham destaque com a queda da Selic

  • Ações
  • Fundos multimercado
  • Fundos imobiliários (FIIs)
  • Ativos prefixados de longo prazo, como o Tesouro prefixado

Quais ativos perdem a atratividade

  • CDBs pós-fixados
  • Poupança
  • Tesouro Selic

Julianne alerta que, com a queda da Selic, espera-se é um aumento da oferta de dinheiro à disposição para despesas, o que pode gerar aumento do consumo e, consequentemente, da inflação. Dependendo da classe de ativo em que se investe, a inflação pode corroer o ganho real.

+ Tesouro Selic: o que é e como funciona o título do Tesouro Direto

Carteira balanceada

A escolha de quais ativos incluir na carteira, orienta Julianne, depende dos objetivos, da capacidade e disposição a risco do investidor.

Mas, em geral, uma carteira balanceada entre ativos conservadores de baixo risco, inflação para proteção e renda variável, pode ser uma boa estratégia.

Se por um lado há ativos que se beneficiam da queda da Selic, outros refletem os efeitos negativos. “Ativos de renda fixa pós-fixados perdem parte de sua atratividade, pois oferecem menor retorno. Investimentos de curto prazo, como CDBs de liquidez diária, podem ser menos interessantes em termos de rentabilidade”, diz Carol.

Longe dos riscos

Mas o fato de a Selic cair deve estimular a tomada de mais riscos? Carol afirma que não. “A decisão de tomar mais risco não depende da Selic, mas do perfil e dos objetivos do investidor”, pontua. Em um cenário de juros baixos, segundo a educadora financeira, é interessante o investidor avaliar a inclusão de ativos de renda variável em sua carteira, mas isso deve ser feito com cautela e alinhado ao seu apetite ao risco.

A queda ou aumento da Selic não deveria mudar estratégia de investimento de maneira brutal, analisa Julianne Simões, educadora financeira CFP. Isso porque, explica, o investidor pode estar enviesado pelo efeito manada ou pela aversão à perda caso não altere a carteira, imaginando que poderia ganhar mais se alterasse a carteira de ativos. “Por isso, a recomendação é montar uma carteira de investimentos que seja fiel aos objetivos e fazer o monitoramento de acordo com essas metas”, propõe Julianne.

A sugestão de Julianne é a de organizar, a depender dos objetivos, da capacidade e disposição a risco do investidor, uma carteira balanceada entre ativos conservadores de baixo risco, atreladas à inflação para proteção e renda variável.

O papel da renda fixa

A queda da taxa básica de juros não deve afastar o investidor da renda fixa, adverte Carol. Para a especialista, a renda fixa deve ocupar espaço em uma boa carteira de investimentos, pois desempenha um papel importante na diversificação e na segurança da carteira, o que proporciona estabilidade em momentos de volatilidade nos mercados de renda variável.

“Não importa se estamos falando de um investidor arrojado ou conservador, iniciante ou experiente. A renda fixa sempre terá um papel importante na composição da carteira e estratégia de investimentos”, completa ela.

Já para quem busca empréstimos, como financiamentos imobiliários ou empresariais, a Selic também tem um impacto significativo, uma vez que pode afetar as taxas de juros e as condições de crédito como um todo, contrapõe a especialista.

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