Investir melhor
Yo Fordelone: O que Vozinha pode ensinar sobre investimentos
O reconhecimento global do goleiro Vozinha veio apenas agora, aos 40 anos, algo bastante incomum no futebol.
Yolanda Fordelone
Planejadora financeira com certificação CEA (Anbima), Yo Fordelone é formada em economia e jornalismo. Investidora qualificada, alcançou a sua independência financeira aos 36 anos. Em seu Instagram, ajuda outras pessoas a conseguirem mais tempo e liberdade.
Vozinha é talvez um dos nomes mais falados na última semana nas redes sociais. O incrível goleiro de Cabo Verde fez história ao parar a Espanha na Copa de 2026.
O craque já era conhecido em seu país, mas praticamente desconhecido do resto do mundo. O reconhecimento global veio apenas agora, aos 40 anos, algo bastante incomum no futebol.
Pelé conquistou o mundo aos 17 anos. Lionel Messi e Cristiano Ronaldo se tornaram estrelas aos 18. Kylian Mbappé levantou uma Copa do Mundo e explodiu mundialmente aos 19. Vozinha chegou lá por outro caminho, bem depois.
Sua história me fez pensar em uma das frases que mais escuto quando o assunto é investimentos: “já estou velho/a para começar.”
É verdade que começar cedo ajuda. O tempo é um dos maiores aliados de quem investe, porque os juros compostos trabalham a seu favor durante décadas.
Mas existe uma diferença enorme entre começar tarde e não começar.
Imagine duas pessoas que desejam acumular R$ 1 milhão aos 60 anos, investindo com uma rentabilidade média de 10% ao ano.
Quem começa aos 25 anos e tem 35 anos pela frente precisaria investir cerca de R$ 360 por mês, religiosamente.
Já quem começa aos 40 anos e tem apenas 20 anos até atingir o mesmo objetivo precisaria investir aproximadamente R$ 1.500 por mês.
A segunda pessoa realmente terá de fazer um esforço maior. O tempo perdido não volta. Mas existe um detalhe que quase ninguém comenta.
Aos 40 anos, muitas pessoas possuem vantagens que não tinham aos 25.
A principal delas é que a renda costuma ser maior. A carreira está mais consolidada. Há mais experiência para lidar com crises. Existe menos ansiedade para seguir modismos e promessas de enriquecimento rápido.
Quem já atravessou momentos difíceis na economia sabe que mercados sobem e descem. Sabe que não existe investimento perfeito. Talvez já tenha tido até experiências em que quebrou financeiramente. E, principalmente, entende que construir patrimônio é uma maratona, não uma corrida de cem metros.
Por isso, investir depois dos 40 não significa largar atrás na corrida. Significa correr uma prova diferente.
E aqui cabe um alerta. Algumas pessoas que começam a investir aos 40 ou 50 anos tentam compensar o tempo perdido assumindo riscos excessivos.
Correm atrás da ação da moda, da criptomoeda que promete multiplicar patrimônio ou da estratégia milagrosa. Mas recuperar o tempo perdido raramente depende de apostas. Na maioria das vezes, depende de consistência.
Você realmente precisa investir mais por mês e ser mais disciplinado. Mas também pode contar com maturidade, experiência e uma capacidade maior de tomar decisões racionais.
A história de Vozinha nos lembra justamente disso. Nem todo sucesso acontece aos 20. Alguns acontecem aos 40. E continuam sendo sucesso do mesmo jeito.
*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3