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IPCA: inflação volta a subir puxada pela escalada no preço dos alimentos

O preço dos alimentos e bebidas já subiram 11,21% em 12 meses – bem acima dos 6,47% do índice geral

Vendedores e frequentadores na Feira da Ceilândia. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A alta veio após três deflações seguidas em julho, agosto e setembro. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a inflação oficial do país, acelerou para 0,59% em outubro. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e foram divulgados nesta quinta-feira (10/11).

A alta veio após três deflações seguidas em julho, agosto e setembro. O avanço foi puxado, principalmente, por alimentos e bebidas que tiveram a maior contribuição individual no índice.

Confira os últimos resultados mensais da inflação:

Gráfico IPCA inflação mês a mês

A inflação acumulada no ano chega a 4,7%. Em 12 meses ficou em 6,47% – bem acima da meta (3,5%) e do teto da meta do Banco Central que é de 5%. Apesar do patamar elevado do IPCA anual, essa é a quarta queda seguida do índice nessa base de comparação.

Alimentos pesam mais

Os preços dos alimentos e bebidas voltaram a pesar no bolso dos consumidores brasileiros. Em outubro, o grupo avançou 0,72%, após registrar uma deflação (-0,51%) no mês anterior. Em 12 meses, comprar comida ficou 11,21% mais caro – bem acima dos 6,47% do índice geral. A alta mensal foi puxada pela alimentação no domicílio que subiu 0,8%.

Os alimentos que mais subiram em outubro foram:

  • Batata-inglesa: +23,36%
  • Tomate: +17,63%
  • Cebola: +9,31%
  • Frutas: 3,56%
  • Biscoito: +1,34%
  • Frango em pedaços: 1,17%

No lado das quedas, o leite longa vida ficou 6,32% mais barato – o item já havia recuado 13,71% em setembro. O óleo de soja caiu pela quinta vez consecutiva e fechou o outubro com deflação de 2,85%.

Comer fora de casa também ficou mais caro no mês passado. O preço da alimentação fora do domicílio cresceu 0,49% e o da refeição subiu 0,61% – segunda alta mensal seguida. Já o lanche seguiu o caminho inverso e teve redução de 0,74% nos preços.

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Transportes

O grupo transportes voltou a avançar. O índice passou da queda de 1,98% em setembro para alta de 0,58% em outubro. O gerente da pesquisa, Pedro Kislanov, aponta os dois principais fatores que explicam essa aceleração.

“O que contribuiu para essa alta no mês foram principalmente as passagens aéreas (+27,38%) também foi importante o efeito da redução menor no preço dos combustíveis. A gasolina, por exemplo, tinha caído mais de 8% no mês de setembro e agora a redução foi de 1,56%”.

Também houve recuo nos preços dos transportes por aplicativo, menos 3,13%, que haviam subido 6,14% em setembro. Os preços das passagens de ônibus urbano tiveram uma leve redução de 0,23% – reflexo da queda nos preços das passagens aos domingos em Salvador (-2,99%), válida desde 11 de setembro.

Vestuário e saúde também sobem

Renovar o guarda-roupas também está cada vez mais pesado. O grupo vestuário avançou mais uma vez e subiu 1,22%. Em 12 meses, o grupo já acumula alta de 18,48% – a maior entre os nove grupos que compõem o IPCA.

“Esse aumento tem acontecido desde a retomada do isolamento. Esse resultado foi puxado pelas roupas masculinas (+1,70%) e femininas (1,19%)”, explica Kislanov.

Em Saúde e cuidados pessoais alta de 1,16%. As maiores contribuições vieram de higiene pessoal (+2,28%) – destacam-se perfumes (5,71%) e artigos de maquiagem (3,90%). Além da alta nos planos de saúde (+1,43%). O resultado é consequência dos reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para os planos contratados antes da Lei nº 9.656/98 (planos antigos), com vigência retroativa a partir de julho.

Alta em 8 dos 9 grupos pesquisados

Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito tiveram alta no mês passado. “O único grupo com queda no mês de outubro foi Comunicação (-0,48%) puxado para baixo por conta do resultado dos planos de telefonia móvel”, explica o gerente da pesquisa do IBGE.

Veja abaixo as variações de cada grupo em outubro:

  • Alimentação e bebidas: 0,72%
  • Saúde e cuidados pessoais: 1,16%
  • Transportes: 0,58%
  • Vestuário: 1,22%
  • Despesas pessoais: 0,57%
  • Habitação: 0,34%
  • Artigos de residência: 0,39%
  • Educação: 0,18%
  • Comunicação: -0,48%

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