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Setor de serviços avança 8,3% em 2022 e bate recorde histórico

Volume de serviços está 14,4% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020) e atingiu o maior valor anual desde o início da série histórica, em 2011

trabalhadores limpeza edifícios. Foto: Pixabay
O setor de serviços é o que possui o maior peso na economia brasileira. Foto: Pixabay

Por Redação B3 Bora Investir

O volume de serviços prestados no país avançou 3,1% em dezembro de 2022. Com a alta, o setor encerrou o ano com forte crescimento de 8,3%. Esse foi o maior resultado anual desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2011. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 10/02.

Diante dos números, o setor ampliou a distância em relação ao patamar pré-pandemia para 14,4% – acima do volume apresentado em fevereiro de 2020. O impulso da retomada de serviços presenciais – após os períodos de isolamento e distanciamento social de 2020 e 2021 – ajuda a explicar a expansão em 2022.

VOLUME DE SERVIÇOS 2022 – MÊS A MÊS

Volume de serviço 2022 mês a mês
Fonte: IBGE

Desempenho dos grupos em 2022

O ramo de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio – que avançou 13,3% no ano passado – teve a principal influência para o resultado de 2022. Segundo o analista da pesquisa do IBGE, Luiz Almeida, esse forte aumento é resultado de uma mudança na dinâmica de compras pelos brasileiros.

“O setor de transportes cresce desde 2020, mas com dinâmica diferente: inicialmente, por causa da área de logística, com alta nos serviços de entrega, em substituição às compras presenciais. Já em 2022, há a manutenção da influência do transporte de carga, puxado pela produção agrícola, mas também pela reabertura e a retomada das atividades turísticas, impactando o índice no transporte de passageiro”, explica.

O volume de transporte de passageiros no país avançou 29,2% no ano passado – patamar 5,4% acima do nível de fevereiro de 2020 (pré-pandemia). Já transportes de cargas cresceu 15% em 2022 – 33,4% acima do nível de antes da covid-19.

A segunda atividade que mais impactou foi a de serviços profissionais, administrativos e complementares que teve expansão de 7,7%. Nesse ramo se destacam as companhias de locação de automóveis, serviços de engenharia, soluções de pagamentos eletrônicos e organização, promoção e gestão de feiras, congressos e convenções.

Os serviços prestados às famílias também ajudaram a turbinar o crescimento do setor no ano passado. Com a terceira principal influência no índice, esse grupo avançou 24% puxado pela maior demanda por restaurantes, hotéis, buffet, catering e condicionamento físico. “Em linhas gerais, setores também ligados a atividades presenciais”, reforça Luiz Almeida. As atividades de informação e comunicação (3,3%) fecham a lista de altas.

No campo negativo em 2022 ficou apenas o segmento de outros serviços (-2,1%), sob a influência de serviços financeiros auxiliares como corretoras de títulos e valores mobiliários, administração de bolsas e mercados de balcão organizado, e administração de fundos por contrato ou comissão. O analista da pesquisa explica que, neste caso, a retomada de serviços presenciais teve efeito inverso sobre a atividade.

“Durante os períodos de isolamento mais severos, as famílias de maior renda, que participam mais desse segmento, realocaram o gasto para esse setor. Com a retomada pós-isolamento, a leitura é que a distribuição investimentos mudou, com uma realocação dos gastos familiares”, explica Luiz Almeida.

Desempenho dos grupos em dezembro de 2022

O grupo de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio também teve impacto positivo no resultado de dezembro com o avanço de 2,5%. A atividade que mais cresceu dentro desse segmento foi a de transportes aéreos, com alta de 7,6%.

O segmento de outros serviços também teve forte impacto positivo (10,3%), eliminando as perdas de novembro (-3,3%). Eles foram seguidos por serviços profissionais administrativos e complementares (3%) e serviços prestados às famílias (2,4%).

O único setor que fechou o mês no negativo foi o de serviços de informação e comunicação. É a segunda queda consecutiva, acumulando perdas de -2,9% nos dois últimos meses do ano passado.

Turismo consegue se recuperar em 2022

O índice de atividades turísticas avançou forte e fechou o ano passado com crescimento de 29,9%. O resultado foi positivo nos 12 locais pesquisados pelo IBGE. Destaques para São Paulo (36%), seguido por Minas Gerais (49,4%), Rio de Janeiro (16,1%), Rio Grande do Sul (35,8%) e Bahia (23,4%).

O setor se encontra 1,5% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020), mas ainda 5,5% abaixo do ponto mais alto da série, alcançado em fevereiro de 2014.

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