Objetivos financeiros

Sete comportamentos que atrapalham os investidores

Como tendências irracionais podem afetar nossas decisões financeiras – e até gerar prejuízos

Manada de elefantes correndo em direção à foto
Efeito manada é um dos vieses comportamentais que podem levar os investidores ao prejuízo. Foto: Adobe Stock

Você sabia que, entre os estudiosos de economia, existem aqueles que se dedicam às pesquisas sobre finanças comportamentais? Esses pesquisadores questionam a teoria do “mercado eficiente”, que diz que os preços de um ativo refletem todas as informações disponíveis e acredita que as decisões dos investidores são sempre racionais. 

Contudo, nem sempre o que é esperado como uma consequência óbvia acontece no dia a dia do mercado financeiro. Isso porque, segundo esses especialistas, a racionalidade do investidor é um mito. Somos seres sociais, influenciados pelo que a maioria está fazendo e suscetíveis a impulsos.

Tomamos várias decisões sem refletir sobre os fundamentos econômicos dos países e das companhias, essas são atitudes que atrapalham os investidores. 

As finanças comportamentais tentam entender essas razões subjetivas por trás das decisões dos investidores. Este curioso ramo das ciências econômicas traz uma multidisciplinaridade entre a psicologia, a neurociência e a própria economia, é claro. Sua maior contribuição é revisar e aperfeiçoar o modelo financeiro atual, incorporando evidências de irracionalidades por parte do investidor, os vieses de comportamento.

A irracionalidade em ação – e na carteira

No dia a dia do pregão, é comum ver pessoas vendendo ações a qualquer preço só porque ficaram assustadas por uma queda muito brusca que pode ter a ver com uma notícia pontual.

O problema é que a maioria dos investidores pensa: se os outros estão vendendo tudo, então, devo vender também, antes que fique sem nada. Essa fuga em massa é classificada pelas finanças comportamentais de “efeito manada”. É o viés comportamental por trás de quem opta por um caminho só porque viu as outras pessoas indo para uma direção. 

Enquanto a economia tradicional sustenta que se deve gastar menos do que se ganha, a fim de construir uma reserva de dinheiro, as finanças comportamentais mostram como e por que muitas pessoas se endividam até o limite de suas linhas de crédito, agindo de modo totalmente oposto ao que seria mais seguro para o seu futuro. 

Ao todo, já são cerca de 200 vieses comportamentais já catalogados pelas finanças comportamentais. Separamos aqui sete dos mais comuns para que você avalie se já tomou decisões ruins com base em algum deles. 

1. Aversão à perda

A aversão à perda foi um dos primeiros conceitos que surgiram nos estudos das finanças comportamentais. Seu princípio é que a dor da perda tem mais impacto em algumas pessoas do que o prazer do ganho.

Isso faz com que a tomada de decisão se torne mais difícil. Quem se deixa levar por esse viés acaba evitando aplicações que, calculados os riscos, poderiam aumentar a rentabilidade do seu patrimônio. A pessoa tem medo excessivo de sofrer um prejuízo, sem levar em consideração outros fatores racionais na avaliação do investimento.

2. Viés de ancoragem

Quem é influenciado por esse viés tende a usar a mesma informação para decidir em dois cenários diferentes. Para a primeira situação, a informação pode fazer sentido, mas pode não ter nenhuma relevância num segundo contexto. O exemplo clássico é quando um vendedor mostra um produto caro e, depois, traz uma outra mercadoria com o preço menor. Muitas pessoas tendem a efetuar a compra acreditando estar diante uma pechincha imperdível. Mas o fato de o preço ser menor não significa, necessariamente, que aquele é um bom investimento. Já ouviu falar no barato que sai caro? Pois é!

Na Bolsa de Valores, o exemplo seria o de alguém que investiu na ação da empresa X porque ela estava custando R$ 50, um valor bem abaixo do seu preço-alvo e, quando se depara com o papel de outra empresa Y, acha que o valor de R$ 50 também é atraente, só por haver uma coincidência nos números. Ele ancorou o raciocínio para adquirir o ativo da empresa Y no motivo que o levou à compra da empresa X. Mas o preço-alvo de Y pode ser menor do que R$ 50. Cada empresa, é bom lembrar, é uma.

3. Falácia do jogador

Nesse caso, a repetição leva ao erro. Com este viés, esquecemos a estatística, e uma pequena quantidade de vezes que um determinado fato ocorre se torna mais importante do que todo um histórico de comportamento.

