Organizar as contas

Aconteceu comigo! O que se pode aprender com um golpe financeiro

Basta ter um celular com acesso à internet para estar sujeito a um golpe, mas a proteção também está na palma das mãos

Pagamento por aproximação
O pagamento por aproximação é uma ferramenta que pode evitar alguns riscos, enquanto abre margem para outros

Por Guilherme Naldis

Antônio é um mecânico industrial aposentado que, na noite de uma sexta-feira, recebeu uma ligação e não chegou a tempo de chegar para atendê-la. O telefone tocou novamente e, desta vez, ele conseguiu atender. Aparentemente, era alguém do banco. O gerente precisava confirmar alguns dados e realizar um Pix para certificar que o correntista tinha, realmente, a posse da conta. Depois, o funcionário da instituição faria o estorno dos valores.

Com 64 anos nas costas, ele sabia com quem ficar cabreiro: e o banco, certamente, dispensava desconfianças. Por isso, se um bancário pedisse R$ 3 mil para atender a um protocolo de segurança, ele aceitaria. Ainda mais sob a promessa de um reembolso quase que imediato. E enviou a grana toda para a chave aleatória fornecida por telefone pelos bandidos. 

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Não havia protocolo de segurança, nem banco, e nem gerente. Mas ele não sabia disso, e começou a desconfiar da transação. Consultou sua família e as respostas foram unânimes: “não faça mais nada. Espera até amanhã. Se o dinheiro não cair, nós ligamos para o banco”. O sol nasceu e o dinheiro não caiu. O funcionário que o atendeu na agência disse que não poderia fazer nada. Afinal, foi Antônio que havia feito a transferência.

Karen, a filha mais velha de Antônio, ainda não entendeu o que aconteceu. “Meu pai é uma pessoa extremamente mão de vaca. Se eu pedisse R$ 10 para ele, ele perguntaria para o que é e quando eu iria devolver”. Mas, naquele dia, seu pai caiu em uma das 2,8 mil tentativas de fraude que acontecem por minuto no Brasil. Os números são de um cruzamento de uma pesquisa da empresa CAF, de prevenção de fraudes e segurança digital, com dados do Banco Central (BC).

O golpe e a fraude: quais as diferenças?

A velocidade dos meios digitais trouxe inclusão bancária e ajudou muita gente a pôr as contas em dia, ao passo que também trouxe muita facilidade para os criminosos, com o volume de dados dos novos meios e a instantaneidade. Segundo Silvia Scorsato, presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), oito milhões de brasileiros sofreram golpes financeiros em 2022, e o total de prejuízo no ano foi de R$ 500 milhões.

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Casos como o de Antônio são os mais comuns, e se classificam como engenharia social: os criminosos obtêm algum tipo de informação da vítima e a usam para ganhar sua confiança. Em seguida, se passam por uma pessoa ou uma instituição de confiança da vítima para, por fim, extrair seus dados mais valiosos ou fazê-la enviar dinheiro para o golpista. 

Em termos técnicos, o ocorrido com Antônio foi um golpe, e não uma fraude. A diferença é que os golpes manipulam ou enganam a vítima de modo que ela mesma faça a ação desejada pelo criminoso ou, ao menos, o ajude sem saber. Já as fraudes acontecem sem que a vítima tenha ciência alguma do que está acontecendo, explica Scorsato. 

Como me proteger?

Para se proteger destes tipos de crimes, é preciso tomar alguns cuidados simples, mas muito eficazes:

  1. Não confiar suas informações pessoais a ninguém que não seja de extrema confiança
  2. Manter senhas diferentes para cada um dos seus logins na internet 
  3. Não acreditar quando uma “instituição financeira” ligar informando seus dados e pedindo alguma ação  
  4. Consultar a própria instituição financeira por meio dos canais oficiais

O Pix é o meio de pagamento preferido dos bandidos. Ainda que seja tão rastreável quanto as outras maneiras de enviar e receber dinheiro, o Pix se diferencia pela instantaneidade. É por isso que 99% dos golpes e fraudes são feitos com esta ferramenta, estima Márcio Contador, chefe de subunidade do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do BC. 

A declaração foi dada no evento de lançamento do programa “Tem Cara de Golpe”, para prevenção de fraudes e golpes digitais, em parceria entre a autarquia e a Associação Brasileira de Bancos (ABBC). A campanha, que tenta refrear o aumento expressivo desse tipo de crime, conta muito com o esclarecimento do usuário. 

“No final, está tudo em suas mãos. Só você pode fornecer dados e acessar sua conta, e só você pode não fornecer e fechar seu acesso”, diz Contador.

Open banking dos bandidos 

O BC vai implementar um sistema de compartilhamento de dados de indícios de fraudes entre instituições financeiras. A medida, que passa a valer no dia 1º de novembro deste ano, é uma tentativa de ajudar no combate a onda de golpes e fraudes digitais cada vez mais frequentes. 

A Resolução Conjunta nº 6 da autarquia, expedida em 23 de maio deste ano, é parte da agenda de combate à criminalidade virtual, que já é parte das prioridades do BC há mais de dois anos. “É praticamente impossível chegar à fraude zero, mas nosso trabalho é dificultar a vida dos criminosos e dar mais segurança aos clientes”, disse

Ele diz que sete a cada dez transações bancárias são feitas por meios digitais. Por isso, é necessário que as instituições financeiras se responsabilizem por, ao menos, compartilhar informações sobre os correntistas com movimentações suspeitas.

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