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Einar Rivero: Investidores ganham R$ 365 bilhões em valor de mercado, e Ibovespa atinge máxima histórica ajustada pelo IPCA
No primeiro pregão após o primeiro turno, bancos lideram a valorização no Ibovespa, BTG ultrapassa Vale, e B3 entra nas dez maiores
Einar Rivero
Einar Rivero é engenheiro e especialista em dados financeiros, com carreira dedicada à análise de informações econômicas e à geração de insights estratégicos para o mercado. Ao longo de mais de duas décadas, atuou em posições de liderança em grandes plataformas de dados, consolidando-se como referência em estudos e levantamentos sobre o mercado financeiro brasileiro, América Latina e EUA.
Os investidores das empresas listadas na B3 registraram um ganho agregado de R$ 365,2 bilhões em valor de mercado no primeiro pregão após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. Segundo levantamento da Elos Ayta, o valor das companhias passou de R$ 5,29 trilhões no fechamento de 2 de outubro para R$ 5,65 trilhões em 5 de outubro, uma expansão de 6,90%. Os bancos lideraram o crescimento, em uma sessão marcada por mudanças no ranking das maiores empresas, recordes do Ibovespa e uma queda histórica do dólar Ptax.

O ganho representa o aumento do valor das participações dos acionistas nas empresas. Para quem manteve suas ações, houve valorização dessas posições, que continua sujeita às oscilações do mercado. O montante não corresponde a recursos recebidos pelas companhias nem significa que todos os investidores realizaram esse ganho por meio da venda de ações.
No levantamento, o valor de mercado de cada empresa é calculado multiplicando a quantidade de ações ordinárias (ON) outstanding pelo preço da respectiva ação e somando o resultado à quantidade de ações preferenciais (PN) outstanding multiplicada por sua cotação. Os preços utilizados não são ajustados por proventos. A comparação considera os fechamentos da sexta-feira anterior ao primeiro turno e do primeiro pregão seguinte.
Bancos respondem por quase 40% do ganho
O valor de mercado do setor bancário aumentou R$ 140,5 bilhões, passando de R$ 1,27 trilhão para R$ 1,41 trilhão. A expansão de 11,04% respondeu por 38,46% do ganho agregado das empresas listadas: quase quatro de cada dez reais acrescidos ao valor do mercado naquele pregão vieram dos bancos.
Na sequência, o setor de exploração, refino e distribuição acrescentou R$ 56,7 bilhões, enquanto energia elétrica ganhou R$ 40,8 bilhões. Juntos, os três setores concentraram 65,16% da expansão total. Essa participação mede a contribuição em reais para o aumento do mercado, e não um ranking de rentabilidade das ações.

Entre as empresas, o Itaú Unibanco apresentou o maior ganho absoluto, de R$ 54,3 bilhões. A Petrobras veio em seguida, com R$ 51 bilhões, e permaneceu como a companhia de maior valor de mercado da bolsa, aos R$ 751 bilhões. O BTG Pactual completou as três primeiras posições em crescimento, acrescentando R$ 39,4 bilhões.
BTG ultrapassa Vale, e B3 entra nas dez maiores
A valorização alterou a ordem das maiores empresas da bolsa. O BTG Pactual passou de R$ 273,6 bilhões para R$ 313 bilhões e avançou do quarto para o terceiro lugar, ultrapassando a Vale. A mineradora, por sua vez, recuou de R$ 306,8 bilhões para R$ 303,9 bilhões.
Antes do pregão, o BTG estava R$ 33,3 bilhões atrás da Vale. Ao final da sessão, ficou R$ 9,2 bilhões à frente. A mudança resultou da combinação entre o avanço do banco e a redução do valor de mercado da mineradora.

