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Ibovespa fecha em queda, com China no foco; dólar vai a R$ 4,96

Exterior pesa sobre ativos de risco; mercado também avaliou Focus e indicador econômico do BC

O Ibovespa fechou no vermelho, confirmando a décima queda consecutiva. O índice não concluiu nenhum pregão no campo positivo desde o começo de agosto. Ao mesmo tempo, o dólar voltou a avançar com força nesta segunda-feira (14).

Assim, o Ibovespa desceu 1,06%, aos 116.809 pontos. Já o dólar fechou em alta de 1,25%, cotado a R$ 4,9656.

Uma das principais perdas do dia na bolsa foi a da Vale (VALE3), que recuou mais de 3% com os temores relacionados à economia chinesa.

Exterior

A China, segunda maior economia do mundo, tem apresentado dificuldades para retomar o ritmo de crescimento que vinha mantendo antes da pandemia. Isto afeta diretamente as ações brasileiras, especialmente as ligadas às commodities, dado que a China é um grande mercado consumidor das matérias-primas brasileiras .

Nesta segunda, tanto o petróleo como o minério de ferro caíram no mercado internacional, afetando algumas das ações mais importantes do Ibovespa.

As perdas do principal índice da bolsa nos últimos dez pregões está relacionada à saída de investidores estrangeiros, que reduzem exposição ao risco diante das incertezas no cenário global e altas taxas de juros praticadas pelos bancos centrais pelo mundo.

Setor imobiliário chinês preocupa

Segundo Andre Fernandes, líder de renda variável e sócio da A7 Capital, a proximidade do vencimento do Ibovespa Futuro (derivativo atrelado ao Ibovespa e negociado no mercado futuro), na quarta-feira (16), e o vencimento de opções de ações, na sexta-feira (18), empurraram o principal índice da bolsa para baixo.

Porém, o grande motivo da queda acentuada foi mesmo a China, “que vem apresentando problemas em grandes conglomerados financeiros, que tem ligação com o setor imobiliário por lá. Isso vem causando “dor de cabeça” aos detentores de títulos das empresas desse setor”, diz o analista.

“Não estão sendo pagos o cupom dos juros desses bonds (títulos) e isso acabou derrubando o mercado de ações ligadas a commodities, principalmente as metálicas. Como Vale tem o maior peso no Ibovespa, é a ação que mais está puxando o índice para baixo hoje”, completa Fernandes.

Melhores ações da bolsa

Empresas menos desejadas pelos investidores lideraram os ganhos na bolsa nesta segunda-feira, 14 de agosto. A Westwing é um dos destaques e vem empilhando ganhos nas últimas sessões.

Veja as maiores altas do dia:

  • Cedro (CEDO3) +33,96%
  • Westwing (WEST3) +13,21%
  • Infracommerce (IFCM3) +8,47%
  • Azevedo (AZEV4) +7,24%
  • Azevedo (AZEV3) +7,04%

Piores

Na outra ponta, porém, as empresas do setor de educação ficaram entre as piores, com destaque para Ânima, que teve a segunda maior queda da bolsa, e Yduqs.

Confira as ações que mais caíram:

  • Alliar (AALR3) -19,60%
  • Ânima (ANIM3) -18,96%
  • HBR (HBRE3) -16,49%
  • Yduqs (YDUQ3) -15,46%
  • BR Properties (BRPR3) -14,46%

O ranking de melhores e piores do dia contempla ações que movimentaram mais de R$ 1 milhão no pregão. As cotações foram apuradas às 17h07.

Bolsas de Nova York

Na maior economia do mundo, os índices das bolsas de valores superaram o mal-estar espalhado pelo mundo devido às incertezas na China e fecharam no azul.

O Dow Jones  avançou 0,07% a 35.307 pontos. Já o S&P 500 fechou em alta de 0,57%, a 4.489 pontos. O Nasdaq subiu 1,05%, a 13.788 pontos.

Bolsas da Europa

As bolsas da Europa fecharam sem direção única nesta segunda-feira (14) diante de preocupações com o setor imobiliário da China e possíveis impactos na recuperação econômica do país asiático. Investidores também se alinham para dados de inflação, atividade econômica, entre outros, nesta semana.

Em Londres, o FTSE fechou em queda de 0,23%, a 7.507 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX fechou em alta de 0,46%, a 15.904 pontos; em Paris, o CAC 40 subiu 0,12%, a 7.348 pontos; e, em Milão, o FTSE MIB subiu 0,57%, a 28.435 pontos. Por outro lado, em Madri, o índice Ibex 35 teve queda de 0,05%, a 9.429 pontos, e, em Lisboa, o PSI 20 caiu 0,16%, a 6.036 pontos.

ICB-Br e Focus

No Brasil, destaque para o IBC-Br e Focus. O boletim do Banco Central indicou que os juros no Brasil não devem cair abaixo de 11,75% até o final de 2023. Alguns analistas apontavam a possibilidade de um ritmo maior de queda, o que não foi confirmado pelo BC, por enquanto.

Por outro lado, o Focus apresentou uma melhora em alguns indicadores, como o PIB. A projeção para o produto interno bruto do país em 2023 subiu de 2,26% para 2,29%.

Outra boa notícia é em relação ao IGP-M. A projeção é que o indicador, utilizado para balizar o preço dos aluguéis, retraia 3,49%. A projeção anterior do Banco Central era de queda de 3,44% no índice.

Já a projeção para o IPCA segue em 4,84%.

Já o Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br) de junho veio acima das estimativas do mercado. O indicador subiu 0,63%. “Isso sugere que o PIB do segundo trimestre deve vir no campo positivo se observados os elementos da oferta”, diz o economista André Perfeito.


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