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BC eleva projeção de PIB para 2023 e reduz para 2024

Campos Neto confirmou previsão de cortes na entrevista sobre Relatório de Inflação. Para o presidente do BC, o consumo segue forte e governo deve “perseverar” na meta fiscal

Bloquinhos com letras formando a palavra Selic
Bloquinhos com letras formando a palavra Selic

Por Redação B3 Bora Investir

O Banco Central elevou a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto do Brasil neste ano, de 2,9% para 3%, em meio à melhora da agropecuária e dos serviços. A análise consta no Relatório de Inflação publicado nesta quinta-feira, 21/12.

A melhora do setor que mais emprega no país contrasta com expectativa de redução ainda mais forte dos investimentos do que o esperado anteriormente, de menos 2,2% para queda de 3,4%. Segundo o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, essa oposição pode ser prejudicial para a inflação.

“Se a economia mostrar um consumo consistentemente subindo, com investimento consistentemente caindo, poderá pressionar a inflação futura para cima”, afirmou durante entrevista de divulgação do relatório do BC.

No 3º trimestre, a economia brasileira avançou 0,1% e surpreendeu o mercado. Esse melhora foi puxada justamente pelo aumento de 1,1% no consumo das famílias brasileiras.

Para 2024, houve redução na estimativa de expansão da economia de 1,8% para 1,7%. Segundo o BC, a leve revisão para baixo reflete um recuo nas estimativas para a agropecuária e para a indústria, apesar da ligeira alta na previsão dos serviços.

Selic deve cair 0,5 p.p. nas próximas duas reuniões

Questionado sobre o fato do Comitê de Política Monetária antever reduções de 0,5 ponto percentual da Selic “nas próximas reuniões”, o presidente do BC disse que essa previsão se refere apenas aos próximos dois encontros. “A resposta é sim”, respondeu aos jornalistas.

Na entrevista, Campos Neto minimizou a diferença entre a projeção do BC (4,5%) e a do mercado (5%) para a taxa neutra de juros em termos reais. “[A distância] não é tão grande”. A taxa de juros neutra é aquela que nem estimula nem desestimula a economia,

Inflação dentro do intervalo de tolerância

O relatório do Banco Central reduziu a estimativa de inflação em 2023, de 5% para 4,6%. Se esse projeção se confirmar, será a primeira vez em dois anos que a inflação vai ficar dentro do intervalo de tolerância da meta – que neste ano vai de 1,75% e 4,75%.

“Destaca-se, no cenário de referência, a redução significativa da probabilidade de a inflação ficar acima do limite superior da meta para 2023 (4,75%) que passou de cerca de 67% no relatório anterior para 17% neste relatório”, informou o BC.

O mercado financeiro estima que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar o ano em 4,49%. Para o presidente do BC, “a desinflação está em linha com o que a gente esperava”.

Para 2024, a projeção de inflação ficou estável em 3,5%; e para 2025 subiu de 3,1% para 3,2%. Nos dois casos, o IPCA segue acima da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 3%.

Balanço fiscal

O relatório de Inflação trouxe mais preocupações da autoridade monetária com as perspectivas do governo de zerar o déficit das contas públicas em 2024 e possíveis mudanças na meta de inflação.

Segundo o Banco Central, o mercado mostrou que as projeções são de 0,7% de déficit, apesar da meta ser zero. “As projeções dos analistas econômicos já evidenciam algum ceticismo quanto à estabilização da dívida pública no médio prazo”.

O presidente do BC voltou a afirmar que não existe uma relação mecânica entre a política fiscal e a inflação. No entanto ponderou que há uma tendência da inflação seguir em direção a meta, se o fiscal estiver na mesma tendência. “Por isso a gente tem insistido que é importante o governo perseverar no alcance da meta [déficit zero em 2024].

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