Conheça as ações que mais pagaram dividendos em 2025
Confira os papéis do Ibovespa, Small Caps e IDIV com maiores Dividend Yield (DY) no ano passado
Para muitos investidores, os dividendos são parte importante da estratégia ao comprar ações. Seja para reinvestir ou para quem quer uma renda passiva, é essencial encontrar empresas que se mostrem boas pagadoras de proventos, e que turbinem os seus investimentos.
Para encontrar os papéis que pagam bons dividendos, uma das estratégias é avaliar o Dividend Yield (DY) — uma expressão em inglês que, traduzida literalmente, significa rendimento do dividendo. Trata-se de um índice criado para medir a rentabilidade dos dividendos de uma empresa em relação ao preço de suas ações.
Em 2025, algumas empresas dos principais índices da bolsa brasileira se destacaram com DY acima de 15%, e a pedido do Bora Investir, a Elos Ayta Consultoria levantou as ações do Ibovespa B3, Small Caps e IDIV, que superaram esse patamar. Confira!
As ações do Ibovespa B3, Small Caps e IDIV que mais pagaram dividendos em 2025
| Empresa | Código | Setor | Participação no índice | Dividend Yield (%) | ||
| Ibovespa | Small Caps | IDIV | ||||
| Syn Prop Tec | SYNE3 | Exploração de imóveis | 0,09 | 0,07 | 54,87 | |
| Guararapes | GUAR3 | Tecidos vestuário e calçados | 0,22 | 49,98 | ||
| JSL | JSLG3 | Transporte rodoviário | 0,12 | 35,33 | ||
| Vulcabras | VULC3 | Calçados | 0,67 | 0,53 | 35,12 | |
| Grendene | GRND3 | Calçados | 0,34 | 0,27 | 34,90 | |
| Alpargatas | ALPA4 | Calçados | 0,50 | 29,90 | ||
| Direcional | DIRR3 | Incorporações | 0,19 | 1,37 | 1,08 | 29,77 |
| Lavvi | LAVV3 | Incorporações | 0,36 | 0,28 | 27,57 | |
| Unipar | UNIP6 | Químicos diversos | 0,89 | 0,70 | 26,11 | |
| Cury S/A | CURY3 | Incorporações | 0,22 | 1,56 | 1,24 | 25,99 |
| Cyrela Realt | CYRE3 | Incorporações | 0,26 | 1,89 | 22,41 | |
| Log Com Prop | LOGG3 | Exploração de imóveis | 0,39 | 0,31 | 22,01 | |
| Movida | MOVI3 | Aluguel de carros | 0,37 | 21,92 | ||
| Itausa | ITSA4 | Holdings diversificadas | 2,97 | 3,09 | 19,91 | |
| Bradespar | BRAP4 | Minerais metálicos | 0,22 | 1,55 | 1,23 | 19,76 |
| Bemobi Tech | BMOB3 | Programas e serviços | 0,54 | 19,45 | ||
| Itaú Unibanco | ITUB3 | Bancos | 3,93 | 18,75 | ||
| Tim | TIMS3 | Telecomunicações | 0,74 | 3,43 | 17,35 | |
| Marcopolo | POMO4 | Material rodoviário | 0,18 | 1,32 | 1,00 | 17,07 |
| Rede D Or | RDOR3 | Serviços médico-hospitalares | 1,89 | 16,89 | ||
| Cogna ON | COGN3 | Serviços educacionais | 0,26 | 1,85 | 16,65 | |
| Marfrig | MBRF3 | Carnes e derivados | 0,65 | 3,68 | 16,50 | |
| Itaú Unibanco | ITUB4 | Bancos | 8,42 | 3,40 | 16,41 | |
| Planoeplano | PLPL3 | Incorporações | 0,22 | 16,35 | ||
| Pague Menos | PGMN3 | Medicamentos e outros produtos | 0,45 | 0,36 | 16,16 | |
| Banrisul | BRSR6 | Bancos | 0,95 | 0,76 | 15,72 | |
| Tegma | TGMA3 | Transporte rodoviário | 0,36 | 0,28 | 15,47 | |
| Bradesco | BBDC4 | Bancos | 3,98 | 4,36 | 15,36 | |
| Bradesco | BBDC3 | Banco | 4,46 | 15,16 | ||
No ranking geral considerando os 3 índices levantados, a Syn Prop Tech (SYNE3) foi o grande destaque, com 54,87% de DY. O desempenho da empresa do setor imobiliário foi impulsionado, de acordo com o professor da FIA Business School Marcos Piellusch, pela monetização de ativos imobiliários maduros, com vendas seletivas e reciclagem de portfólio.
“Para essa empresa, o cenário macroeconômico atual reforçou a estratégia de monetização de ativos como eixo central de geração de valor. Com juros elevados e maior seletividade do crédito, a empresa optou por antecipar caixa a partir da venda ou reestruturação de ativos maduros, reduzindo risco e aumentando liquidez”, apontou o professor.
