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Queda da Selic: como ficam os meus investimentos?

É consenso entre analistas que ciclo de queda da Selic deve começar em agosto. Como investir na renda fixa e na renda variável agora

Selic. Foto: Adobe Stock
É unanimidade entre os analistas do mercado que o Comitê de Política Monetária deve fazer mais um corte de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros. Foto: Adobe Stock

Por Marília Almeida

Analistas do mercado financeiro se dividem sobre um corte de 0,25 ponto porcentual ou 0,5 ponto porcentual, mas é um consenso que a taxa básica de juros, a Selic, deve começar a ser reduzida em agosto. Além da valorização do real, o PIB do agronegócio vem sendo revisado para cima, há perspectiva de melhora das projeções fiscais, desinflação e avanços da reforma tributária e fiscal.

Mas o que o corte da Selic significa na hora de investir? A provável queda da taxa de juros é um passo para que ativos de maior risco, como ações, aumentem a sua rentabilidade. Contudo, dado o alto nível da Selic, o patamar de 13,75% ao ano, não faltam oportunidades também na renda fixa.

+ É hora de investir em ações?

Mesmo que a Selic ainda não tenha efetivamente caído, o investidor deve começar a se mexer. Isso porque a expectativa de corte dos juros já provoca mudanças no preço dos ativos, fazendo com que algumas janelas de oportunidade comecem a se fechar. O mercado de renda fixa é o primeiro a reagir, seguido pelo de renda variável.

“Os juros futuro já estão caindo desde o final do ano passado. Por conta de interferências no ambiente político, atrasou um pouco e voltou a cair agora. Agora, o que começará a cair é o juros CDI”, diz Bruce Barbosa, sócio da casa de análises Nord.

Veja abaixo o que considerar ao aplicar dinheiro em títulos do Tesouro, CDBs, LCIs e LCAs; debêntures, CRIs e CRAs; e ações.

Títulos do Tesouro

Em um cenário de iminente queda da Selic, Rafael Pacheco, economista da Guide Investimentos, aponta que títulos pré-fixados e “híbridos” (também indexados ao IPCA) são os que mais estão se beneficiando, especialmente os de duração mais longa.

Embora as taxas desses títulos públicos já tenham recuado significativamente, eles ainda podem ser considerados atrativos. A corretora recomenda, em média, ter 7% da carteira de investimentos alocado nesses títulos, sem determinar vencimento.

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Atualmente, estão à venda, na plataforma Tesouro Direto, três títulos prefixados, com vencimento em 2026, 2029 e 2033, que distribui juros semestrais.

Mas não é porque a Selic vai cair que os títulos pós-fixados, como o Tesouro Selic, deixam de valer a pena: eles continuam a ser uma boa opção para mante a liquidez na carteira, aponta Christopher Galvão, analista de renda fixa da Nord. “Além disso, a Selic vai cai de maneira gradual. Portanto, continuará em um nível alto por um bom tempo”.

CDBs, LCIs e LCAs

Para Pacheco, da Guide, CDBs, LCIs e LCAs tendem a ficar menos atrativos agora. Contudo, as taxas oferecidas ainda estão em níveis bons.

“As condições vão depender de cada banco. Alguns mais arriscados, mas que não tenham rating ruim, podem valer a pena. O importante é fazer uma boa seleção do produto”.

É bom lembrar que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) protege investimentos em CDBs, LCIs e LCAs no valor de até R$ 250 mil.

Debêntures, CRIs e CRAs

Ainda que haja um bom espaço para ganhos atrativos entre títulos públicos, as taxas de títulos de crédito privado, como debêntures, CRIs e CRAs, hoje são as mais atrativas dentro da renda fixa, na visão da Guide.

Os fundos de crédito foram bastante afetados por resgates após grandes empresas pedirem recuperação judicial ou precisarem renegociar suas dívidas. Nesse cenário de estresse, foram obrigados a vender ativos com melhor qualidade de crédito para fazer caixa e honrar suas obrigações com os cotistas.

+ Afinal, qual é o risco do crédito privado?

Esse movimento causou um aumento do prêmio de crédito em praticamente todos os ativos no mercado secundário, inclusive aqueles de setores mais defensivos e com perfil mais conservador. O mercado primário também oferece alternativas atrativas, pois muitas operações foram precificadas há algum tempo e não incorporam os fechamentos recentes da curva de juros ou dos prêmios de crédito, na visão de Odilon Costa, estrategista e responsável pela mesa de renda fixa da SWM.

Apesar de já ser possível observar uma compressão dos prêmios dos ativos mais curtos e com nota de crédito mais alta (high grade), ainda há distorções de preços, o que representa oportunidade de compra de debêntures para o investidor. Com as chances cada vez maiores de um controle da inflação sem grandes perdas para o crescimento econômico, a Guide acredita que há espaço para maior tomada de risco agora. “Vemos debêntures pagando IPCA + 6%, o que é uma taxa atrativa na nossa visão”, diz Pacheco.

Mesmo diante da expectativa de queda da Selic, o cenário de crédito ainda é desafiador para as empresas de setores mais cíclicos ou mais alavancadas por conta dos juros ainda elevados e alto comprometimento da renda dos brasileiros. Por isso, a Guide recomenda optar por títulos ou fundos de crédito mais conservadores, que tenham ratings (notas de crédito) mais elevadas.

Ações

O mercado de ações registra alta desde março, mas ainda há espaço para valorização. O foco, na visão de Barbosa, da Nord, são empresas de crescimento, as chamadas small caps.

“Essas companhias, que tendem a ser mais endividadas, sofreram muito nos últimos anos e vemos oportunidades de compra com foco no longo prazo. Elas podem utilizar o juro menor para investir e voltar a crescer”.

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Os analistas da Guide Investimentos apontam também setores que têm maior potencial de valorização ante o início do ciclo de queda da Selic é o imobiliário, que tem maior correlação com os juros, e ligados ao consumo do país, como ações do setor de varejo.

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