Renda fixa
Professor Mira: Renda fixa em 2026, um ciclo raro que pode ser mais interessante do que parece
Professor Mira
Investidor profissional, Analista CNPI-T (Apimec), mestrando em Economia, com MBAs em Gestão de Investimentos, Análise de Investimentos e Educação Financeira. Empresário, sócio do Clube FII e do Grana Capital, escritor best-seller e educador financeiro com cursos que já formaram mais de 50 mil alunos pelo mundo. Está nas redes sociais como @professormira
Há momentos em que a renda fixa cumpre apenas um papel defensivo, enquanto em outros, mais raros, ela se transforma também em uma fonte relevante de oportunidades. Esse segundo cenário está muito presente no momento atual aqui no Brasil, em que a combinação de juros elevados, inflação relativamente controlada e prêmios ainda generosos na parte longa da curva criam um ambiente em que diferentes instrumentos de renda fixa podem oferecer retornos interessantes.
A razão para isso está menos na Selic em si e mais na forma como o mercado está precificando os riscos para o futuro.
O que a curva de juros está dizendo
A curva de juros brasileira hoje carrega um prêmio significativo refletindo o momento de incerteza em relação ao cenário fiscal e ao ambiente político dos próximos anos – com essa combinação de fatores, quando o investidor empresta dinheiro ao governo por prazos longos, ele exige uma taxa maior justamente para compensar essas incertezas.
Na prática, isso significa que o mercado embute nas taxas longas uma espécie de “seguro” contra um cenário mais difícil, mas é justamente essa precificação que cria oportunidades, pois dependendo de como o cenário evoluir, o resultado pode seguir dois caminhos bastante diferentes.
Se a percepção de risco fiscal melhorar e os juros longos caírem, os títulos já emitidos com taxas altas tendem a se valorizar significativamente. Por outro lado, se o cenário fiscal se deteriorar e as taxas subirem ainda mais, os investidores continuarão recebendo remunerações muito elevadas para carregar esses papéis.
Em outras palavras: estamos diante de um cenário com risco, mas também com prêmio relevante para quem souber se posicionar.
Onde está a oportunidade?
Quando olhamos para as opções de Tesouro IPCA+, a escolha do vencimento não se trata apenas de “quando eu quero o dinheiro”, envolve também estratégia e liquidez. Títulos longos não são iguais, portanto, atenção ao risco x retorno é essencial.
O título IPCA+2040 costuma atrair grandes somas dos investidores institucionais, pois tem volume de negociação altíssimo e alta liquidez.
Dessa forma, se você precisar sair da posição para realizar seu lucro ou por uma emergência, você encontra comprador facilmente. Reforçando, porém, que seu dinheiro para emergências nunca deve estar em títulos longos, mas sim em liquidez diária.
Sendo assim, se você está fazendo direitinho sua lição de casa, a única possibilidade de precisar sair do IPCA+2040 antes do vencimento deve ser para realizar lucros com a marcação a mercado.
E falando nela, muito cuidado com títulos excessivamente longos. Eu sei que são atrativos pois pagam um prêmio de risco maior e, por isso, muito se fala sobre o potencial de ganho na marcação a mercado, o que é real. Mas, como você bem sabe, não existe almoço grátis.
Em momentos de estresse no mercado, títulos muito distantes podem não oferecer tanta liquidez. Então, ter uma parcela do patrimônio no longuíssimo prazo pensando em marcação a mercado não é problema, desde que também não seja um problema para você ter que seguir com o título até seu vencimento, pois esse é um “risco” presente na estratégia.
Lembre-se também que uma parte do patrimônio destinada à renda fixa deve ficar no pós-fixado , pois ele é a sua âncora. Enquanto o IPCA+ é o ataque, o pós-fixado é a defesa. Ele não sofre com a marcação a mercado, garantindo que, se o cenário piorar e os juros subirem, seu patrimônio não sofra uma erosão nominal.
Pensando a estratégia na renda fixa
O segredo não é tentar adivinhar o futuro, mas estar preparado para os dois caminhos. Se o Brasil acertar o passo fiscal, o lucro está nos títulos longos via marcação a mercado. Se o país entrar em uma rota de gastos excessivos, a segurança estará na Selic e na proteção inflacionária do IPCA+.
Dentro da Comunidade Mira, além das carteiras recomendadas, planilhas de metas e lives sobre investimentos, você conta com vários cursos e o de Renda Fixa é um deles. Entre na Comunidade e aproveite os 7 dias de degustação sem compromisso para assistir a este e outros cursos, pois isso irá ajudar muito na definição de estratégias.
Estudar é o caminho, pois não existe receita de bolo. O importante é entender que o prêmio de risco está alto e as janelas para capturar ganhos acima da média estão abertas. Então, olhe para o seu perfil, entenda o quanto de oscilação você aguenta ver na tela e lembre-se: na renda fixa, o tempo e a paciência são seus maiores aliados, mas o conhecimento é o que realmente potencializa seus ganhos.
*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3