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Dividend Yield: o que é e como calcular?

O rendimento dos dividendos é um importante aliado na análise de uma ação, mas não o único; conheça as características do Dividend Yield e o que levar em conta ao ler o índice

Moedas
Saiba como calcular o Dividend yield de uma ação e entenda como analisar esse número. Foto: Pexels

Por Élida Oliveira, especial para o Bora Investir
Quem investe buscando montar uma carteira que pague dividendos precisa saber o que é Dividend Yield (DY), como é feito o cálculo, e como compará-lo entre empresas. 

Dividend Yield é um índice que mostra o dividendo (o lucro distribuído pela empresa aos acionistas) pago por ação em relação ao preço pago por aquele papel. Em outras palavras, é o rendimento dos dividendos. 

Ele é considerado como um dos mais importantes indicadores na análise de uma ação, principalmente para quem tem foco em desenvolver uma carteira que pague dividendos.

“O interessante de receber dividendos é que eles são isentos de Imposto de Renda. Se você conseguir se planejar direitinho, escolhendo boas empresas, é possível ter uma certa periodicidade nesses recebimentos, livre de impostos”, afirma Larissa Frias, planejadora financeira do C6 Bank.

Como calcular o Dividend Yield

Para saber qual é o  Dividend Yield, basta calcular o dividendo por ação recebido no ano e dividir o número pelo valor da ação. Depois, multiplicar o resultado por 100. O resultado é o DY, em percentual.

Fórmula: (Dividendo por ação recebido no ano ÷ valor da ação) * 100

Dentro desta fórmula, cabem variações temporais para entender o passado e o futuro da empresa. Para calcular o dividend yield do ano anterior, por exemplo, usa-se a cotação média da ação no ano e o quanto cada ação recebeu de dividendo, explica Ruy Hungria, analista de ações da Empiricus Research.

Para se estimar o dividend yield do ano seguinte, usa-se o dividendo estimado para o ano e divide-se pela cotação atual, afirma.

Em termos práticos, Hungria dá como exemplo uma ação que espera pagar R$ 6 em dividendo por ação em 2024, sendo que o preço atual da ação é R$ 36.

Assim, colocando na fórmula, temos: 6 (valor do dividendo esperado por ação) ÷ 36 (valor da ação). O resultado é 0,1666 que, multiplicado por 100, dá 16,6%. Assim, o DY da ação é 16,6%.

O DY pode ser encontrado em sites de indicadores gratuitos mas, para ter acesso a uma informação atualizada e confiável, basta checar se os números batem com os que são divulgados pelas empresas em seus próprios sites, na área de RI (Relação com os Investidores).

Como ler o DY sem cair em distorção

Pela fórmula, se o Dividend Yield for alto, isso pode significar que aquela ação paga mais dividendos. Mas, há pontos de atenção:

Confira o preço da ação

Julia Aquino, analista da Rico Investimentos, alerta que, antes de se empolgar com um Dividend Yield muito alto, é preciso conferir o preço da ação. “Papéis com preço baixo ou que desvalorizaram muito recentemente têm essa medida mais alta justamente pelo seu preço ser menor. Por isso, DY não deve ser o único critério a ser avaliado antes de investir”, afirma. 

DY alto nem sempre significa a melhor ação

Para Vicente Guimarães, CEO da VG Research, o maior problema do DY é que ele mostra o passado recente, ou seja, os dividendos pagos nos últimos 12 meses. Em alguns casos, isso pode gerar avaliações erradas. 

“Se uma empresa, por algum fator não recorrente, paga um dividendo muito grande, seu DY chega a mais de 20%. Muitos investidores afoitos compram a ação acreditando eu irão receber esses 20% de dividendos, mas isso foi apenas um efeito temporário”, afirma.

Observe a situação da empresa

Não saia comprando ação apenas com base no DY. A estratégia de investimento ainda precisa incluir um estudo sobre a empresa e a situação macroeconômica em que ela está inserida, afirma Bruno Corano, investidor e economista. Afinal, tudo que interfere na movimentação e performance da empresa impacta no DY.

É preciso considerar a inflação, crises do setor, políticas da empresa – como distribuição de dividendos altos com base em receitas esporádicas como a venda ou concessão de parte de uma operação. Nesse caso, a empresa teve entrada de caixa que não é recorrente.

Procure o DY médio

Guimarães sugere que, para evitar distorções, é importante que o investidor analise a política de dividendos da empresa e, principalmente, o DY médio dos últimos 5 anos e dos últimos 10 anos. Quanto maior o tempo, menor a distorção. “Esse último indicador serve de uma melhor aproximação do quanto o investidor pode esperar receber de dividendos das ações dessa empresa”, afirma.

Outro indicador interessante, de acordo com ele, é o investidor perceber se o DY é crescente (ou pelo menos estável) ao longo do tempo.

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