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Diversificação internacional além dos EUA: vale a pena investir em outros países?

Especialistas avaliam em quais situações faz sentido buscar alternativas fora do mercado americano

A busca por diversificação internacional tem crescido entre os investidores brasileiros. Até agora, no entanto, o foco das aplicações no exterior tem sido os Estados Unidos. A escolha é natural: trata-se da maior economia e do maior mercado do mundo. No entanto, em meio a turbulências na política comercial, mudanças nas taxas de juros e debates sobre a força da economia americana, cresce a discussão sobre se vale a pena olhar para outros destinos.

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Para Júlio Ortiz, CEO e sócio-fundador da CX3, essa é uma estratégia difícil quando se fala em grandes investidores institucionais. “O institucional não tem como sair dos Estados Unidos. O tamanho e a liquidez do mercado americano são incomparáveis”, afirmou. Segundo ele, as duas principais bolsas americanas somam cerca de US$ 46 trilhões em valor de mercado, contra US$ 3 trilhões da Inglaterra e menos de US$ 1 trilhão do Brasil. “Não existe outra praça capaz de absorver montanhas de dinheiro dessa escala”, completou.

Leonardo Andreoli, analista da Hike Capital, reforça esse ponto: “Os Estados Unidos seguem sendo, de forma indiscutível, o principal polo de investimentos globais. A representatividade de cerca de 60% a 65% dos índices mundiais não deve ser vista como sobrealocação problemática, mas como consequência natural de um mercado com maior liquidez, transparência regulatória e fiscalização rigorosa.”

Segundo ele, o país abriga companhias centenárias que atravessaram múltiplas crises e se reinventaram, consolidando setores resilientes em tecnologia, saúde, consumo, energia e indústria. “É justamente essa capacidade de inovação e adaptação que torna os EUA a base mais sólida para investidores internacionais”, disse.

Ainda assim, para o investidor pessoa física, ampliar a diversificação pode ser interessante. Ortiz lembra que famílias com alto patrimônio ou investidores que já têm parte da carteira dolarizada podem olhar para jurisdições estáveis (como Suíça e Inglaterra) ou praças em ascensão, como Emirados Árabes e Singapura.

Andreoli acrescenta que a diversificação não é substitutiva, mas complementar. Ele vê oportunidades específicas em outras regiões:

  • Europa: “Oferece oportunidades em setores tradicionais como bancos, energia renovável e consumo de luxo, muitas vezes com valuations atrativos”.
  • Ásia: Segundo ele, a região se destaca pelo dinamismo. “Índia vive um ciclo estrutural de crescimento populacional e tecnológico; o Sudeste Asiático, com países como Vietnã e Indonésia, tem se beneficiado da reorganização das cadeias globais de produção”.
  • América Latina: destaque para commodities, energia e agronegócio, embora com maior volatilidade.

Segundo Andreoli, o investidor brasileiro tem alternativas acessíveis para alocar nesses mercados. É possível diversificar por meio de ETFs internacionais listados na B3, fundos globais ou BDRs de ETFs e ações estrangeiras.

Na prática, a diversificação fora dos EUA serve para reduzir riscos específicos, diluir volatilidade e capturar setores em crescimento que não estão disponíveis na bolsa americana. “É possível diversificar de forma complementar, mas não substitutiva. Ninguém vai trocar os Estados Unidos por outro mercado, e sim acrescentar”, resume Ortiz.

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