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Ainda dá para ganhar 1% ao mês na renda fixa?

Com Selic em queda, investidores tentam encontrar rendimentos maiores na renda fixa

Calculadora azul apoiada em fundo claro apresenta a escrita "Juros" no visor. Foto: Adobe Stock
A definição clássica dos juros diz que eles representam o valor do dinheiro ao longo do tempo. Foto: Adobe Stock

Com a trajetória de queda da Selic, é natural que investidores busquem opções mais rentáveis para alocar seus recursos. No atual nível de 10,75% ao ano, o retorno “de ouro” do investidor brasileiro, de 1% ao mês, não é mais tão fácil de encontrar. Para alcançar esse objetivo na renda fixa, há duas saídas: estender os prazos ou aumentar o risco do portfólio. Mas será que essa é a melhor opção para qualquer um? E será que só o número de 1% de rendimento ao mês importa? O Bora Investir conversou com especialistas para saber mais. Confira!

Busque indexadores diferentes na renda fixa

Segundo Larissa Frias, planejadora financeira do C6, em momentos de Selic em queda, vale a pena pensar em estratégias diferentes na renda fixa, além dos pós-fixados, que são atrelados à taxa básica de juros ou ao CDI.

“Na renda fixa, as duas principais estratégias que acabam sendo beneficiadas, inclusive, por esse momento de queda, são os ativos prefixados e aqueles híbridos, geralmente compostos por uma taxa prefixada, mais a inflação”, diz ela.

Frias ressalta que o C6 tem dado inclusive uma ênfase maior aos títulos híbridos. “Ele garante uma rentabilidade interessante num cenário de queda de juros, e numa eventual inflação ainda persistente, consegue absorver esses dois momentos que geralmente são um pouco ambíguos”, diz.

Prazos mais longos e maior risco na renda fixa

Outra estratégia é optar por títulos com prazos mais longos, ou que tenham maior risco de crédito.

Larissa Frias explica que isso acontece porque os títulos de mais curto prazo já embutem nas taxas a expectativa de queda de juros. Por outro lado, quando se fala em papéis com prazos mais alongados, a incerteza aumenta, e aumenta o retorno oferecido.

“É onde o investidor ainda consegue achar, tanto nos pré-fixados quanto nos títulos de inflação, um percentual de 1% ao mês, que muita gente busca”, diz ela. Importante pontuar, no entanto, que é preciso planejamento para escolher esses títulos de vencimento mais longo. “Vale o investidor sim aproveitar essas oportunidades, mas tudo com bastante planejamento, entendendo o quanto que ele pode se expor e como que ele vai se expor”.

Outro fator que pode aumentar a rentabilidade é buscar títulos com maior risco de crédito, diz ela. “Todo título de renda fixa, naturalmente, é um título de dívida. Estou emprestando dinheiro para o emissor, com o objetivo de receber juros em troca”. Nesse cenário, os títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, pelo Tesouro Direto, são os considerados mais seguros, do ponto de vista de crédito.

“Quando a gente faz uma busca para o setor privado, aí sim vai ter outros tipos de risco, e o retorno também acaba sendo mais interessante”, diz. No setor bancário, ela sugere CDBs e LCIs como boas opções para o investidor fazer essa busca por um prêmio maior do que Tesouro. “Além da solidez, há a proteção do Fundo Garantidor de Créditos”, diz Larissa Frias.

Além dos títulos emitidos por bancos, há as debêntures e outros títulos de renda fixa, como CRIs e CRAs.

Reserva de emergência não muda!

Não importa o patamar da taxa básica de juros, a alocação da reserva de emergência – aquele dinheiro que precisa estar sempre à mão para cobrir gastos inesperados ou para aproveitar oportunidades – não muda. Isso significa que a sua reserva ainda deve ser mantida nos títulos mais seguros do mercado e com alta liquidez, como o Tesouro Selic ou CDBs de bancos sólidos com liquidez diária.

“O objetivo daquela reserva não é o ápice do retorno. E sim é ter segurança, liquidez e baixo risco. Então, para essa reserva, a gente não orienta mexer”, diz Larissa.

E mesmo além da reserva de emergência, os títulos pós-fixados ainda devem compor os portfólios. Segundo Larissa, desde os investidores mais conservadores aos mais arrojados devem manter uma parcela do dinheiro em investimentos mais conservadores, de renda fixa pós-fixada.

“Além de eles equilibrarem o risco da carteira, eles também servem como um plano B pra outras oportunidades”, diz. “Claro que no investidor conservador, essa parcela deve ser maior, e se o investidor é mais agressivo, tende a ser menor”.

Ainda vale buscar o 1%?

“O 1% é paradigmático, mas não é assim que a gente deve olhar as finanças”, diz Myrian Lund, professora de MBAs da FGV. “O grande aprendizado do investidor é saber se ele está ganhando acima da inflação. Não adianta ter rendimento de 1% se a inflação está acima de 1%”, afirma ela.

“Com as perspectivas de hoje para Selic e IPCA, a expectativa é fechar o ano com uma taxa de juro real de 5% ao ano”, afirma ela. “Só se [seu rendimento] cair abaixo de 5% que você tem de se preocupar. Se a inflação está sob controle e o dinheiro está rendendo 5%, é preciso pesar muito para pensar em ir para investimentos mais audaciosos”, afirma a professora.

Larissa Frias concorda que é preciso analisar o cenário como um todo. “Talvez 1% ao mês não seja nem o suficiente em determinado momento. Ou, às vezes, o 1% ao mês seja inviável de acordo com o risco que aquele investidor está buscando”, diz.

Para mais conteúdos de investimento, veja o Hub de Educação Financeira da B3.

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