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Além do Ibovespa B3: conheça os índices de ações que mais renderam

Indicadores setoriais, smart beta e ESG tiveram desempenho superior, muitos com risco igual ou menor ao Ibovespa B3

Você provavelmente já ouviu falar no Ibovespa B3. Esse índice serve como a principal referência no mercado de ações e reúne os papéis mais representativos e líquidos do mercado brasileiro. O indicador ganhou as manchetes em janeiro, ao registrar a maior valorização para o mês desde 2006. Mas para o investidor, é importante saber que existem outros índices no mercado de renda variável no Brasil – alguns, inclusive, renderam mais do que o Ibovespa nos últimos meses. Em 2025, oito índices de ações da B3 superaram o Ibovespa em rentabilidade, muitos deles com volatilidade igual ou menor, chamando a atenção de investidores locais e estrangeiros.

“Assim como o próprio índice Ibovespa que em 2025 valorizou 34%, alguns índices tiveram ótimas performances impulsionados por incríveis 34 cotações recordes do Ibov durante esse ano”, comenta Caio Mitsuo, planejador financeiro, especialista em investimentos. “A maior força que justifica esse movimento foi a entrada líquida do capital estrangeiro na nossa bolsa. Força que continua suportando os atuais recordes de 2026 onde somente em janeiro o volume de entradas líquidas foi maior do que todo o ano de 2025, atingindo R$ 26,3 bilhões”.

Em 2025, oito índices de ações da B3 tiveram rentabilidade acima do Ibovespa. “Com viés mais defensivo, são indicadores compostos por empresas com maior previsibilidade de caixa e adotam critérios ESG em seus negócios – ingredientes que o estrangeiro procura em países emergentes e sem grau de investimento, como o Brasil”, completa Mitsuo. O que chama a atenção na lista, segundo ele, é que a maior parte deles tem volatilidade igual ou menor do que o Ibovespa.

Quais índices renderam mais que o Ibovespa B3?

Utilidade Pública (UTIL)

Este é um índice setorial composto por empresas de utilidade pública (energia elétrica, saneamento e gás), formado por ações/units do setor com maior negociabilidade e representatividade.

“Em um ano com Selic alta por muito tempo, o mercado tende a premiar empresas com receitas mais previsíveis, contratos regulados e geração de caixa mais estável”, explica Marcos Piellusch, professor da FIA Business School. “O fato de o índice ser de retorno total (que reinveste os dividendos) ajuda a capturar a parcela relevante de dividendos/juros sobre capital que esse segmento frequentemente entrega”, completa.

Índice Bovespa BR+ Cap 5% B3 (IBBC)

“É um índice amplo que busca representar o mercado de ações brasileiro, mas com duas diferenças importantes: (i) pode incluir BDRs de empresas brasileiras cuja listagem primária é nos EUA; (ii) limita a concentração, com peso máximo de 5% por emissor”, explica Piellusch

Segundo ele, a limitação de peso de 5% por empresa “tende a reduzir o risco de o índice ficar refém de poucos gigantes (efeito comum em índices tradicionais, quando commodities ou bancos dominam)”.

Índice Financeiro (IFNC)

Este é um índice setorial de intermediários financeiros, serviços financeiros, previdência e seguros, que rendeu 46,21% em 2025.  

Esse é um índice setorial que reúne as principais empresas do setor financeiro. “Como 2025 foi um ano em que o investidor buscou ‘Brasil com liquidez’, o setor financeiro tende a receber fluxo primeiro quando o humor melhora. Soma-se a isso uma percepção de capacidade de geração de caixa e defesa de rentabilidade em cenários mais duros”, comenta Jose Áureo Viana, planejador financeiro e sócio da Blue3 Investimentos.

Ibov. Empresas Privadas (IBEP)

Piellusch explica que esse índice é um derivado do Ibovespa: reúne parte da carteira vigente do Ibovespa, mas considera apenas empresas com controle acionário privado (exclui as estatais, conforme classificação cadastral).

