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Volume de serviços cresce e indica recuperação da economia

Com o fim do isolamento social, as pessoas estão circulando mais, e isso contribui para uma alta nos preços e aquecimento econômico

trabalhadores limpeza edifícios. Foto: Pixabay
O setor de serviços é o que possui o maior peso na economia brasileira. Foto: Pixabay

Em divulgação feita nesta terça-feira, 13, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que o volume de serviços prestados à população brasileira cresceu 1,1% em julho ante junho. No acumulado em 12 meses, esse mesmo dado teve um avanço ainda mais expressivo, de 9,6%.

A demanda por serviços cresceu tanto nos últimos meses, desde o fim das medidas de isolamento social no País, que o volume deste segmento já está 8,9% maior do que o registrado em fevereiro de 2020, antes de o coronavírus se espalhar pelo Brasil.

O reaquecimento da economia e, sobretudo, do setor de serviços, é uma notícia bastante positiva para quem trabalha e depende do setor para pagar as contas no final do mês. Mas e para o investidor: quais os impactos que a demanda por serviços traz para os investimentos?

Entendendo a inflação

O primeiro ponto para entender os impactos nos investimentos é compreender a dinâmica da inflação. Para isso, um outro dado muito importante foi divulgado pelo IBGE na última sexta-feira, 09: o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Este indicador, que reflete a inflação oficial do País, teve uma queda de 0,36% em agosto ante julho – o segundo mês consecutivo de deflação.

Enquanto a desaceleração nos preços dos combustíveis, principalmente, puxou o IPCA para baixo, outros setores da economia, incluindo o de serviços, continuam com seus preços bastante pressionados.

Em entrevista ao site Valor Econômico, Pedro Kislanov, gerente do IPCA, afirma que a inflação de serviços continua forte – em agosto, subiu 0,28%, na contramão do IPCA cheio, e acumula alta de 8,76% em um ano. Por conta desses números, o especialista observa uma retomada da atividade econômica após o pior momento da pandemia, com base também em outros indicadores, como o Produto Interno Bruto (PIB) e o índice de emprego e desemprego.

“As pessoas estão circulando mais e há uma economia em retomada. Isso sem dúvida contribui para uma demanda maior de serviços”, destacou Kislanov, em entrevista concedida ao jornal.

Impacto na taxa de juros

Com a inflação ainda pressionada pela alta demanda, surge um outro fator que merece atenção: os juros. A forma que o Banco Central do Brasil (BC) tem de controlar a escalada dos preços é elevando a Selic, taxa básica de juros. Atualmente, essa taxa está em 13,75% ao ano, depois de um duro ciclo de aperto monetário iniciado pela instituição ainda no ano passado.

Na semana que vem, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reúne para decidir sobre os rumos da taxa Selic e especialistas esperam mais uma alta de 0,25 ponto percentual, após afirmações feitas por dirigentes do banco, o que levaria os juros a 14% ao ano.

Neste contexto, os dados de serviços podem representar um fator de incerteza para os rumos da política monetária, já que, se a demanda continua crescente, a pressão inflacionária também tende a se manter, o que pode levar o BC a subir os juros acima dessa expectativas do mercado.

A verdade é que ninguém consegue garantir, com 100% de certeza, o que vai acontecer. Mas há projeções. De acordo com a equipe de analistas do BTG Pactual, “no curto prazo, diante do aumento do Auxílio Brasil para R$ 600, além da melhora no mercado de trabalho e da renda das famílias, as perspectivas (para o setor de serviços) são positivas”.

Como isso afeta os investimentos?

Inflação e juros são pilares para a economia e o mundo dos investimentos. Se os juros subirem acima das expectativas, por exemplo, isso tende a favorecer a renda fixa.

Por ser considerada mais segura e ter sua rentabilidade já pré-definida no momento da aplicação, a renda fixa se torna, para muitos investidores, mais atrativa que a renda variável quando os juros sobem e, consequentemente, impactam positivamente nos ativos dessa categoria de investimentos.

O contrário também é verdadeiro e, em momentos em que os juros passam a cair e chegam em patamares muito baixos, a renda variável pode brilhar mais por oferecer oportunidades de retornos maiores.

O mercado de ações também pode se beneficiar de uma maior demanda pelo setor de serviços, principalmente os papéis ligados ao consumo doméstico, como os de turismo e eventos, por exemplo.

O segredo, assim como em tudo que envolve investimentos, é manter a educação financeira em dia, acompanhar os dados econômicos importantes e, claro, manter uma carteira diversificada para se proteger contra as volatilidades e imprevistos do mercado.

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