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Nos investimentos, arriscar de menos também pode te prejudicar

Fatores como seguros que possam compor a proteção junto com a reserva de emergência podem te ajudar

Um conceito de negócio com gráficos e pessoas em miniatura movendo dinheiro. Foto: Adobe Stock
Uma boa análise de riscos envolve conhecer o que pode dar errado. Foto: Adobe Stock

Muito se fala sobre o perigo de arriscar demais e sair do seu perfil de investidor. Ter ativos mais voláteis do que você gosta – ou em uma proporção maior do que deveria – pode fazer qualquer um perder o sono. Mas o lado oposto da moeda, ser conservador demais, também não é a melhor estratégia. Isso porque você pode deixar de aproveitar boas oportunidades, e ninguém gosta de deixar dinheiro na mesa, certo?

Ganhar confiança não é fácil, mas estudar e se informar é a melhor saída. O Bora Investir conversou com especialistas em planejamento financeiro para explicar como fugir dessa armadilha.

Foco no objetivo

Para Clay Gonçalves, planejadora financeira CFP pela Planejar, um bom caminho é começar pelo fim. Determine um objetivo e um prazo. Calcule qual o valor necessário para alcançar essa meta e o quanto você consegue poupar por mês.

“Faz muito sentido porque você vai entender o quanto precisa ganhar [de rendimento], e ajusta o risco de acordo, nem a mais nem a menos”. É como se, em vez de começar a pensar a receita pelos ingredientes (os ativos e seus perfis de risco), você começasse a pensar pelo prato que quer fazer, e a partir daí busca os ingredientes necessários, exemplifica ela. “Mas é importante o apoio de um profissional que te entenda por completo para orientar a tomar esse risco”, sugere.

Marina Prieto, professora e coordenadora do curso de Ciências Contábeis da Estácio, complementa: “seja aposentadoria, compra de uma casa, educação dos filhos ou simplesmente aumentar sua riqueza, é importante ter metas claras em mente e considerar juntamente com elas o horizonte de tempo”.

Não superestime a reserva de emergência – e não dependa só dela

Outro ponto que faz muitos investidores deixarem de aproveitar oportunidades é superestimar a necessidade de liquidez, aquele dinheiro que deve ser investido de forma conservadora e que precisa estar à mão a qualquer momento.

Nesse ponto, Clay Gonçalves lembra que a reserva de emergência não é a única forma de lidar com imprevistos. “Há outros tipos de proteção, como um seguro no caso de incapacidade temporária de gerar renda, por exemplo”, diz. “Assim você pode ficar mais tranquilo com relação à reserva, porque tem um mix de proteções”.

Entenda o tipo de risco e saiba o que está em jogo

Para ter mais segurança na hora de investir, é importante entender quais os riscos envolvidos em cada ativo e o quanto de fato você pode perder com eles. O quanto se pode perder ao investir em uma ação ou em um título de renda fixa?

“Quando estamos bem alinhados em relação a uma carteira que é voltada a objetivos, sabemos inclusive o quanto podemos perder e ainda assim garantir que os objetivos vão ser realizados no prazo esperado”, diz Clay. “Até para aguardar, dependendo do tipo de investimento e levando em consideração tempo, uma recuperação”.

Marina Prieto concorda. “Quanto mais você entender os riscos envolvidos nos investimentos e como eles se aplicam ao seu perfil de investidor e objetivos financeiros, mais confiança terá em suas decisões de investimento”, diz.

Atenção ao tamanho das posições mais arriscadas

O quanto se aloca em ativos de risco é outra forma de ajustar o seu portfólio a seu perfil. Quem é mais conservador pode deixar uma parcela pequena da carteira em ativos de mais risco, e assim reduzir o quanto pode perder. “O perfil de risco está relacionado não apenas com o tipo de produto, mas também com a distribuição dos investimentos na carteira”, diz Prieto.

“Outro ponto a ser considerado é a diversificação, que é uma maneira de gerenciar o risco. Ao distribuir seus investimentos em diferentes classes de ativos (como ações, títulos, imóveis etc.) e geografias, você reduz a exposição a um ativo ou mercado específico. Isso pode ajudar a mitigar o impacto de eventos adversos em uma parte do seu portfólio”, lembra Marina Prieto.

Estruture a carteira em prazos variados

Segundo Clay Gonçalves, o ideal é ter uma carteira que atenda diversos prazos. “Quando se tem uma carteira com ativos de diversos vencimentos, consigo controlar o retorno, fazer uma administração de um retorno que atenda a meus objetivos de curto, médio e longo prazo, e nesses prazos, que eu sempre tenha liquidez”.

Marina, da Estácio, lembra que a depender do prazo, o risco que pode ser assumido muda. “Se seus objetivos são de curto prazo, como comprar um carro em um ano, seus investimentos precisam ser mais líquidos e menos voláteis. Para objetivos de longo prazo, como aposentadoria, você pode se dar ao luxo de assumir mais riscos”.

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