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PIB 2022 terá crescimento forte, mas com indicação de desaceleração em 2023

As projeções dos economistas falam em crescimento de 3% no PIB do ano passado, com uma perda de ritmo no 4º trimestre com o impacto da alta dos juros

Os serviços tiveram um papel fundamental no resultado positivo da economia em 2022.

Por Redação B3 Bora Investir

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil – soma de todos os bens e serviços produzidos no país, num determinado período – será divulgado nesta quinta-feira, 02/03, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os economistas são unânimes em apontar que o crescimento da economia no ano passado será em torno de 3%. No entanto, todos indicam uma desaceleração da atividade entre outubro e dezembro – após três trimestres seguidos de avanço.

O economista-chefe do Banco Original, Marco Caruso, afirma que a perda de tração no fim de 2022 não deve comprometer o desempenho anual, mas indica desafios para a economia em 2023.

“O número do 4º trimestre acaba sendo importante para contar uma história de 2023. Nós temos uma visão mais pessimista do PIB deste ano de alta de 0,7%, muito por conta do ciclo expressivo de alta da Selic. O impacto da taxa básica de juros acabou pegando o fim de 2022 e agora se arrasta para 2023”.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – que é a inflação oficial do país – fechou 2022 em 5,79%, após começar o ano em 10,38%. Apesar de parte dessa desaceleração ter sido artificial – com a desoneração no preço dos combustíveis – a escalada da taxa básica de juros teve um papel crucial nesse resultado.

A Selic estava em 2% ao ano em março de 2021 e chegou aos atuais 13,75% ao ano em agosto de 2022. Com os juros nas alturas – que encarecem o crédito para as famílias – e a inflação ainda em patamares elevados – que corrói o poder de compra dos brasileiros – o resultado é um esperado PIB mais fraco em 2023.  

O economista-chefe do banco Original explica que a inflação é ruim para o consumo e principalmente para as famílias de baixa renda, mas que é preciso combater os preços altos com pressão nos juros – o que desacelera a atividade econômica.

“Parte essa desaceleração que a gente está começando a ver na economia – e pegando no crédito – vem desse encarecimento do dinheiro – que é a alta de juros. É um mal necessário para tentar arrumar esse desbalanceamento na questão da inflação”, afirma Marco Caruso.

Setores da Economia

Os serviços terão um papel fundamental no resultado positivo da economia em 2022. Com a intensificação da retomada presencial – após os períodos de isolamento por conta da pandemia – o setor avançou 8,3% e atingiu o seu maior patamar da série histórica, iniciada em 2011.

O varejo também terá papel de destaque no PIB de 2022 com crescimento de 1% no ano passado. Assim como a agricultura que tem previsão de safra recorde de 312 milhões de toneladas de grãos no Brasil, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O número é 15,3% maior do que foi obtido na produção de 2021 para 2022.

“O agro foi um setor que sofreu muito pouco na pandemia e foi ajudado pelo alta nos preços das commodities. Hoje você tem também uma reabertura da China que parece que dá uma certa sustentação para isso”, explica Caruso.

Na contramão virá a indústria que desacelerou 0,7% em 2022, após avançar 3,9% em 2021. No entanto, é importante lembrar, que esse crescimento de 2021 teve relação direta com a queda significativa de 2020 – de 4,5% – ocasionada pela pandemia.

“O carro chefe da economia em 2022 foi os serviços com a reabertura, vacinação, serviços presenciais e serviços às famílias. Para 2023, esse efeito temporário de reabertura já aconteceu. Uma coisa que tem preocupado é a inflação do setor – que vai ser o grande desafio para os preços neste ano”.

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