Só se vive uma vez? 83% planejam gastos com shows, mas um terço já se endividou
Apesar do planejamento, uma parte dos entrevistados ainda recorre à reserva de emergência ou deixa as contas básicas em aberto para cobrir gastos relacionados ao evento
A maior parte das pessoas faz algum tipo de planejamento financeiro para ir a shows ou festivais, mas pelo menos um terço do total já contraiu dívidas por conta desses gastos. Esses dados foram revelados em uma pesquisa recente conduzida pelo Serasa em parceria com o Mapa dos Festivais e o Instituto Opinion Box.
Conforme a amostra, cerca de 83% dos entrevistados dizem ter feito algum tipo de planejamento financeiro para o evento. Dentro desse grupo, a maioria optou por economizar ou cortar gastos (45%), juntar aos poucos o dinheiro necessário (41%), ou parcelar os ingressos (38%).
Uma outra parcela, que soma 45% do total de entrevistados, menciona que o planejamento de gastos é feito com pelo menos três meses de antecedência.
Ao mesmo tempo, 33% afirmaram ter contraído algum tipo de dívida por conta de gastos relacionados a eventos e shows. Outros 33% disseram que precisaram usar uma parte da reserva de emergência, enquanto 14% deixaram de pagar alguma conta básica para cobrir as despesas.
Os erros que pesam no bolso dos fãs
Segundo a análise do Serasa, o principal erro é concentrar o foco no preço do ingresso e esquecer-se dos demais custos associados, como transporte, hospedagem e alimentação, por exemplo.
Esse foco excessivo no preço do ingresso tende a gerar uma ilusão na percepção dos custos: cria-se o entendimento de que os gastos serão muito menores do que o montante de fato, já que nessa conta não entram as demais despesas que precisam ser levadas em consideração.
O relapso na hora de planilhar os custos pode gerar imprevistos que afetam o bolso do consumidor, que poderá ter que desembolsar quantias extras para lidar com despesas que não estavam nos planos.
A falta de planejamento adequado, somada aos gastos imprevistos, pode prejudicar ainda o próprio aproveitamento do evento. De acordo com a amostra, cerca de 40% dos entrevistados afirmam que a experiência não valeu a pena, enquanto 39% citam arrependimento devido aos gastos relacionados. Outros 27% mencionaram que gastaram mais do que o planejado.
Parcelamento exige atenção aos juros
Uma forma de manter os gastos alinhados é parcelar o ingresso do show, um método usado por cerca de 38% dos entrevistados. Contudo, é preciso ficar atento aos juros praticados e ao valor final das parcelas, que precisará caber dentro do orçamento mensal. Opções que geram juros mais altos que possam estrangular as finanças são um presságio para complicações financeiras.
“A possibilidade de parcelar pode ajudar na organização, mas é preciso lembrar que as prestações continuam fazendo parte do orçamento mesmo depois que o evento termina”, afirma Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira.
“Se a compra exigir deixar uma conta básica em aberto ou comprometer a reserva de emergência, o consumidor deve reavaliar se aquele gasto cabe, de fato, em sua realidade financeira”, acrescenta.
Como se planejar para a ocasião
A preparação de uma estratégia financeiramente saudável começa no próprio planejamento de gastos para o evento, que deve levar em consideração não somente o ingresso, mas também alimentação (apontada por 42% dos entrevistados como um dos principais gastos associados), transporte, hospedagem e outras formas de consumo dentro do próprio evento, como souvenirs.
Juntar dinheiro com antecedência, buscar renda extra e também dividir despesas com amigos são outros meios bem-vindos para ajudar no custo-benefício. Ademais, ficar atento aos juros, ou se o parcelamento vale ou não a pena, são formas estratégicas de evitar apertos financeiros no longo prazo.
Nessa linha, é válido também estabelecer um limite de gastos diários que não extrapole o orçamento destinado ao evento. Estourar o teto de gastos é um dos principais alertas para o consumidor.
O mesmo vale para o cartão de crédito. A vantagem dele é a opção de parcelamento sem juros, mas isso dependerá de fatores como a modalidade ou a bandeira do cartão e de programas de benefício, não sendo uma variável universal. Quando os juros praticados são altos demais e sufocam o orçamento, essa opção deixa de fazer sentido.
Por fim, se alguma dívida foi contraída em função dos custos relacionados a shows e eventos, a recomendação é que ela seja renegociada o quanto antes, para se evitar um acúmulo de juros e um aumento do valor devido no médio prazo.