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Petrobras anuncia novo plano estratégico: confira os destaques e a avaliação do mercado

Dividendos e recompra de ações ficam entre US$ 40 bi e US$ 45 bi, abaixo do ciclo anterior na Petrobras

Petrobras. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Em nota, a estatal afirmou que a estratégia vai levar a companhia a ser mais eficiente e competitiva. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Petrobras divulgou nesta quinta-feira (23/11) seu novo plano estratégico, que terá investimento de US$ 102 bilhões (o equivalente a R$ 500,8 bilhões) para o período de 2024 e 2028. A principal novidade são os aportes em energias renováveis e descarbonização, US$ 11,5 bilhões. Nesta sexta-feira (24/11) pela manhã, as ações da petroleira operam em queda.

Segundo a XP, o novo plano é ligeiramente negativo em comparação com o anterior, principalmente em relação ao aumento de capex e diminuição de remuneração aos acionistas.

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O anúncio representa uma ampliação de 30,7% frente ao plano de negócios em vigor atualmente, que soma US$ 78 bilhões (R$ 382,7 bilhões) para o período 2023/2027. Considerado expressivo pelo mercado, o aumento atende aos pedidos do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que enxerga no incremento dos negócios da Petrobras um vetor do crescimento econômico nos próximos anos.

No plano, a maior parte dos investimentos, 73% ou US$ 73 bilhões, segue voltada à exploração e produção de petróleo e gás (E&P). O grosso desse montante será aplicado em atividades relacionadas ao pré-sal, no litoral da Região Sudeste. Segundo a Petrobras, em 2028, o pré-sal vai representar 79% da produção total da empresa.

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O plano foi divulgado após uma reunião do conselho que, segundo fontes, teve um clima ameno e deixou de lado as tensões dos últimos dias, que chegaram a aumentar os rumores de uma troca no comando da estatal.

Os investimentos da Petrobras em energia limpa

Previsão mais aguardada pelo mercado, os US$ 11,5 bilhões para novos negócios de energias renováveis e iniciativas de descarbonização em cinco anos representam média de 11,2% do volume total e vão subir gradualmente até 16% em 2028.

No comunicado, a companhia informou que o plano visa preparar a Petrobras para o futuro e fortalecer a estatal iniciando um processo de integração de fontes limpas essenciais para uma transição energética justa e responsável.

O investimento em renováveis foi um dos pontos mais sensíveis para a aprovação do Plano Estratégico tanto dentro do governo quanto junto a acionistas minoritários, representados por 4 dos 11 integrantes do conselho de administração da companhia.

Refino

O investimento previsto para o parque de refino e gás natural da Petrobras até 2028 é de US$ 17 bilhões. Ao longo de todo 2023, a Petrobras tem empreendido esforços para elevar o fator de utilização de refinarias a fim de aumentar produção e venda de derivados e compensar os efeitos de caixa da nova política de preços do negócio, que abandonou em março o preço de paridade de importações (PPI). A expansão e aumento de eficiência de refinarias existentes incrementam a estratégia.

Aquisições e investimentos em petroquímica estão “em estudos”

A Petrobras não menciona o nome da Braskem, mas diz que há estudos para investimento em petroquímica tanto para “ativos atuais” quanto “aquisições”.

Não há especificação de montante, mas a afirmação vem no trecho do plano relativo à área de Refino, Transporte e Comercialização, que terá US$ 17 bilhões à disposição para investimento nos próximos cinco anos até 2028.

Petrobras prevê dividendos menores

A previsão de pagamento de dividendos foi reduzida para entre US$ 40 bilhões e US$ 45 bilhões no período de 2024 a 2028. O valor dá conta, também, de valores previstos para recompra de ações.

O plano anterior, divulgado em 2022, previa dividendos entre US$ 60 bilhões e US$ 70 bilhões até 2027. Em contrapartida, dessa vez, a companhia informou que dividendos extraordinários potenciais vão ficar entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões.

A gestão Jean Paul Prates modificou, no fim de julho, o porcentual do fluxo de caixa livre a ser pago na forma de dividendo a cada trimestre, de 60% para 45%, o que foi seguido no segundo e terceiro trimestres desse ano.

Premissas financeiras

O Plano Estratégico também estipulou um limite para dívida bruta de US$ 65 bilhões. Já o caixa de referência ficou mantido em US$ 8 bilhões, o mesmo do plano de 2022. Já a previsão de geração de caixa até 2028 ficou entre US$ 180 bilhões e US$ 207 bilhões.

Análises do mercado

Após a divulgação do novo plano estratégico, as ações da Petrobras operam em queda nesta manhã. Segundo analistas da XP, trata-se de uma mudança ligeiramente negativa em comparação com o plano anterior, especialmente em relação ao aumento de capex e à diminuição da remuneração aos acionistas, pondera a corretora.

Mesmo assim, a XP reitera recomendação de compra para Petrobras, mas alerta que os principais riscos para a tese persistem. A corretora calcula que os valores de dividendos implicam um rendimento de aproximadamente 8% a 9% do valor de mercado atual e 9% a 11% caso haja dividendos extraordinários, em comparação às faixas de 13% a 14% no mínimo e de 15% a 17% incluindo dividendos extraordinários do plano anterior.

“A divulgação do capex em avaliação (Portfólio em Avaliação) pode indicar que a gestão está considerando ativamente movimentos de fusões e aquisições, e, em nossa opinião, se esse resultado for confirmado, o mercado poderá reagir negativamente”, afirmam os analistas André Vidal e Helena Kelm, em relatório enviado a clientes.

Citi vê mais oportunidades do que desafios para a Petrobras

Também em relatório, o Citi destaca uma expansão significativa no capital investido (capex) nas atividades de exploração, com foco no pré-sal, expansão da capacidade na área de downstream e projetos de baixo carbono.

O aumento do capex em projetos de energias renováveis já era esperado, afirmam os profissionais, dada a série de parcerias anunciadas pela empresa. Além disso, a inclusão de potenciais fusões e aquisições (M&A) no plano de investimento é vista de forma positiva para o cenário de investimento. No entanto, o banco destaca a importância de um investimento em energias renováveis alinhado a uma alocação de capital racional e um retorno acima do custo de capital da empresa.

Os analistas acreditam que a estatal fornecerá mais detalhes sobre o retorno dos projetos e a viabilidade do capex de US$ 11 bilhões em avaliação, o que pode representar um potencial risco ascendente para o pagamento futuro de dividendos pela empresa.

Sobre as projeções de dividendos, os analistas afirmam: “a extremidade inferior e a faixa superior do dividendo esperado para a Petrobras apontam para um rendimento de dividendos de 8% e 11% (anual), respectivamente. Vemos este número em linha com as empresas europeias”, afirmam.

Para o Citi, o Plano Estratégico 2024-28 da Petrobras revela metas ambiciosas com potenciais riscos ascendentes, especialmente na execução do aumento do capex e na avaliação de projetos adicionais. O banco reconhece a importância do compromisso da empresa com energias renováveis, mas instando a uma avaliação cuidadosa das estratégias de alocação de capital.

O Citi tem recomendação neutra para as ações da Petrobras, com preço-alvo de US$ 15, o que representa um potencial de baixa de 2% sobre o fechamento dos papéis no pregão de ontem.

*Com Agência Estado

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