“O IBEP tende a capturar um “prêmio de governança” em momentos em que o mercado fica mais sensível a risco político, interferência e incerteza regulatória. Em 2025, com juros altos e o tema fiscal/político sempre no radar (e 2026 no horizonte eleitoral), a exclusão de estatais pode ter reduzido ruídos específicos”, analisa o professor da FIA.

Ibov. Smart Low Vol (IBLV)

Esse índice seleciona ativos com maior negociabilidade e representatividade, mas com e menor volatilidade nos retornos diários. “Em 2025, o ambiente de Selic alta e crescimento perdendo fôlego na margem aumentou a demanda por ‘qualidade’ e menor oscilação. Estratégias de baixa volatilidade costumam funcionar bem quando o investidor busca retorno com menos estresse”, diz Piellusch. “Além disso, em períodos com juros elevados, o mercado tende a valorizar balanços mais sólidos e geração de caixa consistente — características que frequentemente aparecem com mais peso em carteiras low vol”.

Ibov. BR+ EW (IBBE)

A lógica do Índice Bovespa B3 Equal Weight é similar à do Cap 5%. Sua carteira é composta pelos ativos que estão no Ibovespa, mas o peso de todas as ações é igual. “Por ser um índice amplo, com peso igual entre os ativos elegíveis, o equal weight é, na prática, uma forma de ‘apostar’ em participação mais espalhada do mercado. Em 2025, isso funcionou: o índice capturou bem a alta de um conjunto maior de ações, e não só das gigantes”, comenta Jose Áureo Viana, planejador financeiro e sócio da Blue3 Investimentos.

Carbono Eficiente (ICO2)

O ICO2 é composto por empresas comprometidas com a eficiência na emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) e na adoção de práticas de gestão para a redução dessas emissões.

“Em 2025, ESG funcionou menos como ‘selo’ e mais como filtro de qualidade e gestão. Empresas com disciplina, transparência e governança tendem a performar melhor quando o mercado está reprecificando e selecionando vencedores”, diz Jose Áureo Viana.

Índice Sustentabilidade Empresarial (ISE)

O ISE B3 reúne ações de empresas selecionadas pelo seu reconhecido comprometimento com a sustentabilidade empresarial. “Esse índice que seleciona empresas com reconhecido comprometimento com sustentabilidade empresarial, com metodologia e processo próprios”, explica Viana. Segundo ele, esse índice tende a performar bem “quando o mercado está premiando qualidade, governança, gestão de riscos e visão de longo prazo, exatamente o ‘espírito’ de 2025”.

PosiçãoRentabilidade dos índices mais
rentáveis da B3 em 2025 que contam com ETFs
Ticker dos ETFs de renda variável que
seguem os índices B3
Índices B3CódigoRetorno %
1Utilidade PúblicaUTIL63,16UTLL11
2Ibov. BR+ Cap 5%IBBC49,02CAPE11
3FinanceiroIFNC46,21FIND11
4Ibov. Empresas PrivadasIBEP42,9SPVT11
5Ibov. Smart Low VolIBLV40,89LVOL11
6Ibov. BR+ EWIBBE40,74EWBZ11
7Carbono EficienteICO240,59ECOO11
8ISE – Sustentabilidade EmpresarialISEE35,41ISUS11
9IbovespaIBOV33,95BBOV11, BOVA11, BOVB11, BOVS11, BOVV11, BOVX11, IBOB11 e XBOV11
10IGC TradeIGCT33,7GOVE11
11IBRX BrasilIBXX33,45BRAX11
12IBRX 50IBXL32,11PIBB11
13Ibov. Smart DividendosIBSD31,45NDIV11 e NSDV11
14Small CapSMLL30,7SMAB11, SMAC11 e SMAL11
15Ibovespa B3 BR+IBBR30,45B3BR11, BRAZ11 e NBOV11
16Dividendos B3IDIV29,99DIVO11 e DIVD11
17IDiversa B3IDVR28,85DVER11
18Ibov. High BetaIBHB24,25HIGH11
19IFIX LiquidezIFIL20,46XFIX11
20Materiais BásicosIMAT11,61MATB11

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