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Gasolina e diesel vão subir? Entenda impacto da disparada do petróleo nos preços no Brasil

Petrobras tem mantido os preços dos combustíveis estáveis, mas a pressão para reajustes tem crescido uma vez que refinarias privadas têm elevado os preços com o avanço dos conflitos no Oriente Médio e a alta do petróleo

Com ISTOÉ Dinheiro

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O conflito no Oriente Médio entre Irã, Estados Unidos e Israel tem mexido com os preços do petróleo no mercado internacional. O preço do barril do petróleo tipo Brent tem se aproximado cada vez mais dos US$ 86, tendo subido quase US$ 10 desde o início dos ataques americanos e israelenses no último fim de semana.

Com a disparada do petróleo, a defasagem entre os preços internacionais e os valores praticados pela Petrobras para o mercado doméstico está cada vez maior. Um relatório do Goldman Sachs mostra que a estatal brasileira está vendendo seu diesel a distribuidoras com preços cerca de 30% abaixo da referência internacional. Essa é a maior diferença já registrada desde 2022.

Em polos de importação como Paulínia (SP) e Araucária (PR), o preço cobrado pela Petrobras é quase a metade do exterior, atingindo 49% de defasagem. A Refinaria de Mataripe, na Bahia, elevou o diesel em R$ 0,28 o litro na quarta, enquanto a Refinaria de Manaus (Ream), na Amazônia, subiu o combustível em R$ 0,57 por litro. A Petrobras está há 304 dias sem reajustar o diesel e 38 dias do último movimento de preço da gasolina, uma queda de R$ 0,14 o litro.

De acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) , para se equiparar aos preços internacionais do petróleo a Petrobras deveria elevar o diesel em R$ 1,51 o litro e a gasolina e R$ 0,47 o litro. A defasagem do preço da gasolina também vem aumentando, segundo a Abicom. No fechamento de quarta-feira, 4, a gasolina estava 19% mais barata nas refinarias da Petrobras, patamar que cai para 16% se levada em conta as refinarias privadas.

A Petrobras historicamente evita repassar imediatamente a volatilidade global aos preços locais, segundo reiterou a presidente da petroleira, no início da semana. Na ocasião, outras fontes da companhia também disseram que a Petrobras monitorava de perto os desdobramentos do conflito e previa uma semana de observação no mercado de petróleo antes de uma eventual decisão sobre reajuste.

O diesel importado responde por cerca de 25% da oferta do combustível no Brasil, com a parcela restante sendo produzida por refinarias locais, principalmente a Petrobras, lembrou o Goldman. Um cenário sem reajuste, acrescentou o banco, poderia desincentivar distribuidores e importadores independentes a importar o combustível, reduzindo a disponibilidade do produto no país.

Segundo fontes consultadas pela Reuters, é preciso ficar atento também ao comportamento do câmbio, que faz parte da equação de preços de combustíveis da Petrobras. Um prolongamento da guerra poderia, segundo uma das fontes, gerar uma fuga de investidores dos EUA, e o Brasil poderia ser um dos destinos desses recursos.

“Se o povo americano não aprovar, houver preocupação com os gastos com a guerra, esse dólar pode baixar aqui e o câmbio compensar a alta do Brent”, afirmou uma das fontes.

*Matéria publicada originalmente em IstoÉ Dinheiro, portal parceiro de B3 Bora Investir

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