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O que é macroeconomia? Veja como isso afeta seus investimentos!

Entenda como funciona a avaliação macroeconômica para quem investe em ações mirando o longo prazo

Uma calculadora ao lado de uma lupa em uma cesta.
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Você sabe o que é macroeconomia? Entender bem os fatores macroeconômicos pode contribuir diretamente para fazer boas escolhas no mercado financeiro. Inflação, taxa de juros e desemprego são exemplos de indicadores que merecem sempre ser acompanhados por quem toma decisões de investimento pautadas pela expectativa de crescimento ou recessão de um determinado país, setor ou de uma companhia listada na bolsa.

O que é macroeconomia? Como surgiu?

A macroeconomia é uma ciência dedicada a observar e mensurar um cenário econômico regional, nacional ou global. A necessidade de um olhar sobre o todo, e não apenas em um aspecto individual de um país, teve seu primeiro marco histórico com a publicação da obra A Riqueza das Nações, em 1776, por Adam Smith.

Vem deste teórico a famosa tese de que era preciso deixar “mão invisível do mercado” operar a fim de libertar a economia das mãos do Estado, pois a oferta e a procura (de produtos e de ativos) conseguiriam se autorregular sozinhas, resultando em preços ajustados de forma automática, conforme a necessidade de cada mercado.

Evolução a partir do pensamento keynesiano

Foi preciso que um outro pensador, chamado John Maynard Keynes, publicasse A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, em 1936, para os capitalistas da época entenderem que não era só a demanda que ditava o valor das mercadorias.

Com a Grande Depressão nos anos 30, os keynesianos comprovaram as complexidades dessa equação, como a importância do poder de compra da população para que o consumo acontecesse de fato.

Se os trabalhadores norte-americanos estavam desempregados, não conseguiriam comprar comida, ainda que quisessem adquirir itens tão fundamentais. Foi nesse contexto que o Estado americano injetou recursos no mercado, criando uma demanda de modo artificial até que a recessão econômica fosse superada. Além disso, o governo dos Estados Unidos precisou criar mecanismos de bem-estar social a fim de manter sua população viva para produzir e comprar ou, em outras palavras, fazer a roda da economia girar.

Período pós-keynesiano

As gerações que sucederam Keynes acrescentaram novas variáveis aos tradicionais indicadores da produção de um país, tais como:

  • o uso de recursos naturais;
  • o comércio exterior;
  • as divisas internas;
  • a política monetária e o mercado de títulos de uma determinada nação.

Com base nesses conceitos, o Estado conseguiria calcular sua taxa de juros básica, metas para o controle da inflação, mecanismos de crédito e outros balizadores que hoje afetam – ou, pelo menos, deveriam afetar – sua decisão na hora de investir.

Nos períodos de expansão econômica, por exemplo, é comum ver investidores atrás de ações de empresas de tecnologia, commodities e bens de capitais. Por outro lado, quando o cenário é de recessão, os setores de saúde e serviços públicos tornam-se mais atraentes.

5 fatores macroeconômicos observados pelos investidores

Abaixo, apresentamos os principais fatores observados pelos investidores fundamentalistas antes de comprar ou vender uma ação:

1. Inflação

Por que é importante: é uma variável fundamental para prever o aumento ou a redução do poder de compra da população. Ela também afeta diretamente os juros praticados no mercado. Nesse sentido, quando a inflação atinge marcas muito altas, o Banco Central adota medidas para controlá-la, entre elas, o aumento da taxa básica de juros.

Ações mais impactadas: companhias de transmissão elétrica podem se beneficiar da alta da inflação. Já as empresas de consumo acabam duplamente prejudicadas, pois além de pagar mais pelas matérias-primas, têm dificuldade de repassar os custos ao consumidor, que vem perdendo poder de compra.

2. Taxa de juros

Por que é importante: a taxa básica de juros no Brasil (Selic) é uma variável que influencia o custo dos empréstimos. Assim, quando o Banco Central deseja estimular a economia, ele baixa o valor dessa taxa, para que as empresas e os consumidores tenham crédito mais barato para financiar contratações ou aumentar o volume de compras.

Ações mais impactadas: é preciso analisar caso a caso, pois empresas que trabalham com maior alavancagem (dependem muito de empréstimos) vão captar recursos pagando mais caro – o que vai reduzir o retorno dos investimentos. Porém, existem empresas que operam com dinheiro em caixa e são beneficiadas.

Elas não só evitam pegar empréstimo em tempos de Selic em alta, como ainda podem aplicar o dinheiro guardado em títulos do mercado atrelados aos juros, para lucrar mais. Bancos também são positivamente impactados por causa do spread bancário, isto é, a diferença entre o custo de captação do banco e os juros são cobrados dos clientes.

Embora os juros de captação cresçam, é num ritmo menor do que o dos juros cobrados dos clientes. Seguindo este raciocínio, a Selic alta também beneficia seguradoras, que vão cobrar mais pelo risco tomado de seus clientes.

3. Desemprego

Por que é importante: a taxa de desemprego indica uma tendência ao desenvolvimento ou à recessão em um país. Seus efeitos econômicos ocorrem em cascata: se as pessoas estão perdendo emprego, vão consumir menos, o que enfraquece os setores de serviço e comércio no curto prazo e, num médio e longo período, causa demissões de mais trabalhadores, agravando o cenário.

Ações mais impactadas: empresas na área de entretenimento, esportes, vestuário, beleza e outros itens fora da cesta básica de consumo estão mais suscetíveis às variações do desemprego. Quanto maior essa taxa, menos vendas, logo, menos dinheiro em caixa.

4. Consumo

Por que é importante: os índices de consumo revelam não só o desempenho da economia do país, como também sinalizam maior confiança no futuro por parte de quem compra.

Ações mais impactadas: empresas que vendem diretamente ao consumidor final (na sigla, B2C ou Business To Consumers) tendem a reagir positivamente mais rápido que os demais setores, já que as vendas tendem a se manter nos próximos meses devido ao aumento de confiança por parte dos clientes. Eles sentem que podem gastar agora pois haverá mais dinheiro lá na frente para arcar com outras despesas.

5. PIB

Por que é importante: a sigla de Produto Interno Bruto representa a soma das riquezas produzidas nacionalmente. Seu crescimento retrata que o país traçou um plano de desenvolvimento que funcionou. Quanto mais esse índice permanece positivo, maior o interesse de investidores de outros países sobre o mercado brasileiro. A entrada de capital internacional aumenta as reservas internas de dólar na economia, valoriza os ativos no mercado financeiro e reduz o risco de captação de recursos nos ambientes macro e microeconômico (empresas).

Ações mais impactadas: todas as companhias da Bolsa tendem a se beneficiar com uma economia saudável.

Lição aprendida? Então, resta agora, você, investidor, fazer a análise dos fundamentos de cada empresa, estudando indicadores como: lucro por ação (LPA); preço sobre lucro (P/L); Ebitda (sigla para earnings before interests, taxes, depreciation and amortization); Dividend yield (DY); retorno sobre investimentos (ROE) e outros.

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