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PIB do Brasil cresce 0,9% no 2º trimestre, puxado por indústria e serviços

Consumo das famílias também teve impacto positivo. Bom resultado surpreendeu o mercado, que passou a revisar projeções. Agropecuária recuou, após recorde no 1º tri

Os serviços tiveram um papel fundamental no resultado positivo da economia em 2022.

Por Redação B3 Bora Investir

A economia brasileira voltou a crescer no 2º trimestre de 2023, mas num ritmo menor na comparação com os três meses anteriores.

O Produto Interno Bruto (PIB) avançou 0,9%, em relação ao 1º trimestre. Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 2,651 trilhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira, 01/09.

Esse é o oitavo resultado positivo consecutivo da economia na comparação trimestral. O resultado veio bem acima da expectativa do mercado, que apontava crescimento de 0,3%. Em relação ao 2º trimestre de 2022, o PIB cresceu 3,4%.

No 1º trimestre, a economia brasileira cresceu 1,8%, puxada pela forte expansão da agropecuária. Esse resultado foi revisado pelo IBGE, já que anteriormente o instituto divulgou que a alta foi de 1,9%.

No 2º trimestre, a agropecuária recuou 0,9% frente ao trimestre anterior. Isso se deve a base de comparação elevada, já que nos primeiros três meses do ano o setor disparou 21%, um recorde.

A indústria cresceu 0,9% entre abril e junho, após ficar estável no início do ano. Já os serviços avançaram 0,6%. Considerando que o setor equivale a 70% do PIB, seu desempenho tem o maior peso no resultado total do crescimento.

O analista da Empiricus Research, Matheus Spiess, explica que apesar da desaceleração do PIB em relação ao início do ano, o resultado da economia brasileira surpreendeu os analistas. No entanto, a desaceleração deve continuar nos próximos meses.

“Por mais que tenha superado as expectativas em termos de crescimento, não podemos abandonar a hipótese de uma contínua desaceleração ao longo dos próximos trimestres. Consequentemente, isso pode afetar a arrecadação, tema que temos debatido ao longo dos últimos dias”.

Para o economista-chefe do banco Master, Paulo Gala, o bom resultado já garante um crescimento anual de 3% para este ano.

“No acumulado dos últimos quatro trimestres, o crescimento foi de 3,2%, colocando o PIB brasileiro em seu patamar mais alto na série histórica, com um aumento de 7,4% em relação ao pré-pandemia de 2019”, afirma.

O Produto Interno Bruto é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, num determinado período, e serve para medir a evolução da economia.

PIB BRASIL – VARIAÇÃO TRIMESTRAL

Fonte: IBGE

Serviços e indústria puxam alta

O crescimento do setor de serviços e da indústria tiveram o principal impacto sobre o resultado do Produto Interno Bruto.

O setor que mais emprega no país segue no ponto mais alto da série histórica e não registra quedas há 12 trimestres consecutivos.

A coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, explica que o principal impacto veio dos serviços financeiros, especialmente seguros – como o de vida, automóveis, patrimônio e risco financeiro.

“Também se destacaram serviços voltados às empresas, como os jurídicos e os de contabilidade”, afirmou.

+ O que é o PIB e por que ele é importante para a economia do país?

Na indústria, o 2º trimestre seguido de expansão foi influenciado pela alta de 1,8% das indústrias extrativas, principalmente por conta de produtos relacionados à exportação como petróleo e gás e minério de ferro.

Avançaram ainda a indústria da construção (0,7%), eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos (0,4%) e indústrias de transformação (0,3%).

A indústria como um todo segue acima do patamar pré-pandemia, mas não conseguiu superar o ponto mais alto da sua série histórica, alcançado no 3º trimestre de 2013.

“Destaques positivos como a indústria não eram esperados. Para os serviços, o resultado viria mesmo melhor por conta do aumento salário mínimo e do Bolsa Família”, conclui Matheus Spiess.

Agropecuária caiu, mas segue em patamar elevado

A agropecuária foi o único grande setor que caiu no 2º trimestre, após bater recorde no início do ano. Essa desaceleração aconteceu porque a colheita da soja, nossa principal cultura, se concentra mais no 1º do que no 2º trimestre.

“Se olhamos o indicador interanual, vemos que a agropecuária é a atividade que mais cresce. O resultado é menor porque é comparado ao trimestre anterior, que teve um aumento expressivo. 60% da produção da soja é concentrada no 1º trimestre”, explica Rebeca Palis.

Consumo das famílias é destaque

Pelo lado da demanda, o destaque ficou para o consumo das famílias brasileiras que avançou 0,9% entre abril e junho, em relação aos três meses anteriores. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o crescimento foi de 3%.

Esse resultado foi puxado pela melhora do mercado de trabalho, o crescimento do crédito e incentivos fiscais do governo, como o programa de descontos para carros populares e o reajuste do Bolsa Família.

Para o economista, André Perfeito, o impulso do consumo das famílias veio da elevação do rendimento médio dos trabalhadores, que “vem subindo por conta da inflação sob controle e medidas ligadas ao aumento da demanda por parte da administração Federal. Vale notar a alta de 0,7% no consumo do governo neste trimestre”.

“Por outro lado, os juros seguem altos, o que dificulta o consumo de bens duráveis, e as famílias seguem endividadas porque, apesar do programa de renegociação de dívidas, elas levam um tempo para se recuperar”, conclui a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

Investimentos Brasil

Os investimentos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo, ficaram estáveis (0,1%), no 2º trimestre, mas em queda de 2,6% no ano. É o único setor com resultado negativo.

Essa piora aconteceu por conta da menor produção interna de bens de capital, que são itens usados para produção de outros produtos, como máquinas e equipamentos.

A taxa de investimento foi de 17,2% do PIB, inferior à do mesmo período de 2022 (18,3%).

Setor Externo

As exportações cresceram 2,9%, enquanto as importações tiveram alta de 4,5% no segundo trimestre, ante o primeiro.

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