Organizar as contas
Yo Fordelone: Você é mão de vaca ou só alguém com prioridades?
No fim das contas, ser econômica não é dizer não para tudo, é dizer sim para o que realmente importa pra você
Yolanda Fordelone
Planejadora financeira com certificação CEA (Anbima), Yo Fordelone é formada em economia e jornalismo. Investidora qualificada, alcançou a sua independência financeira aos 36 anos. Em seu Instagram, ajuda outras pessoas a conseguirem mais tempo e liberdade.
Desde que me entendo por economista associam a minha formação ao ato de economizar. Quando comecei a falar de finanças e investimentos na internet então nem se fala: todo mundo acha que eu sou a mão de vaca.
Duas notícias para quebrar a expectativa: 1. nem todo economista sabe lidar com o próprio dinheiro; 2. já fui mais mão de vaca durante a minha formação de patrimônio, mas hoje em dia há gastos dos quais não abro mão.
Já se foi o tempo em que a dica para economizar era corte o cafezinho. No bom planejamento financeiro, se ele é importante para você a gente faz caber no orçamento.
Ainda uso a analogia do cafezinho para explicar essa ideia: se o café é importante, ele será mantido. Mas será que você também precisa do pão de queijo, do chocolate e água com gás para acompanhar.
Para todo brasileiro, sobretudo para quem é pobre, o conceito mais importante para aprender (por coincidência, a primeira lição da faculdade de economia) é que os recursos são escassos. Traduzindo, o dinheiro sempre será limitado, o que significa que você precisa aprender a lidar com escolhas. Não se pode ter tudo de uma vez.
Já falei aqui nesta coluna que economizar alguma coisa, por menor que seja o valor, é melhor que nada, principalmente enquanto se está construindo o hábito de investir todo mês. Com o tempo é interessante estabelecer um porcentual mínimo de economia.
Há quem use 10% ou 20%. Eu nas minhas fases mais mão de vaca economizei 70% justamente porque estava com o foco de acelerar meu patrimônio.
Importante lembrar aqui que mesmo nesse período havia o porcentual de gasto sem culpa: 5% da renda.
Sem o gasto com diversão, vamos combinar, a vida realmente se torna pagar boletos. O ponto é escolher a compra que vale a pena.
Hoje em dia não abro mão das comprinhas de roupas da academia já que estou na fase fit e dos itens diferentes no mercado, como queijos. Em contrapartida, diminuímos bastante os pedidos de comida via aplicativo aqui em casa.
No fim das contas, ser econômica não é dizer não para tudo, é dizer sim para o que realmente importa pra você, e não para o que a sociedade espera que você gaste com tudo. Então, da próxima vez que alguém te chamar de mão de vaca, pode responder: sou sim, e é assim que estou construindo minha liberdade financeira.
*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3