No entanto, Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, alerta que é preciso ficar atento pois parte dessa performance é reflexo de operações atípicas de caixa, e não apenas de uma geração regular de resultados.
O segundo colocado na distribuição de dividendos em relação ao preço de sua ação ficou com a Guararapes (GUAR3), controladora da Riachuelo, com 49,98% de dividend yield.
Para Piellusch, a empresa se beneficiou de margens operacionais mais estáveis e forte controle de custos, além de uma estrutura de capital menos alavancada. “Em 2025, a empresa priorizou a remuneração ao acionista em vez de grandes ciclos de investimento, o que elevou o payout”.
Fechando o top 3, a JSL (JSLG3), empresa do área de transporte rodoviário, aparece com 35,33% de DY no ano passado. Em relação a ela, o analista a Ouro Preto Investimentos afirma que os dividendos elevados aparecem pelo reajuste nos pagamentos frente ao desempenho operacional e “a necessidade de retorno ao acionista num ano de recuperação mais sólida do setor de logística”.
Setor imobiliário e de calçados em alta
Entre as 30 ações com maiores DY no levantamento, 11 delas pertencem a setores de imóveis e vestuários – de calçados mais especificamente. Segundo o professor da FIA, o destaque de empresas de calçados e do setor imobiliário em dividendos em 2025 é resultado direto da combinação entre ciclo econômico, estrutura de capital e estágio de maturidade dos negócios.
“No caso das empresas de calçados, o setor chegou a 2025 com baixo nível de alavancagem financeira e investimentos já realizados nos anos anteriores. Isso reduziu a necessidade de novos aportes de capital no curto prazo. Com custos mais controlados e uma demanda relativamente resiliente, mesmo em um cenário de juros ainda elevados, essas companhias conseguiram converter lucro contábil em caixa efetivo, o que é essencial para o pagamento de dividendos”, ressaltou Piellusch.
Já no setor imobiliário, ele destaca que tanto em incorporação quanto em exploração de imóveis, o movimento é explicado por uma postura defensiva diante do ambiente macroeconômico. Com juros elevados por mais tempo e crédito mais seletivo, muitas empresas reduziram lançamentos, desaceleraram a expansão e passaram a priorizar desalavancagem, liquidez e retorno ao acionista.
Por fim, o professor diz que o dividend yield elevado, nesses casos, não reflete necessariamente um boom de crescimento, mas sim maturidade dos negócios e decisões conscientes de alocação de capital.
Maiores dividendos no Ibovespa B3
Agora, se olharmos apenas para as ações que fazem parte do Ibovespa B3, principal índice de ações da bolsa brasileira, a Direcional (DIRR3), Cury S/A (CURY3) e Cyrela (CYRE3) foram as principais pagadoras de dividendos com base no DY.
No caso da Direcional, que teve 29,77% de dividend yield, Sidney Lima diz que segmentos como a linha de média renda e a velocidade de vendas mantiveram o caixa confortável e permitiram dividendos mais altos.
Para Cury (25,99%), o professor da FIA aponta o foco em projetos de menor risco, maior previsibilidade de vendas e forte disciplina de custos sustentou margens mesmo em um ambiente de crédito mais seletivo.
Já a Cyrela (22,41%), “destacou-se pelo perfil premium de seus empreendimentos, boa velocidade de vendas e forte caixa líquido ao longo do ano. Em 2025, a companhia reforçou a política de retorno ao acionista como forma de sinalizar solidez financeira, mesmo mantendo capacidade de investimento futuro”, analisou Piellusch.
Petrobras fora do ranking de dividendos
Uma falta que pode ser notada ao olhar pro ranking é a presença das ações da Petrobras, a PETR3 e a PETR4, que foram 2º e 3º lugar em 2024 em DY. Segundo os especialistas, dois fatores maiores explicam essa mudança: cenário e estratégia.
Para o analista da Ouro Preto Investimentos, diferentemente dos períodos anteriores, quando a estatal se beneficiou de preços internacionais do petróleo excepcionalmente elevados, câmbio favorável e baixo nível de investimentos, 2025 foi marcado por queda relativa do Brent, redução do fluxo de caixa livre e aumento relevante do CAPEX, especialmente em projetos de exploração, refino e transição energética. “Esse novo ciclo exigiu maior retenção de caixa, reduzindo o espaço para dividendos extraordinários”.
Além disso, Marcos Piellusch diz que 2025 foi um ano em que a Petrobras buscou reduzir a volatilidade dos pagamentos ao acionista, evitando distribuições muito acima do fluxo de caixa recorrente.
“Isso não significa deterioração financeira, mas sim uma mudança de perfil: menos dividendos excepcionais e mais previsibilidade de longo prazo. Em resumo, a Petrobras deixou de ser um outlier em dividendos para se comportar mais como uma grande empresa de energia com foco em sustentabilidade financeira’, completou.