ETFs
Investo: Como a média do mercado superou a maioria dos especialistas
ETFs ajudam a evitar a armadilha de investir sempre em empresas que não dão retorno no mercado
Investo
Por Danilo Moreno, Especialista em ETFs
Entre 1926 e 2025, o mercado americano, um dos mais bem-sucedidos da história, listou quase 30.000 empresas. Nesse período, US$100 investidos no mercado como um todo se transformaram em mais de US$1,5 milhão, um retorno anualizado de 10,1% ao ano em dólares. Mas esse resultado extraordinário esconde uma realidade surpreendente: apenas 3,72% das empresas listadas foram responsáveis por 100% dessa criação de riqueza. A mediana dos retornos foi de -6,87%, ou seja, mais da metade das empresas destruiu valor para seus acionistas. Poucas companhias subiram tanto que compensaram, em muito, o desempenho de todas as outras. É o que o professor Hendrik Bessembinder documentou em um estudo que cobre um século inteiro de dados (One Hundred Years in the U.S. Stock Markets, 2026).
Diante dessa evidência, a conclusão é direta: a probabilidade de errar é estruturalmente maior do que a de acertar. Escolher ações individualmente é, na maior parte das vezes, apostar contra essas probabilidades. E mesmo quem faz isso profissionalmente tem dificuldade: em longas janelas de tempo, menos de 10% dos fundos ativos superam seus índices de referência, de acordo com o relatório SPIVA, divulgado semestralmente pela Standard & Poor’s. No Brasil, os números seguem padrão semelhante.
Por que então tantos investidores continuam tentando? Um estudo clássico de Barber e Odean (Trading Is Hazardous to Your Wealth, 2000) analisou milhares de contas em corretoras americanas e encontrou uma resposta incômoda: quanto mais um investidor negociava, pior era seu desempenho. O excesso de confiança na própria capacidade de identificar oportunidades levava a mais transações, mais custos e, no fim, menos retorno. A raiz do problema está na crença de que se é melhor do que a média, mesmo quando a evidência aponta o contrário.
Essa é exatamente a armadilha que os ETFs ajudam a evitar. Ao comprar o “palheiro inteiro”, o investidor garante que estará exposto às raras empresas responsáveis por puxar o mercado para cima, sem precisar adivinhar quais serão. As empresas que não prosperarem vão perdendo peso naturalmente até praticamente desaparecerem do índice. É uma estratégia que troca a ilusão de controle pela certeza de estar posicionado onde o crescimento acontece.
Fundos que simplesmente seguem o mercado cresceram por essa razão. Nos Estados Unidos, os fundos de gestão ativa dominavam quase todo o mercado nos anos 1980. Hoje, mais da metade do patrimônio em fundos já está em produtos que seguem índices. A explicação tem base matemática. Custos menores significam que o investidor que segue o mercado começa cada ano com uma vantagem estrutural sobre o gestor ativo, que precisa superar o índice por uma margem suficiente para cobrir suas taxas e ainda assim entregar mais.
Reconhecer que não se consegue identificar com antecedência as poucas dezenas de empresas responsáveis por quase toda a criação de riqueza do mercado é, na prática, o ponto de partida para investir melhor.
Na Investo, acreditamos nesse princípio. O WRLD11 é um ETF que permite ao investidor comprar justamente esse palheiro: oferece exposição a milhares de empresas ao redor do mundo em uma única aplicação, incluindo as raras que puxam o mercado para cima. Para quem quer focar no mercado americano, o GPUS11 replica o S&P 500 com eficiência tributária, capturando o desempenho das 500 maiores empresas dos Estados Unidos, o mesmo mercado que transformou US$100 em mais de US$1,5 milhão ao longo de um século. Com custo reduzido e diversificação, ambos traduzem na prática o argumento deste texto: no longo prazo, estar posicionado na média do mercado tem se mostrado não apenas prudente, mas vencedor.
*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3