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Setor de serviços tem nova baixa em setembro e contraria expectativas

Na comparação anual, setor caiu 1,2% - a primeira retração após 30 meses de alta. Serviços foi a única das três atividades que caiu em setembro

trabalhadores limpeza edifícios. Foto: Pixabay
O setor de serviços é o que possui o maior peso na economia brasileira. Foto: Pixabay

Por Redação B3 Bora Investir

O setor que mais emprega no país derrapou pelo segundo mês consecutivo. Os serviços prestados tiveram baixa 0,3% em setembro, após recuo de 1,3% em agosto, segundo publicou nesta terça-feira, 14/11, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado frustrou a expectativa dos analistas, que esperavam uma alta de 0,5%. Em dois meses de queda, os serviços acumulam perdas de 1,6%, e eliminam parte do ganho de 2,2% entre maio e julho.

Mesmo com mais um mês no vermelho, o setor está 10,8% acima do nível de pré-pandemia (fevereiro de 2020). No acumulado do ano, a prestação de serviços é positiva em 3,4%.

VOLUME DE SERVIÇOS PRESTADOS NO BRASIL (MÊS A MÊS)

Fonte: IBGE

Segundo o economista-chefe da Nova Futura, Nicolas Borsoi, o resultado dos últimos dois meses foi decepcionante. Tanto que o setor fecha o 3º trimestre praticamente estável, com alta de 0,1%.

“Apesar da expansão, a dinâmica dos últimos meses e a performance dos indicadores antecedentes, principalmente a confiança dos empresários do setor, sugerem que a perda de ímpeto deve continuar”.

Dentre as outras atividades, o varejo fechou o 3º trimestre com alta de 0,8% em relação aos três meses anteriores. Já a indústria ficou estável.

Para o economista, André Perfeito, a queda nos serviços – que representam 70% do Produto Interno Bruto – deve levar o país a uma retração na economia no 3º trimestre, após um início de ano positivo.

“A eventual queda do PIB num ambiente de inflação sob relativo controle e com a perspectiva de cortes adicionais na gasolina sugere uma Selic mais baixa no ano que vem. Seja como for, a perda de fôlego dos serviços deve gerar desconforto no mercado e, principalmente, no Planalto”.

Em relação a setembro do ano passado, o volume de serviços teve baixa de 1,2%. Essa é a primeira queda na comparação anual após 30 meses seguidos de alta. “Setembro foi o terceiro mês de menor receita oriunda de prestação de serviços no ano, na frente apenas de janeiro e abril”, segundo o analista da pesquisa do IBGE, Rodrigo Lobo.

Atividades administrativas puxam serviços para o vermelho

Três das cinco atividades pesquisadas pelo IBGE tiveram queda em setembro, na comparação com agosto.

O maior impacto negativo veio dos serviços profissionais e administrativos, que recuaram 1,1%, por conta da menor receita com atividades jurídicas, de limpeza e de serviços de engenharia.

Segundo o IBGE, essa queda foi vista como normal. Isso apesar do resultado eliminar os ganhos de 0,8% registrados em agosto.

A segunda maior queda veio dos serviços de informação e comunicação, com retração de 0,7%. Com o terceiro mês seguido de queda, a atividade acumula perdas de 1,7% no 3º trimestre. Esse resultado foi puxado pelos setores de suporte técnico e manutenção.

Nos transportes, a queda nas receitas, impactadas pelo forte avanço das passagens aéreas, levou o setor para uma baixa de 0,2%. Vale lembrar que os bilhetes de avião tiveram o maior peso na inflação de setembro.

Serviços prestados às famílias voltam para o positivo

Os serviços prestados às famílias se recuperaram em setembro e tiveram avanço de 3%. No mês passado, a atividade caiu 3,7%. A melhora veio das atividade de espetáculos musicais, com o festival The Town como impulsionador.

“Esse grande festival de música, realizado em São Paulo, acabou impactando no setor como um todo”, explica o analista do IBGE. O setor de outros serviços cresceu 0,8%, após três resultados negativos seguidos, quando acumulou perda de 3,3%.

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