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Aperto monetário deve continuar na Zona do Euro, diz ata do BCE

O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luis de Guindos, disse hoje que a inflação na zona do euro provavelmente está perto do pico

Cédulas de Euro. Foto: Arquivo/Agência Brasil
O setor de energia é o principal vilão da inflação em 2022 por conta da guerra na Ucrânia. Foto: Arquivo/Agência Brasil

O Banco Central Europeu (BCE) sinalizou nesta quinta-feira, 24/11, que o aperto monetário deve continuar firme, mesmo após alcançar um espaço neutro. A afirmação veio na ata da sua última reunião de política monetária, nos dias 26 e 27 de outubro, e que foi divulgada hoje.

“Expressou-se a opinião de que o aperto monetário provavelmente precisaria continuar depois que a orientação da política monetária tivesse sido normalizada e mudasse para um território amplamente neutro”, afirma um trecho da ata.

O documento também informou que mesmo a maior parte dos integrantes optando por uma alta de 0,75 ponto percentual no último encontro, houve questionamentos pela agressividade do avanço.

“Observou-se que os participantes do mercado estavam precificando um aumento desse tamanho. Ficar aquém dessas expectativas de mercado implicaria um impulso indesejável de afrouxamento, potencialmente minando a confiança no compromisso do Conselho do BCE com a estabilidade de preços”, afirmou o documento.

Em um evento financeiro em Milão, o vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, disse que a inflação na zona do euro rondará o nível atual ao longo dos próximos meses antes de começar a cair em algum momento durante o primeiro semestre de 2023. Segundo a agência Reuters, Guindos afirmou ainda que a inflação provavelmente está em seu pico ou perto dele.

“Para a [inflação geral], acho que estamos lá em termos de pico, talvez uma casa decimal para cima ou para baixo, vai ficar rondando, mas acho que no primeiro semestre do ano que vem veremos um declínio”, afirmou.

+ Inflação controlada: como os Bancos Centrais definem a taxa de juros?

Juros e inflação na Europa

O Banco Central Europeu elevou no fim de outubro a sua taxa de juros mais uma vez no ritmo de 0,75 ponto percentual. Com a decisão, a taxa de empréstimo, de refinanciamento e a de depósito ficaram em 2,25%, 2,00% e 1,50%, respectivamente.

O movimento nos juros persiste por conta da inflação que continua pressionando os países da região da zona do euro. O índice de preços ao consumidor de outubro (CPI, na sigla em inglês) atingiu a taxa anual recorde de 10,7%. É o valor mais alto nos 23 anos de história do euro.

Juros nos Estados Unidos

Na quarta-feira, 23/11, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed) – o banco central americano – divulgou a ata da última reunião que elevou as taxas de juros. No documento, as autoridades do Fed revelaram que veem uma redução no ritmo das altas de juros após quatro altas consecutivas de 0,75 ponto percentual.

Nas últimas quatro reuniões, o banco central americano elevou os juros em 0,75 pontos percentuais. A taxa nos Estados Unidos hoje está no intervalo entre 3,75% e 4%. Esse foi o maior aperto monetário americano em 42 anos. O Fed tem subido os juros americanos para conter a inflação que está no maior patamar em quatro décadas.

Quer continuar aprendendo sobre o assunto? Então, veja também nosso post sobre como se proteger da inflação.

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