Na contramão de países desenvolvidos, confiança do consumidor no Brasil sobe em janeiro, mostra Ipsos
Com 55,1 pontos, país assume a 6ª posição mundial no levantamento da Ipsos e supera a média global de otimismo; melhora na percepção sobre empregos é o principal motor do avanço
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Conforme dados do Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Ipsos, no mês de janeiro o Brasil ficou entre os países mais otimistas do levantamento, com 55,1 pontos – em um movimento que acompanha parte das economias emergentes e contrasta com a trajetória observada em alguns países desenvolvidos.
A alta foi sustentada por uma melhora no subíndice de emprego.
Rafael Lindemeyer, Líder do Cluster de Experiência da Ipsos, comenta que o índice mostra que o Brasil inicia o ano seguindo com a trajetória ascendente do segundo semestre de 2025.
“Analisando a série histórica mais longa, o indicador é 4 pontos superior a janeiro de 2025 e chega a patamar similar ao primeiro trimestre de 2024. Com esse avanço, o Brasil passa a ocupar a sexta posição entre os países mais otimistas do levantamento global, ficando à frente de economias como México e Estados Unidos e assumindo a liderança em confiança do consumidor nas Américas”, afirma.
“O avanço é sustentado pela melhora expressiva no subíndice de emprego, que sugere um início de ano marcado por maior percepção de estabilidade no mercado de trabalho e por uma leitura mais positiva em relação às condições futuras da economia”, completa.
O levantamento considera entrevistas em 30 países e mede a percepção dos consumidores sobre a situação atual, expectativas, investimentos e mercado de trabalho. No recorte brasileiro, o subíndice de empregos aparece como um dos principais vetores do aumento da confiança, refletindo uma leitura mais favorável sobre oportunidades de trabalho e estabilidade de renda no curto e médio prazos.
Confiança do consumidor no Brasil avança no cenário global
Em janeiro de 2026, o índice geral de confiança do consumidor no Brasil ficou acima da média global, posicionando o país entre aqueles com desempenho positivo no período.
O avanço de quatro pontos em relação a janeiro de 2025 coloca o Brasil ao lado de países como Chile, Israel e Coreia do Sul, que também registraram variações relevantes no ano .
A média global, considerando os 30 países analisados, permaneceu próxima de 50 pontos, enquanto o Brasil superou esse patamar. Na América Latina, o resultado brasileiro se destaca em um contexto regional marcado por trajetórias distintas. Enquanto Chile e Peru apresentaram crescimento, Argentina registrou recuo no mesmo intervalo.
Segundo a metodologia da Ipsos, índices acima de 50 indicam predominância de percepções positivas entre os consumidores, enquanto leituras abaixo desse nível sugerem maior cautela.
O desempenho brasileiro, assim, sinaliza um ambiente em que a visão sobre a economia doméstica tende a ser mais construtiva do que a média observada em diversos mercados.
Subíndice de empregos ganha relevância
Entre os componentes analisados, o subíndice de empregos aparece como elemento central para explicar o aumento da confiança no Brasil. No recorte global, o índice de empregos também mostrou crescimento ao longo de 2025, atingindo em janeiro de 2026 um dos níveis mais altos da série recente entre os países monitorados de forma contínua desde 2010 .
No caso brasileiro, a leitura sugere que os consumidores avaliam de forma mais favorável a disponibilidade de postos de trabalho e a possibilidade de manutenção do emprego. Essa percepção influencia diretamente decisões de consumo e planejamento financeiro das famílias, além de ter impacto indireto sobre investimentos e crédito.
O relatório mostra que, historicamente, movimentos de recuperação no subíndice de empregos costumam anteceder avanços em outros componentes da confiança, como expectativas e situação atual. Esse padrão ajuda a explicar por que o dado referente ao mercado de trabalho tem sido acompanhado com atenção por analistas e formuladores de políticas.
