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Einar Rivero: Liquidez volta com força à B3 e volume diário salta 41% em 2026, no maior giro desde a reabertura pós-pandemia

O volume financeiro médio diário do mercado à vista da B3 atingiu R$ 26,15 bilhões em 2026


Einar Rivero. Foto: Divulgação

Einar Rivero

Einar Rivero é engenheiro e especialista em dados financeiros, com carreira dedicada à análise de informações econômicas e à geração de insights estratégicos para o mercado. Ao longo de mais de duas décadas, atuou em posições de liderança em grandes plataformas de dados, consolidando-se como referência em estudos e levantamentos sobre o mercado financeiro brasileiro, América Latina e EUA.


Levantamento da Elos Ayta aponta que até 30 de abril de 2026, o volume financeiro médio diário do mercado à vista da B3 atingiu R$ 26,15 bilhões, o segundo maior patamar da série iniciada em 2020, ficando atrás apenas dos R$ 28,53 bilhões registrados em 2021, no período de forte recuperação global após a pandemia. 

O número representa uma alta de 41,48% em relação a 2025, quando o mercado havia movimentado R$ 18,44 bilhões por dia, o menor volume dos últimos seis anos. 

Mais do que uma recuperação estatística, o movimento sugere uma mudança relevante na percepção dos investidores sobre o mercado brasileiro. 

Liquidez é um dos melhores termômetros da confiança 

Na teoria financeira e na prática dos grandes investidores institucionais, o volume negociado é uma das métricas mais importantes para medir a qualidade de um mercado. 

Quando o giro aumenta de forma consistente, normalmente isso significa: 

  • maior participação de investidores institucionais;  
  • spreads mais estreitos entre compra e venda;  
  • redução do custo implícito de transação;  
  • maior profundidade do mercado;  
  • formação de preços mais eficiente.  

Em outras palavras, mercados líquidos tendem a ser mais eficientes, menos sujeitos a distorções e mais atraentes para investidores de longo prazo.

Fim de quatro anos seguidos de retração 

Depois do recorde de 2021, o volume negociado na B3 entrou em uma trajetória de desaceleração: 

  • 2021: R$ 28,53 bilhões por dia;  
  • 2022: R$ 25,20 bilhões;  
  • 2023: R$ 20,59 bilhões;  
  • 2024: R$ 18,85 bilhões;  
  • 2025: R$ 18,44 bilhões.  

O avanço observado em 2026 interrompe esse ciclo de quatro quedas consecutivas e recoloca a bolsa em um patamar compatível com os períodos de maior apetite por risco. 

Investidor estrangeiro volta ao protagonismo 

Um dos principais motores dessa retomada foi o retorno do capital internacional. 

Até abril, os investidores estrangeiros acumulavam saldo líquido positivo de R$ 56,54 bilhões na bolsa brasileira, o maior ingresso para o período desde 2022, quando o fluxo havia alcançado R$ 100,82 bilhões. 

Como esses investidores concentram suas posições nas companhias de maior capitalização e liquidez, o efeito aparece quase imediatamente no volume negociado. 

VALE3: a ação mais líquida da B3 em todos os anos desde 2020 

Entre todas as ações negociadas no mercado brasileiro, VALE3 ocupa uma posição singular. 

A companhia liderou o ranking de volume financeiro médio diário em todos os anos da série analisada, de 2020 a 2026, consolidando-se como o ativo mais líquido da bolsa brasileira. 

A evolução do volume negociado evidencia essa consistência: 

  • 2020: R$ 1,705 bilhão por dia;  
  • 2021: R$ 2,580 bilhões;  
  • 2022: R$ 2,523 bilhões;  
  • 2023: R$ 1,850 bilhão;  
  • 2024: R$ 1,444 bilhão;  
  • 2025: R$ 1,328 bilhão;  
  • 2026 (até abril): R$ 2,213 bilhões.  

Na prática, isso significa que, independentemente do cenário macroeconômico, a VALE3 foi o principal canal de entrada e saída de recursos no mercado acionário brasileiro. 

Essa liderança estrutural decorre de uma combinação de atributos raros: elevada capitalização, forte presença em índices globais, ampla cobertura de analistas e exposição direta ao ciclo internacional de commodities. 

As ações mais líquidas de 2026 

Em 2026, até 30 de abril, as três ações com maior volume médio diário foram: 

  1. VALE3 – R$ 2,21 bilhões;  
  1. PETR4 – R$ 2,11 bilhões;  
  1. ITUB4 – R$ 1,28 bilhão.  

Na sequência aparecem PRIO3, BBDC4, B3SA3, BBAS3, PETR3, AXIA3 e BPAC11. 

Sete das dez ações do ranking registraram, em 2026, o maior volume financeiro médio diário de toda a série iniciada em 2020, um sinal de que a retomada da liquidez foi disseminada entre diferentes setores. 

Petrobras lidera entre as empresas 

Ao consolidar todos os papéis listados por companhia, a Petrobras permanece como a empresa mais líquida da B3. 

Em 2026, até abril, o volume combinado de PETR3 e PETR4 atingiu R$ 2,80 bilhões por dia. 

O ranking das empresas mais líquidas ficou assim: 

  1. Petrobras – R$ 2,80 bilhões/dia;  
  1. Vale – R$ 2,21 bilhões/dia;  
  1. Itaú Unibanco – R$ 1,35 bilhão/dia.  

O que a composição do ranking revela 

A predominância de bancos e empresas ligadas a commodities mostra que a B3 continua fortemente ancorada em setores associados a: 

  • intermediação financeira;  
  • recursos naturais;  
  • infraestrutura essencial.  

Esse perfil é coerente com a estrutura da economia brasileira e com o tipo de exposição normalmente buscada por investidores internacionais. 

Além disso, companhias com elevada previsibilidade de resultados, governança consolidada e forte geração de caixa tendem a atrair maior interesse de investidores de longo prazo. 

Liquidez como termômetro da confiança 

O salto observado em 2026 sugere que o mercado voltou a precificar o Brasil com maior disposição ao risco. 

Liquidez elevada, ingresso de capital estrangeiro e ampliação do volume em diversos setores costumam ser interpretados como sinais de melhora na percepção dos investidores. 

Isso não significa, por si só, garantia de valorização futura dos ativos. O volume negociado é um indicador de atividade e profundidade de mercado, e não uma recomendação de investimento. 

Mas, como termômetro da confiança, poucos indicadores são tão reveladores. 

E, em 2026, a mensagem é clara: a bolsa brasileira voltou a girar em ritmo de mercado grande.

*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3

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