Mercado

Mercado financeiro hoje: impacto sobre as primeiras decisões de Lula

Com bolsas dos EUA, Reino Unido e Japão fechadas, foco do mercado está nas decisões e sinais do novo governo, incluindo a indicação da presidência da Petrobras

O mercado financeiro no Brasil começa o primeiro dia útil de 2023 atento às sinalizações políticas e econômicas do governo Lula 3, que já deu sinalizações relevantes para os negócios. Uma edição extraordinária do Diário Oficial da União de hoje traz 11 decretos que fazem parte do “revogaço” que vem sendo anunciado pelo novo governo. 

Entre as medidas assinadas pelo presidente ontem mesmo, logo após a cerimônia de posse, estão a retirada da Petrobras, Correios e Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) do processo de desestatização. Ainda é esperada para hoje ou amanhã a edição de medida provisória (MP) que estenderá por mais 60 dias a desoneração dos combustíveis, cuja validade era até 31 de dezembro de 2022. 

Em seu primeiro discurso, Lula também fez questão de reafirmar que o teto de gastos será revogado, mas que a disciplina fiscal será mantida, como aconteceu em seus governos anteriores. O Palácio do Planalto anunciou também a edição de medida provisória que garante o pagamento de R$ 600 dos beneficiários do programa de transferência de renda, antes chamado Auxílio Brasil e que voltará a ser Bolsa Família.

Lula vai dedicar seu primeiro dia de trabalho no comando do País a reuniões bilaterais com 17 delegações estrangeiras e à noite pode viajar a São Paulo para participar do funeral de Pelé. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, toma posse às 9h no Centro Cultural Banco do Brasil.

O novo valor do salário mínimo – de R$ 1.320,00 – entra em vigor hoje (1º). O Congresso Nacional aprovou o reajuste em dezembro do ano passado, como forma de compensar a desvalorização do Real diante da inflação do último ano. Em 2022, o valor era R$ 1.212,00.

Ibovespa hoje

Aliado às indicações na última sexta, 30/12, de Jean Paul Prates para a presidência da Petrobras, e das novas presidentes da Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, respectivamente Rita Serrano e Taciana Medeiros, todo esse novo cenário econômico deve ser repercutido hoje no principal índice de negociação da Bolsa do Brasil (B3).

Não houve pregão na sexta, o último aconteceu na quinta-feira (29/12), quando o Ibovespa B3 fechou em queda de 0,46%, a 109.734 pontos. Em 2022, porém, o IBOV subiu 5,59% e terminou o ano no azul.

O Ibovespa abriu em baixa nesta manhã e, às 10h24 de hoje, caía 0,39%, indo aos 109,306 pontos, reflexo das preocupações do mercado com as decisões do novo governo, especialmente com o controle das contas públicas.

Às 12h29, o Ibovespa caía 3,22%, indo aos 106.197 pontos. Dentre as maiores baixas da bolsa de valores nesta segunda-feira, estão Petrobras (PETR4) e BB (BBAS3) também reagem mal, caindo mais de 3%.

Já o dólar subiu, em sessão que deve mostrar baixa liquidez  dada a ausência de pregões em Nova York e Londres, que estão fechadas. Às 11h58, o câmbio subia 1,24%, sendo negociado a R$ 5,35.

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Mercado externo

As bolsas de Nova York, Reino Unido  e Tóquio não operam hoje, ainda por conta das festividades de Ano Novo, o que contribuirá para a liquidez reduzida por aqui. Mas a semana que se inicia reserva a divulgação de dados importantes, como a ata da mais recente reunião de política monetária do Federal Reserve, na quarta-feira, e os números do relatório de empregos dos Estados Unidos (payroll), na sexta. 

As atenções no exterior seguem focadas na equação formada por inflação resistente, aumentos de juros e riscos reais de recessão da economia global. Hoje, a S&P Global divulgou que o índice de gerentes de compras (PMI) industrial da zona do euro subiu de 47,1 em novembro para 47,8 em dezembro de 2022, atingindo o maior nível em três meses.

O dólar opera sem direção única ante outras moedas principais, numa sessão marcada por baixa liquidez no primeiro dia útil de 2023. Às 7h02 (de Brasília), o euro caía a US$ 1,0678, enquanto a libra recuava a US$ 1,2045. No mesmo horário, o dólar se enfraquecia a 130,87 ienes, com a moeda japonesa ainda sustentada por um inesperado ajuste na política monetária do Banco do Japão (BoJ), no mês passado.

*Com informações da Agência Estado