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Mesmo após rali do Ibovespa B3, gestores de ações estão otimistas com a ações em 2026

Bom momento para países emergentes e perspectiva de queda de juros no Brasil podem sustentar novas altas para o mercado de ações

Janeiro nem terminou, mas promete ser um mês histórico para a bolsa brasileira. O Ibovespa B3, principal índice de ações do mercado local, saiu de 160 mil pontos no início do ano e agora oscila acima dos 184 mil pontos, em uma valorização que já supera 14% em menos de um mês. O fluxo de capital estrangeiro vindo para cá é um dos principais vetores para a apreciação. Até agora, já foram mais de R$ 20 bi aportados pelos estrangeiros na B3 – quase 80% de todo o volume trazido em 2025. Mesmo assim, gestores de ações ainda veem mais vetores que podem sustentar o bom momento na renda variável ao longo do ano.

Durante o único painel destinado à renda variável no UBS LAIC, evento do banco de investimentos para a América Latina, Christian Keleti, CEO da Alpha Key Capital Management, e Christian Faricelli, Portfolio Manager da Absolute Investimentos, discutiram o cenário atual e falaram de suas perspectivas para 2026.

Bolsa surpreendeu em 2025

“2025 começou com pessimismo exacerbado de Brasil, com o dólar acima de R$ 6, questão fiscal gerando preocupação. Mas tínhamos uma visão desde o começo do ano que seria um ano pró-emergente”, diz Faricelli. “Tinha dinheiro saindo dos EUA e vindo para emergentes, com um dólar mais fraco. Começamos ano com valuations extremamente descontados, e encerramos o ano muito melhor do que o mercado esperava. O dólar está a R$ 5,20, o PIB foi melhor. O trade macro virou consenso”, completou.

Keleti tem a mesma visão. “2025 começou com valuations muito descontados, depois da desvalorização do câmbio no fim de 2024, e com muitos investidores levando seu dinheiro para o exterior. Víamos valuations que chamavam muita atenção pelo nível de desconto, como as empresas elétricas”, afirma.

Para 2026, além da manutenção do bom momento para mercados emergentes, a perspectiva de queda de juros no Brasil também traz otimismo para ativos de renda variável.

“Para 2026, vamos ter ainda o macro externo positivo, junto com queda de juros no Brasil e valuations bons, um cenário que nos permite carregar [uma posição comprada em ações] até discussão eleitoral, que pensamos que tem espaço para 3ª via”, afirma Faricelli.

2026 de novas altas – mas oportunidades nas empresas de menor porte

O rali impulsionado pelos estrangeiros, no entanto, traz algumas características. “O macro global, desde o ano passado, fez muita diferença. Olha o que aconteceu no começo de 2026. Nunca vi uma força tão grande vindo contra o fluxo de local”, diz Keleti, lembrando que os resgates de investidores locais dos fundos de ações foram expressivos em 2025.

Investidor pessoa física movimentou mais de R$ 517,3 bilhões em ações na B3 em 2025

Como a alta foi puxada pelos estrangeiros, avalia Keleti, as ações com maior peso no Ibovespa B3 tiveram apreciação relevante – uma vez que os investidores de fora tendem a comprar o índice sem necessariamente olhar para o micro de cada empresa. Agora, diz ele, as maiores oportunidades estão nas empresas de menor porte, como aquelas que têm peso menor no Ibovespa ou até mesmo as small caps.

Faricelli aponta também que as empresas têm entregado bons resultados. “O dividend yield da bolsa, o quanto as empresas estão retornando, está muito relevante. Acho que daqui alguns anos, muitas empresas vão ter dividendos acima de 8-10% ao ano”, completa.

Eleição é ponto de atenção

Apesar do macro – tanto aqui quanto lá fora – poder ajudar o mercado de renda variável, os gestores apontam que as eleições são um ponto de atenção. “Esse fluxo do capital estrangeiro vai continuar, esse mundo pró-emergentes vai empurrar a bolsa do Brasil e o real. Mas do outro lado, tem uma discussão eleitoral que, para o médio e longo prazo, no Brasil é muito importante, isso vai pesar muito”, afirma Faricelli.

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