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Quando vale a pena alugar um imóvel mobiliado?

Decisão deve levar em conta o período do aluguel e as necessidades do inquilino, como a praticidade de pagar e entrar em um imóvel pronto para morar

Iluminação natural em casa
Iluminação natural em casa

Élida Oliveira, especial para o Bora Investir

Você está prestes a procurar um imóvel para alugar, seja para moradia ou comércio, e não sabe se vale mais a pena investir em um vazio – e gastar com móveis e eletrodomésticos – ou partir para algo já mobiliado? Se essa é a sua situação, é preciso considerar não só o valor do boleto dos aluguéis, mas também tempo de contrato e facilidades que deseja no dia a dia.

Um imóvel mobiliado custa de 15% a 30% mais caro do que o mesmo imóvel sem mobília, de acordo com Raphael Sylvester, diretor de estratégia da Lello Imóveis. Mas mobiliar um apartamento também vai demandar bastante recurso, e se o contrato for curto, talvez não valha a pena comprar tudo que você precisa para morar bem.

“Para contratos curtos ou mesmo de até 2 anos, ter um imóvel já mobiliado é mais econômico, apesar do aluguel nominal mensal ser mais elevado”, afirma Guilherme Ribeiro, professor da FIA Business School.

Além disso, também são relevantes o estilo de vida, a flexibilidade para entrar e sair do imóvel e a visão de futuro – como o que fazer com móveis próprios caso você precise mudar de cidade, país, casar ou morar com outras pessoas, segundo Ribeiro.

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Imóvel mobiliado traz praticidade para períodos curtos

O imóvel mobiliado é uma boa opção para quem não tem capital para comprar os móveis e eletrodomésticos e pretende ter um contrato curto. 

É também para quem quer praticidade, não tem tempo para investir na busca do que precisa para a casa e pode vir a se desfazer de tudo no futuro.

O professor da FIA estima que o custo para mobiliar um imóvel pode atingir até 20% do valor do bem, se precisar incluir móveis fixos – como armários de cozinha, do banheiro e dos quartos. Se você não tem essa reserva de emergência ou não acha interessante investir em móveis, um apartamento ou comércio já completo pode ser a melhor opção para você. 

“Como uma locação gira em torno de 0,5% do valor do imóvel, seriam quase 40 meses para amortizar isto. Box, cortinas e persianas também afetam a conta. Se o imóvel já tiver móveis fixos, este custo cai, mas ainda assim representa mais de um ano de aluguel”, afirma. 

“É importante que cada cliente faça o seu estudo de custo para alinhar com o orçamento”, sugere o professor da FIA. 

Apartamento vazio para mobiliar e chamar de lar

Se você gosta de personalizar sua moradia e sabe que o contrato será mais longo e estável, a indicação é procurar um imóvel vazio e torná-lo um lar com a sua cara, aconselha Ribeiro.

Segundo Sylvester, da Lello, para contratos de períodos acima de um ano, já é interessante avaliar a locação de um imóvel vazio. “Leva-se muito em consideração o potencial que esse imóvel pode gerar. Pode ser um perfil que queira se estabelecer por mais tempo, queira aplicar sua própria personalidade na decoração ou que já tenha móveis de outras residências. Há também quem olha sob a perspectiva financeira, sendo que o valor de aluguel de um imóvel não mobiliado tende a ser mais baixo”, diz.

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Com o aluguel mais baixo, os valores do investimento para mobiliar podem variar conforme o padrão de vida do inquilino – uma cama pode ser comprada a R$ 1.000 ou R$ 15.000, por exemplo, ou uma cadeira de escritório, de R$ 200 a R$ 10.000. 

Então, com papel e caneta na mão – ou uma planilha de Excel – calcule quanto custa, em média, tudo que você precisa adquirir. Se for um ponto comercial, pesquise os mobiliários e reformas necessárias. 

Se for residencial, veja quanto custa a geladeira que você gostaria de adquirir, o fogão, o microondas, e os eletroportáteis – você faz questão de liquidificador mas pode abrir mão de uma batedeira, por exemplo? Estime também os custos das louças – um jogo de jantar pode variar em tamanho e qualidade, o que impacta no preço. O mesmo vale para talheres. Pense também se você faz questão de comprar copos ou vai colecionar embalagens de requeijão para tomar água. Avalie se quer taças para bebidas, e quantos itens um jogo de panelas precisa ter para você cozinhar? Gosta de cafeteira ou vai fazer café com água quente e filtro?

Para o quarto, estime quanto custam os jogos de lençol, quantas peças você vai adquirir, e se vai querer cobertores e edredons. Entram na conta também as toalhas de banho, de rosto e tapetes de chão. O ideal é ter pelo menos dois jogos para dar tempo de lavar um enquanto usa o outro.

Feito o levantamento, Ribeiro sugere que o futuro inquilino pesquise fornecedores que possam oferecer o máximo de itens, para assim pleitear um desconto global.

Outra dica é definir o que é essencial no momento da mudança e o que pode ser adquirido depois. Outra alternativa é considerar o comércio de móveis usados, que também está em alta.

Quem não leva em consideração esses fatores, pode ter uma surpresa na hora de mudar, alerta Sylvester. Se colocar no orçamento só o valor do aluguel, esse futuro inquilino poderá ver a conta do cartão de crédito aumentar exponencialmente durante o período de pagamento das parcelas. Por isso, fazer a lição de casa do planejamento financeiro é tão importante.

Para mais conteúdo de finanças pessoais, confira o Hub de Educação Financeira da B3.

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