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Quais os principais fatores que afetam as ações da Petrobras

Fatores locais e externos podem interferir nos preços das ações de uma das principais companhias da bolsa de valores brasileira

Edifício sede da Petrobras no Centro do Rio. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) representam, juntas, mais de 10% da carteira do Ibovespa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Por João Paulo dos Santos

As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) representam, juntas, mais de 10% da carteira do Ibovespa. A estatal é uma das principais companhias da bolsa e está sempre no noticiário do mercado financeiro.

Por isso, muitos investidores buscam entender quais os fatores que afetam os preços dos papéis antes de comprá-los. No mercado secundário, o preço é definido pela oferta e demanda do ativo. Porém, vários fatores podem interferir nessa balança.

Entre os principais fatores que podem influenciar o valor de uma ação estão:

  • Resultados financeiros das empresas;
  • Nível de endividamento das empresas;
  • Projeções para o setor em que a empresa atua;
  • Acontecimentos na política e na economia do Brasil;
  • Acontecimentos na política e na economia internacionais;
  • Notícias envolvendo fusões de empresas, investimentos e mudanças de governança.

Fatores que afetam as ações da Petrobras

Além dos fatores que influenciam as ações de forma geral, existem outros motivos específicos que podem atingir determinadas empresas. Eles estão relacionados ao setor nos quais atuam, o serviço ou mercadoria vendida e até mudanças de políticas.

Veja abaixo motivos específicos que afetam os papéis da Petrobras:

Preço do petróleo

A Petrobras é uma empresa de commodity que é impactada pelo valor de compra e venda da matéria-prima com a qual ela trabalha.

A estatal brasileira comercializa principalmente petróleo. Portanto, o valor do barril da commodity interfere no preço das ações. No caso da Petrobras, o barril do tipo Brent é a principal referência. Assim, quando o preço do barril valoriza, as ações da companhia e de todas as petroleiras tendam a subir, ou vice-versa, explica Adriano Pires, economista e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

Enrico Cozzolino, sócio e head de análise da Levante Investimentos, ressalta que as variações de preço do petróleo estão sujeitas à quantidade de barris produzidos pela Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Os valores do óleo também são afetados pelo desempenho da economia mundial, como dados do PIB Global e questões de demanda, completa Lucas Serra, analista da Toro Investimentos.

Interferência do governo

Por ser uma empresa estatal, outro fator que interfere no preço dos papéis da Petrobras são possíveis interferências do governo na companhia. 

Segundo Pires, o risco trazido por essas interferências, como segurar o preço dos combustíveis para tentar controlar a inflação, acabam desvalorizando as ações da empresa. 

“O fator político que impacta nas ações é reflexo de uma ingerência política histórica. As ações do governo já interferiram, por exemplo, em indicação de membros para o conselho da empresa. Essas indicações influenciam até em questões de voto e políticas de dividendos”, afirma Cozzolino. 

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Para o analista da Toro, o temor político está, em parte, relacionado ao histórico da governança da empresa. No passado, a Petrobras implementou uma política de subsídio sobre os combustíveis, o que trouxe impactos negativos aos resultados da companhia.

Portanto, há o temor que tais práticas venham a se repetir, o que leva o mercado a exigir um prêmio adicional sobre as ações da Petrobras. 

“Além disso, também há receio sobre futuros investimentos que a empresa realizará e, principalmente, se eles gerarão o retorno requerido pelos acionistas. Neste contexto, a atual gestão já deu a entender que, possivelmente, não dará prosseguimento à política de distribuição de dividendos nos moldes atuais. Isso também levanta dúvidas a respeito da destinação dos lucros da empresa e emprego do caixa gerado”, diz Serra.

A nova política de preços

Recentemente, a Petrobras anunciou uma nova política de preços dos combustíveis. Ela irá substituir a política de paridade de importação (PPI), que acompanhava os preços do petróleo e combustíveis derivados no mercado internacional, ou seja, em dólar. O receio é que a nova política interfira no desempenho da estatal, o que poderia levar a uma queda nos preços das ações. 

O sócio e head de análise da Levante ressalta que a mudança foi feita dentro da legislação da companhia e traz mais possibilidades para a empresa ser mais competitiva, flexibilizando a forma como cobra preços. “Em uma região na qual consiga ter preços mais atrativos, a Petrobras terá uma vantagem frente aos seus concorrentes e aumentará vendas. Porém, dada a ingerência histórica, a nova política traz dúvidas se a decisão é técnica ou política”. 

Cozzolino afirma que muitos analistas preferiam a regra anterior por ser mais clara e fixa. A regra atual acaba sendo mais dependente de cada gestão.

De acordo com Lucas Serra, a Petrobras não deixou suficientemente claro, em comunicado ao mercado, qual será a nova política de preço a ser adotada, incluindo a periodicidade e forma de cálculo dos reajustes.

“Em um primeiro momento foi informado o interesse de reduzir a volatilidade dos preços dos combustíveis. Contudo, também há o receio que haja um descolamento do preço praticado em relação ao mercado internacional. Como parte dos combustíveis comercializados no Brasil é importada, este descolamento poderia acarretar na criação de subsídios e impactar os resultados da Petrobras”, afirma. 

A falta de clareza e a “política confusa” também é apontada pelo economista Adriano Pires. Ele indica que pode haver falta de critérios sobre os reajustes, assim como falta de previsibilidade. 

Se os temores dos analistas forem, de fato, confirmados, será possível observar uma mudança de valor das ações da Petrobras no futuro.

Dividendos atrai investidores

Apesar de seus riscos e diversos fatores que podem interferir nos preços de suas ações, a Petrobras segue sendo uma ação atrativa para os investidores por conta do seu potencial na distribuição de dividendos.

Entre os anos de 2020 e 2022, a estatal foi a companhia que mais pagou proventos aos seus acionistas. Segundo levantamento da Guide Investimentos, somente no ano passado o retorno médio foi de 62% do valor da ação em dividendo (o chamado ‘dividend yield’, que é calculado pela divisão do valor distribuído aos acionistas pela cotação da ação).

Já em 2023 a Petrobras registrou o segundo maior lucro da história para um primeiro trimestre entre empresas listadas na B3. De acordo com dados do TradeMap, a companhia alcançou um lucro líquido de R$ 38,7 bilhões no primeiro trimestre de 2023, o que representa o segundo maior lucro da história entre empresas de capital aberto para esse período. 

Dos 15 maiores lucros nominais registrados pelas empresas de capital aberto para o primeiro trimestre, seis foram registrados pela Petrobras, cinco pela Vale; e um pelo Bradesco, Suzano, Itaú e Oi. 

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