Ouro renova máxima histórica com tensão entre EUA e Europa; saiba como ter o metal na sua carteira
Ouro se aproxima do patamar dos US$ 4.700 por onça
Por Victor Rabelo
O ouro segue em sua trajetória de renovação de máximas históricas a cada dia. Na última semana o metal ultrapassou o patamar dos US$ 4.600 por onça (cerca de 32 gramas) e, nesta segunda-feira (19), já se aproxima dos US$ 4.700, refletindo sobretudo a insistência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em tensionar a relação com os países europeus pelo controle da Groenlândia.
Por ser considerado uma reserva de valor, o ouro costuma se valorizar em momentos de instabilidades e acompanhar o enfraquecimento do dólar americano. “A corrida pelo ouro em 2026 é impulsionada por uma combinação de fatores: o risco político global, exacerbado por conflitos geopolíticos e instabilidades institucionais, e uma política monetária que sinaliza cortes de juros nos EUA”, afirma Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.
Ela explica que esse movimento se soma à dinâmica cambial de enfraquecimento do dólar americano frente às principais moedas do mundo e à diversificação intensa das reservas de bancos centrais ao redor do mundo, que buscam alternativas ao sistema financeiro tradicional em meio a níveis recordes de endividamento global.
Saiba como ter ouro na carteira
Para investir em ouro, é necessário estar ciente de seu perfil de risco e entender quais são as formas e as características de cada modalidade de investimento. Entre as opções disponíveis para ter o metal na carteira, os ETFs representam uma via mais simples, uma vez que não demandam compra e armazenamento físico do ouro.
ETFs (Exchange Traded Fund) são fundos negociados em bolsa que acompanham o desempenho de um índice específico, como o Ibovespa B3 ou um índice que mede, por exemplo, a cotação do ouro no mercado internacional. Nesse caso, o investidor adquire um ativo que segue o valor do ouro.
“Os ETFs de ouro vêm funcionando como o principal veículo de descorrelação de uma carteira, o que significa que o seu preço tende a não acompanhar o movimento de ações ou títulos de dívida em momentos de pânico. Até pouco tempo atrás, Treasuries de longo prazo também cumpriam bem esse papel, mas a dinâmica mudou recentemente com o perfil dos riscos que estão no radar, incluindo o endividamento do governo americano, por exemplo”, diz a estrategista-chefe da Nomad.
Para ela, em um cenário de incerteza global, os ETFs de ouro auxiliam na proteção do poder de compra contra a desvalorização de moedas fiduciárias. “A grande vantagem estratégica do ETF sobre o ouro físico é a liquidez imediata e a eliminação dos custos e riscos de custódia pessoal, tornando a proteção patrimonial eficiente e acessível”, conclui Zogbi.