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Índice que mede volatilidade começa 2026 em alta com tensões geopolíticas. Confira

Em um ano, o Vix teve crescimento acima de 40% e, apenas em 2026, essa alta já é superior aos 21%.

O início de 2026 tem sido marcado por uma instabilidade no mercado causada por tensões geopolíticas. Neste contexto de incertezas, um indicador que pode auxiliar os investidores em suas análises é o S&P/B3 Ibovespa VIX. Em resumo, o índice serve como um termômetro de quanto o mercado projeta de oscilação do Ibovespa B3 para os próximos 30 dias.

Vix foi criado em 2024 no Brasil para medir a volatilidade implícita de curto prazo nos preços de opções do Ibovespa. De acordo com a S&P, um VIX até 15 pontos é considerado baixo. De 15 a 20, o nível de volatilidade esperada é considerado moderado. De 20 a 25, é médio, de 25 e 30 é alto e, acima de 30, é muito alto.

No ano passado, mesmo em um cenário político e econômico conturbado, o Vix só superou a casa dos 25 pontos em abril quando o Trump anunciou sua política de tarifas. Em 2026, o índice ainda não atingiu essa marca, mas iniciou ano na casa dos 16 pontos, superou os 20 pontos em 23 de janeiro e, em 28 de janeiro, chegou em sua máxima no período, com quase 23 pontos.

Fonte: S&P Dow Jones Indices

Em um ano, o índice teve um crescimento acima de 40% e, apenas em 2026, essa alta já é superior aos 21%. Marcos Piellusch, professor da FIA Business School, explica o que causou esse impacto na expectativa por volatilidade no mercado. “Em 2026, o VIX voltou a cruzar a marca de 20 pontos porque o ‘choque’ não veio de um dado econômico isolado, e sim de uma combinação de risco político, incerteza institucional e reprecificação de ativos de risco”, diz.

Para Piellusch, a volta do tema “tarifas e retaliação” no início do ano por conta das escolhas políticas dos Estados Unidos elevou a demanda por proteção via opções, o que afeta diretamente o Vix. Porém, a diferença de 2026 para o ano anterior, segundo ele, é a natureza do risco.

“Não é só o impacto econômico potencial das tarifas (crescimento e inflação), mas também a sensação de imprevisibilidade de política econômica e ruído institucional. Esse pano de fundo aparece em reportagens sobre o dólar ‘sob fogo’ e investidores reavaliando o conjunto de medidas e declarações da Casa Branca ao longo de janeiro”, analisa.

Ainda sobre a diferença entre os períodos de volatilidade, o professor acrescenta que no ano anterior o salto de volatilidade foi mais “pontual”, causado pela política tarifária de Trump, mas que rapidamente o mercado digeriu. “Em 2026, a incerteza parece mais ‘multifatorial’ e, por isso, mais difícil de precificar e encerrar rapidamente. O noticiário do mês mistura tarifas, geopolítica e questionamentos sobre condução e independência de política econômica, que afetam simultaneamente ações, juros e dólar”, completa.

O que esperar do Vix para o restante de 2026

O clima de incerteza tem sido a tônica deste início do ano e existem motivos para o mercado acreditar que seguirá assim até dezembro. Além da manutenção das tensões políticas e econômicas, aqui no Brasil será ano de eleições presidenciais. Já nos Estados Unidos devem ocorrer as eleições de meio de mandato, em que os assentos do Congresso norte-americano estarão em disputa.

“Eleições elevam a dispersão de cenários para fiscal, regulação e política econômica, e isso costuma aparecer como prêmio de risco mais alto em câmbio, juros e ações, especialmente perto de marcos como definição de candidaturas, pesquisas e debates”, comenta Piellusch.

Além das eleições, ele acredita que as tarifas comerciais, as questões geopolíticas e a postura do Fed, o Banco Central dos Estados Unidos, devem “manter o piso de volatilidade mais alto”, diz o professor, que completa: “os episódios recentes mostram que o mercado está sensível a headlines e que o VIX volta a 20 com relativa facilidade quando há choque de política comercial”.

Saiba como investir com o Vix

Desde dezembro do ano passado, a B3, a bolsa de valores do Brasil, conta com contratos futuros e Opções relacionados ao índice S&P/B3 Bovespa VIX.

contrato futuro é um contrato padronizado listado em bolsa para negociar a compra ou venda de um ativo (como dólar, índice, commodities etc.) em uma data futura predefinida, a um preço acordado no momento da negociação desse contrato. 

Já as Opções sobre Índices são contratos de derivativos financeiros que dão ao titular o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender o valor de um determinado índice a um preço previamente estabelecido. Como um índice não é um ativo negociável, no dia do vencimento a liquidação é financeira: calcula-se a diferença entre o preço de exercício e o preço de liquidação do índice, sem necessidade de entrega física de ativos.

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