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Inflação nos EUA desacelera e abre espaço para Fed interromper aumento de juros

Preços ao consumidor subiram 4% em 12 meses, menor nível desde 2021. Resultado reforça expectativa de manutenção dos juros na reunião do Fed nesta quarta-feira

Dólar. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O indicador mostrou uma desaceleração em relação ao resultado do mês anterior. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Por Redação B3 Bora Investir

A inflação nos Estados Unidos deu uma trégua em maio e abriu caminho para que o Federal Reserve (Fed) interrompa uma série de altas da taxa básica de juros. A reunião do BC americano acontece nesta quarta-feira, 13/06.

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) teve um leve avanço de 0,1% no mês passado, após subir 0,4% em abril, segundo dados do Departamento do Trabalho americano. Esse resultado levou a uma forte desaceleração da inflação em 12 meses, de 4,9% para 4%, abaixo da expectativa do mercado.

Diante desses números, a inflação anual dos Estados Unidos está no menor patamar desde março de 2021, quando foi de 2,6%. A meta do Fed é levar a taxa para 2%.

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O economista-chefe do banco Master, Paulo Gala, afirma que essa perda de ritmo da inflação americana deve sacramentar as principais expectativas do mercado. Os analistas acreditam na manutenção da taxa básica de juros no patamar atual na reunião de amanhã do Fed.

“Houve um progresso considerável de desaceleração na inflação americana. Os preços ao consumidor estavam acima de 8% e agora estão em 4%”.

O índice de habitação foi o que mais contribuiu para o aumento mensal, seguido pelos preços de carros e caminhões usados.

Núcleo de inflação segue pressionado

Apesar do resultado mais ameno dos preços ao consumidor, quando se olha mais a fundo a inflação americana os números ainda preocupam. O indicador, observado de perto pelo Fed para definir a sua política monetária, ainda avançou em ritmo alarmante.

O chamado núcleo, que exclui alimentos e energia, que são itens mais voláteis, subiu 0,4% pelo terceiro mês consecutivo, em linha com as estimativas. Em 12 meses, o indicador ficou em 5,3%, abaixo da taxa acumulada de 5,5% em abril.

Apesar do avanço, o presidente da Inflation Insights LLC, Omair Sharif, acredita em uma desaceleração do índice nos próximos meses. “Do jeito que as coisas estão indo agora, suspeito que veremos um núcleo flexível que reduzirá as chances de uma alta em julho”, afirmou em entrevista à agência Bloomberg.

Dólar amplia perdas sobre o real

Diante do cenário mais otimista para a inflação dos Estados Unidos e das expectativas de pausa no aperto monetário, o dólar se desvaloriza frente ao real nesta terça-feira, 13/06.

Às 11h, o dólar comercial era negociado em queda de 0,17%, a R$ 4,8581, enquanto o contrato futuro para julho da divisa americana recuava 0,34%, a R$ 4,8655.

“O que acaba puxando o dólar para cima é obviamente o juro americano. Com a visão de que o choque de juros está terminando nos Estados Unidos, a moeda tende a perder força. As cadeias globais de produção estão regularizadas e a inflação cedendo. Tudo leva a crer que o cenário volte ao do pré-pandemia e a moeda brasileira tem muita chance de se valorizar”, conclui Gala.

A divisa americana já operava em baixa diante da melhora na cotação de moedas emergentes. O movimento aconteceu após o Banco Central da China cortar a sua taxa de recompra reversa de 2% para 1,9% ao ano. O movimento foi visto como um estímulo do governo à economia do país.

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