Comparação regional e internacional
Na comparação com outras regiões, a América Latina apresentou trajetória de recuperação gradual ao longo de 2025. O índice regional avançou de forma moderada, com o Brasil figurando entre os países que contribuíram para esse movimento .
Na Ásia-Pacífico, países como Índia, Indonésia e Malásia registraram níveis elevados de confiança, enquanto economias como Japão e Coreia do Sul mostraram maior volatilidade ao longo do período.
Já na Europa, os dados apontam para estabilidade em alguns mercados e retração em outros, como França e Alemanha, o que manteve a média regional em patamar inferior ao observado em economias emergentes.
Nos Estados Unidos e no Canadá, o índice de confiança apresentou variações mais contidas, refletindo um ambiente de consumo marcado por ajustes monetários e discussões sobre inflação e crescimento. Nesse contexto, o avanço brasileiro chama atenção por ocorrer em meio a um cenário global heterogêneo.
“No cenário internacional, os movimentos seguem heterogêneos. Nos Estados Unidos, o índice de confiança permanece em patamar acima da neutralidade, com 53,8 pontos, apoiado por ganhos relevantes nos subíndices de emprego e expectativas, apesar de um ambiente ainda pressionado pelo custo de vida. Já a Argentina segue com níveis de confiança mais frágeis, refletindo um ambiente econômico ainda marcado por elevada incerteza e volatilidade”, analisa Lindemeyer.
Tendência histórica do índice brasileiro
A série histórica do índice de confiança do consumidor no Brasil, iniciada em 2010, mostra ciclos de alta e baixa associados a mudanças no ambiente econômico interno e externo.
O dado de janeiro de 2026 posiciona o país em um nível intermediário dentro dessa trajetória, distante dos picos observados em determinados períodos, mas acima de momentos de retração mais intensa registrados na última década .
A leitura atual sugere uma fase de transição, em que a confiança se apoia mais fortemente na avaliação do mercado de trabalho do que em outros fatores, como investimento ou situação corrente. Esse padrão indica que o consumidor tende a reagir de forma gradual a mudanças estruturais, priorizando sinais relacionados à renda e ao emprego.
Impactos para consumo e atividade econômica
O aumento da confiança do consumidor costuma estar associado a maior disposição para o consumo, ainda que esse efeito não ocorra de forma imediata. No caso brasileiro, a melhora no subíndice de empregos pode favorecer decisões relacionadas a compras de bens duráveis e contratação de serviços, desde que outros fatores, como crédito e renda disponível, acompanhem essa dinâmica.
Economistas costumam utilizar o índice de confiança como indicador antecedente da atividade econômica. Embora não substitua dados objetivos, como produção ou emprego formal, o levantamento oferece uma leitura sobre expectativas e comportamento das famílias, que influenciam o ritmo da economia.
O relatório da Ipsos destaca que, globalmente, o índice de expectativas também apresentou crescimento ao longo de 2025, ainda que em ritmo inferior ao observado no componente de empregos. Essa combinação sugere um ambiente em que os consumidores enxergam melhora gradual, mas mantêm cautela em relação a decisões de prazo mais longo.
Leitura para 2026
A entrada de 2026 com avanço na confiança do consumidor e melhora no subíndice de empregos reforça a visão de que o Brasil inicia o ano em posição mais favorável do que em períodos recentes. O dado não elimina desafios estruturais, mas indica uma percepção mais estável por parte das famílias em relação ao mercado de trabalho.
Para formuladores de políticas públicas e agentes econômicos, o resultado funciona como sinal de monitoramento. A manutenção dessa trajetória dependerá de fatores como evolução do emprego, renda, inflação e condições financeiras.
Ainda assim, o levantamento sugere que o consumidor brasileiro começa o ano com uma leitura mais construtiva sobre o futuro imediato.
*Matéria publicada originalmente em IstoÉ Dinheiro, parceiro de B3 Bora Investir