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Galípolo fala em inflação resiliente e ‘última milha’ para levar IPCA à meta

Diretor de política monetária afirmou que evolução de preços em serviços subjacentes e o mercado de trabalho forte tem deixado a inflação parcialmente longe da meta

Galípolo
Sabatina dos economistas Gabriel Muricca Galípolo e Ailton de Aquino Santos, na comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Foto Lula Marques/ Agência Brasil.

Por Redação B3 Bora Investir

O diretor de política monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira, 05/10, que a inflação brasileira tem se mostrado mais resiliente do que se esperava, o que deixa as expectativas afastadas da meta de 3%, fixada partir de 2024.   

Segundo Galípolo, essa persistência da inflação mostra a força dos preços de serviços subjacentes e do mercado de trabalho, que segue bastante aquecido. A declaração foi dada durante sua apresentação no Fórum GRI de Fundos Imobiliários 2023, em São Paulo.

“A gente ainda tem uma reancoragem parcial dentro da meta. A gente segue a meta de 3% para 2025 e 2026, então o Banco Central ainda tem essa última milha para conseguir a reancoragem total”, disse.

Apesar dessa dificuldade, o diretor do BC afirmou que o cenário inflacionário no país é “benigno”, mas “persistente”. As expectativas de inflação para 2025 seguem elevadas, em torno de 3,5%, segundo o último relatório Focus.

Ritmo de corte dos juros

Em relação ao ritmo de cortes da taxa básica de Juros, Galípolo afirmou que o cenário externo desafiador – com rumo incerto da política monetária dos EUA, guerra na Ucrânia e inflação alta em vários países – tornam o ritmo de cortes da Selic em 0,5 ponto percentual adequado neste momento.

“É um ritmo que permite ajustar o nível de contração e ir observando a reação da economia em função desses ajustes”, afirmou.

A Selic hoje está em 12,75%, após dois cortes de 0,5 pontos promovidos pelo Banco Central nas duas últimas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).

Déficit zero em 2024

Sobre a meta fiscal do governo de zerar o déficit das contas públicas no ano que vem, ou seja, receitas e despesas no mesmo patamar – o diretor do BC afirmou que é razoável assumir o que está projetado pelos mercado: déficit de 0,8% do PIB.

“O ceticismo sobre atingir ou não a meta de déficit zero se reflete numa meta de déficit superior e já está refletida nos preços”.

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Gabriel Galípolo ponderou que há gatilhos previstos no arcabouço fiscal caso a meta não seja alcançada.

“Vamos observar como isso vai funcionar. A partir de março, no primeiro relatório trimestral [fiscal], teríamos as medidas de contingenciamento”, concluiu.

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