Vale a pena aderir ao saque-aniversário do FGTS em 2026?
Segundo especialistas, modalidade não é recomendada para que pretende usar o FGTS para financiar imóvel ou ainda não possui uma reserva de emergência
Por Victor Rabelo
Desde 2020, quem tem direito ao FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) pode optar pelo saque-aniversário, que permite ao trabalhador retirar uma parte do saldo de suas contas vinculadas ao fundo anualmente, sempre no mês de seu aniversário.
Porém, a escolha por sacar essa reserva financeira antecipadamente precisa ser feita com cautela para que os trabalhadores não se comprometam financeiramente porque, quem opta por essa modalidade, abre mão de sacar a totalidade do saldo caso seja demitido sem justa causa ou queira financiar um imóvel, por exemplo.
Daniele Cardoso, especialista em investimentos e sócia da Forum Investimentos, explica que essa opção pode valer a pena para quem pretende investir o dinheiro sacado. “A maior vantagem do saque-aniversário no planejamento financeiro é transformar um ativo passivo e pouco rentável em um instrumento ativo de crescimento patrimonial”, diz.
O FGTS rende 3% ao ano mais a taxa referencial (TR), enquanto a inflação nos últimos 12 meses está em 4,26%. Nesse cenário e com a Selic em 15% ao ano, Cardoso entende que “manter dinheiro no FGTS destrói o poder de compra quando comparado à Inflação e sacar anualmente e investir aumenta a eficiência financeira”.
Atualmente, quem opta pelo saque-aniversário saca apenas uma multa rescisória de 40% em caso de demissão. Por isso, Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos, argumenta que esse regime não é recomendado para quem pretende usar o FGTS para financiar um imóvel ou para quem não tem uma reserva de emergência para o caso de demissão.
“Se a pessoa optou pelo saque-aniversário e gastou o dinheiro sem construir uma reserva e a demissão acontecer, ela perde o salário e não tem acesso ao colchão de segurança que o FGTS proporcionaria. Ficar desempregado sem reserva e com o FGTS travado pode levar rapidamente ao endividamento excessivo e à negativação”, comenta Patzlaff.
No mesmo sentido, Cardoso destaca que é importante ter em mente que “o saque não é aconselhado para quem faz o consumo imediato ou tem descontrole financeiro”. Por outro lado, para ele, a modalidade pode servir ao investidor consciente e que pretende investir o dinheiro na renda fixa.
Mudanças no saque-aniversário
Desde novembro de 2025, o empréstimo passou a ser limitado entre R$ 100 e R$ 500 por parcela, com máximo de cinco parcelas nos próximos 12 meses, totalizando R$ 2,5 mil. A partir de novembro de 2026, porém, o limite será reduzido para três parcelas de R$ 100 a R$ 500 a cada saque-aniversário.
Prazo de carência
As mudanças feitas no saque-aniversário no fim do ano passado definiram também que o trabalhador só poderá contratar antecipações nas instituições financeiras 90 dias após a adesão ao saque-aniversário.