Isso é o que explica o vício de uma pessoa em jogos de azar. Ela pode ter perdido muito dinheiro ao longo de um ano na roleta, por exemplo. Mas basta acertar duas rodadas seguidas para acreditar que a sua sorte chegou para ficar, apostando os prêmios recebidos.  

No universo financeiro, a falácia do jogador ocorre quando o investidor acredita que um ativo vai se valorizar nos próximos meses apenas pelo fato de que esse título vem subindo de preço nos pregões anteriores. A pessoa não quer saber o motivo da valorização, avaliando mal uma probabilidade de queda. 

Por mais que haja fundamentos para uma alta, o preço de nenhum ativo subirá indefinidamente. Em resumo, o maior antídoto para evitar esse viés comportamental é lembrar que o desempenho de um ativo no passado não é garantia de rentabilidade no futuro.

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4. Sobrerreação às novidades do mercado 

Este efeito, como sugere seu nome, explica as reações extremadas que investidores têm com a sobrecarga de informações inéditas a cada minuto. Geralmente são pessoas que se deixam levar de modo exagerado pelo noticiário. Com isso, menosprezam as variáveis financeiras do ativo em detrimento da especulação gerada por um fato novo. 

É um viés que antecede o efeito manada, pois a sobrerreação após o recebimento de informações contamina um a um no mercado e, de repente, todos começam a correr para a mesma direção, ignorando se há fundamentos econômicos para tal ação.

No mercado de ações, esse viés é visto nos momentos de otimismo ou pessimismo exagerado, afastando o investidor de uma análise mais racional sobre o valor justo daquele papel. Imagine, por exemplo, uma sequência de bons resultados divulgados por várias companhias num determinado trimestre.

Por mais que elas sejam de setores ou tenham características bastante diferentes entre si, essa avalanche de boas notícias simultâneas pode levar algumas pessoas a confiarem cegamente na performance positiva da sua carteira de renda variável. 

5. Viés de confirmação 

Ocorre quando o investidor apenas utiliza informações que confirmam uma opinião própria. É o famoso: “só enxerga aquilo que quer ver”. Sem concordar com novas informações que possam ser contrárias a suas próprias convicções, as pessoas podem tanto superestimar quanto subestimar as oportunidades, saindo no prejuízo.

Um exemplo clássico de ocorrência deste viés está nos investidores que evitam aportar recursos num determinado ativo (do mercado de ações, por exemplo), pois só prestam atenção às notícias de queda do pregão, ignorando as demais reportagens sobre ganhos históricos de pessoas que operam na Bolsa de Valores.

6. Viés de excesso de confiança

Como o próprio nome diz, este viés fala de pessoas que confiam excessivamente em seus conhecimentos e opiniões na hora de tomar decisões. Ignoram seus pontos cegos e evitam a todo custo buscar ajuda com profissionais especializados. Ter humildade para reconhecer a própria ignorância é o caminho para evitar prejuízos nesse caso.

É um viés que se assemelha à falácia do jogador, com a diferença de que o investidor não precisa ter passado por uma experiência recente de vitória (ou derrota) para acreditar que tudo dará muito certo (ou muito errado). No excesso de confiança, a tomada de uma decisão para comprar ou vender um ativo pode resultar apenas da simples “intuição” do investidor sobre a performance daquele papel, ainda que ele nunca tenha feito algo semelhante no passado.

7. Efeito de dotação

Se você parar para pensar, dentro do seu portfólio de investimentos quase sempre há aquele ativo mais “queridinho”, seja porque foi a indicação de um amigo ou até porque exigiu um esforço maior para conquistá-lo. Como sua percepção sobre aquele título passou a contar com um valor sentimental, seu cérebro dificilmente vai perceber que é hora de se desfazer daquela posição, o que pode trazer prejuízos à sua carteira.

É o caso, por exemplo, de escolher um fundo de investimento porque você é amigo de alguém que trabalha na instituição que faz a gestão daquela carteira. Ora, amizades e investimentos são dois assuntos que precisam ser avaliados separadamente. Não há problema nenhum em recusar uma sugestão de investimento ao se sentir inseguro. 

Por que é importante conhecer esses vieses?

Saber identificar os fatores emocionais e irracionais estudados pelas finanças comportamentais torna os investidores mais conscientes de suas atitudes em relação ao seu patrimônio. Fique atento sempre que for tomar uma decisão para saber até onde o fator emocional está se sobressaindo sobre a racionalidade e, se for preciso, consulte a opinião de especialistas para reunir mais informações técnicas a respeito do investimento. 

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