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Indústria fecha 1º semestre no vermelho com forte impacto dos juros

Setor desacelerou 0,3% nos primeiros seis meses e segue abaixo do patamar pré-pandemia. Desempenho das indústrias de bens de capital e duráveis sofrem com a Selic elevada.

Produção industrial; indústria. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O desempenho da produção industrial do país veio pior do que o esperado pelo mercado financeiro. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Redação B3 Bora Investir

Em meio às discussões sobre o início do ciclo de afrouxamento monetário, o desempenho da indústria brasileira no 1º semestre é um exemplo claro do impacto dos juros elevados no setor produtivo.  

Em junho, a produção industrial teve uma leve alta de 0,1% em relação ao mês anterior. Os dados foram publicados nesta terça-feira, 01/08 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O analista da pesquisa, André Macedo, explica que esse pequeno respiro não compensa o desempenho ruim registrado nos meses anteriores. “Esses dois meses de alta em sequência não revertem a perda de abril, quando a taxa foi de menos 0,6%”.

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Com esses resultados, a produção industrial do país encerrou o 1º semestre de 2023 com queda de 0,3% e está longe de recuperar as perdas acumuladas até aqui.

“Ainda que o 1º semestre mostre saldo positivo de 0,5% quando comparado com o patamar de dezembro de 2022, o ritmo está muito aquém do que o setor precisa para recuperar as perdas do passado recente. Afinal, ainda se encontra 1,4% abaixo do patamar pré-pandemia, de fevereiro de 2020”, explicou o analista do IBGE.

Para o head de pesquisa macroeconômica da Kínitro Capital, João Savignon, os desafios para a indústria seguem inalterados, “com uma perspectiva de menor fôlego da demanda por bens e manutenção dos juros elevados. Ou seja, maior custo do crédito e endividamento”.

Setores

O resultado positivo em junho foi impulsionado pelo setor extrativo, que avançou 2,9% depois de crescer 1,4% no mês anterior. Esse desempenho foi puxado pelo avanço na extração de petróleo e minérios de ferro, com expansão de 5,8% no 1º semestre.

Já a produção de bens intermediários, que representa 55% da indústria, teve perdas de 0,3% em junho. No entanto, a atividade avançou 1,8% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

O resultado de bens semi e não-duráveis registrou alta de 0,9% em junho ante maio. Também houve resultados positivos em confecção de artigos do vestuário e acessórios (4,9%), de produtos de borracha e de material plástico (1,2%) e de produtos de metal (1,2%).

Impacto dos juros nos setores

Os juros em patamares elevados têm cobrado um preço muito alto da indústria brasileira, principalmente de duas categorias cruciais para o desenvolvimento do país.

A produção de bens de capital, que são máquinas, equipamentos e motores, tiveram recuo de 1,2% em junho em relação a maio. Na comparação com junho de 2022, a produção recua 10,3%.

Já a produção de bens duráveis, como automóveis, por exemplo, caiu 4,6% no mês passado frente ao anterior. Na comparação com junho de 2022, a retração é de 3,9%.

Se a gente desagrupar os dados dessas categorias em junho ante maio, a produção de veículos automotores, reboques e carrocerias despencou 4%, enquanto a de máquinas e equipamentos caiu 4,5%.

O economista André Perfeito explica que esses dois grupos são amplamente sensíveis ao comportamento da taxa de juros. “Portanto os números negativos reforçam a urgência pela queda da Selic de maneira mais relevante, ou seja, 0,50 ponto percentual”.

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