A B3 acrescentou R$ 21,5 bilhões, alcançou R$ 116,5 bilhões e avançou da 13ª para a 10ª posição.
As mudanças mostram que a valorização foi desigual. Mesmo em uma sessão de forte alta do mercado, empresas como Vale, WEG, Embraer e Suzano registraram redução de valor. O resultado agregado, portanto, não descreve o desempenho de cada ação individualmente.
Ibovespa tem maior alta após primeiro turno desde 2002
O Ibovespa avançou 7,70%, a maior valorização no primeiro pregão após o primeiro turno entre as sete eleições presidenciais analisadas pela Elos Ayta, de 2002 a 2026. O resultado superou em 2,16 pontos percentuais o recorde anterior dessa comparação, de 5,54% em 2022.
Nas sete eleições, o índice subiu nessa janela em seis ocasiões. A única queda ocorreu em 2002, com recuo de 4,28%. O histórico dimensiona a intensidade da sessão de 2026, mas não permite atribuir o desempenho exclusivamente ao resultado eleitoral nem antecipar a trajetória dos próximos pregões.
Considerando todas as sessões desde janeiro de 2020, o avanço de 7,70% foi o terceiro maior. Apenas as altas de 13,91%, em 13 de março de 2020, e de 9,69%, em 24 de março daquele ano, foram superiores. O dia 5 de outubro de 2026 é a única data fora de março de 2020 entre as cinco maiores altas desse período.
Ibovespa supera máxima de 2008 ajustada pelo IPCA após mais de 18 anos
O Ibovespa encerrou o pregão de 5 de outubro de 2026 aos 206.912 pontos, alcançando o maior patamar nominal e a maior pontuação ajustada pelo IPCA na série analisada pela Elos Ayta. O fechamento superou uma referência que permanecia desde 20 de maio de 2008: os 201.263 pontos daquela sessão, atualizados pela inflação. Foram mais de 18 anos até que o índice ultrapassasse esse pico em termos reais.
Esse é um destaque importante porque a inflação muda o significado dos números ao longo do tempo. Um recorde nominal indica que o índice atingiu sua maior pontuação, mas não necessariamente que superou o poder de compra representado por uma máxima antiga. Ao ultrapassar também o pico de 2008 corrigido pelo IPCA, o Ibovespa estabelece uma nova referência histórica mesmo depois de considerada a inflação acumulada.
O ajuste utiliza o IPCA acumulado até agosto de 2026, pois o indicador de setembro ainda não havia sido divulgado. Esse critério coloca as pontuações históricas em uma mesma referência de poder de compra e permite comparar períodos distantes com maior precisão.
A sessão também se destacou pela intensidade do avanço: a alta de 7,70% foi a terceira maior desde janeiro de 2020. Apenas os ganhos de 13,91%, em 13 de março de 2020, e de 9,69%, em 24 de março daquele ano, foram superiores. Completam as cinco maiores altas as sessões de 25 de março de 2020, com 7,50%, e de 10 de março de 2020, com 7,14%.
Assim, 5 de outubro de 2026 é a única data fora de março de 2020 entre as cinco maiores valorizações diárias do período. O pregão reúne dois resultados distintos e relevantes: um avanço diário excepcional e a superação de uma máxima histórica que, corrigida pela inflação, permanecia como referência desde 2008.

Dólar Ptax registra segunda maior queda desde 2010
No câmbio, o dólar Ptax recuou 4,55% e encerrou o dia a R$ 4,99, menor cotação desde 14 de maio de 2026, quando marcou R$ 4,98. Foi a segunda maior queda diária desde janeiro de 2010, atrás apenas do recuo de 5,89% registrado em 25 de setembro de 2015.
Completam as cinco maiores baixas do período as quedas de 4,51% em 9 de novembro de 2020, de 4,29% em 17 de março de 2016 e de 3,96% em 3 de junho de 2020. O movimento de outubro de 2026 combina, portanto, uma variação de magnitude histórica com o retorno da Ptax ao patamar inferior a R$ 5.
A alta das ações e a queda do dólar ajudam a dimensionar uma sessão excepcional, mas seus efeitos variam entre empresas e investidores. Os levantamentos mostram o que aconteceu naquele pregão: valorização expressiva do mercado, mudanças entre as maiores companhias e fortalecimento do real. A continuidade desses movimentos dependerá de novas informações, expectativas e condições econômicas no Brasil e no exterior.
*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3