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Anbima indica certificados para diferentes tipos de influenciadores de finanças

As certificações são indicadas com base no conteúdo que os influenciadores publicam

Palavra 'influencer' ao centro com letras varias em volta. Foto: Pixabay
As certificações são indicadas com base em cada tipo de conteúdo que os influenciadores publicam. Foto: Pixabay

Nem todos os influenciadores de finanças e investimentos são obrigados a ter certificados, mas a ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) divulgou um novo documento em que recomenda certificações para cada tipo de finfluencer.

As certificações são indicadas com base no conteúdo que os influenciadores publicam. As recomendações estão no manual de melhores práticas para finfluencer, o guia Tá na Rede.

Foram consideradas cinco categorias diferentes desses profissionais: produtores de conteúdo, investidores independentes, traders, analistas e assessores de investimento. Juntas, elas representam cerca de 70% do universo dos finfluencers no país.

“Esse ecossistema é muito variado: tem desde os influenciadores que falam o básico para quem está iniciando no mundo das finanças até os que têm como nicho investidores experts. Não existe uma única certificação que atenda essa pluralidade e nem todos eles têm que obrigatoriamente ser certificados. Mas essas qualificações oferecem validação de conhecimentos e competências específicas, além de serem uma forma de distinção, tanto para o público, como para as instituições contratantes, daqueles profissionais”, explica a Amanda Brum, gerente-executiva de Comunicação Marketing e Relacionamento com Associados da ANBIMA.

Certificados indicados

Aos produtores de conteúdo e investidores independentes, que não têm as atividades reguladas, é recomendada, no mínimo, a CPA-20 (Certificação Profissional ANBIMA Série 20), exigida para profissionais que atuam com distribuição de produtos em agências bancárias e plataformas de atendimento para segmentos de alta renda. 

O ideal, indica a Associação, é que eles possuam qualificações como a CEA (Certificação ANBIMA de Especialistas em Investimento), que os habilita a atuar como especialistas financeiros, ou o CNPI (Certificado Nacional do Profissional de Investimento), emitido pela Apimec (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimentos do Mercado de Capitais do Brasil), para que possam fazer análises. 

Outra sugestão da ANBIMA é a CFP (Certified Financial Planner) da Planejar (Associação Brasileira de Planejamento Financeiro), obrigatória para os planejadores financeiros. Essas três atividades só podem ser realizadas por profissionais que possuam essas qualificações.

Os finfluencers que atuam como traders, que também não têm a atividade regulada, devem ao menos possuir o PQO (Programa de Qualificação Operacional), da B3 em parceria com a Ancord (Associação Nacional das Corretoras de Valores). 

Ele é indicado para profissionais das áreas de operações, compliance, risco, back office, comercial, custódia, liquidação e cadastro de clientes. 

Analistas e assessores de investimentos, que têm suas atividades reguladas pelas CVM, devem ter obrigatoriamente a CNPI e a AI (Assessor de Investimento), da Ancord. Para complementar a capacitação, as indicações ideais para estes últimos são a CEA e CFP.

Análises e indicações de ativos

O manual também ressalta que às vezes, alguns influenciadores avisam na postagem que determinada análise/recomendação se baseia exclusivamente em opiniões pessoais. Esse disclaimer não é suficiente para a CVM descaracterizar a postagem como atividade profissional de recomendação de investimento.

O regulador está de olho também na linguagem. Se o influenciador produzir um conteúdo com uma linguagem apelativa, a CVM pode entender que está tentando convencer e induzir os investidores. Essas são atividades que só podem ser exercidas por profissionais credenciados, que devem seguir regras e estão sujeitos a penalidades em caso de infração.

“Os influenciadores têm um papel relevante no mercado financeiro. Eles simplificam e democratizam o mundo das finanças para os seguidores e fazem a ponte entre eles e as instituições. É importante que esses players conheçam as regras do nosso mercado e estejam alinhados com as melhores práticas”, diz Zeca Doherty, diretor executivo da ANBIMA.

Finfluencers e publicidade

Outro ponto é que o manual traz mais clareza em relação às regras de publicidade no setor financeiro, uma vez que fazer as chamadas ‘publis’ para instituições do mercado é uma das fontes de renda deles. 

“No caso de finanças e investimentos, é particularmente importante que os conteúdos de marcas sejam identificados como publicidade. Pode-se usar hashtags como #Publi, #Publicidade, #ParceriaPaga, #PubliPost. Se você tiver alguma parceria com uma instituição ligada à ANBIMA e não sinalizar isso, ela pode até ser penalizada”, destaca o manual.

A executiva ressalta que o mercado tinha a mesma demanda e que o conteúdo da página foi trabalhado em parceria com o Think Tank ANBIMA de Comunicação e Marketing, formado pelos responsáveis por essas áreas em instituições financeiras ligadas à Associação.

“Por atuarem em um mercado altamente regulado, as empresas têm que cumprir muitas obrigações, que balizam inclusive a contratação de parceiros para divulgar produtos e serviços nas redes sociais”, explica Brum. 

O manual consolida, por exemplo, a regulação sobre publicidade e atuação de profissionais certificados vigente na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), além das autorregulações da ANBIMA e da BSM, que supervisiona os participantes da B3.

“Além de auxiliar os finfluencers, o material facilita o trabalho das instituições, que terão um conteúdo rico para compartilhar com os parceiros que contratarem para divulgar seus produtos e serviços. No final, quem sai ganhando é o investidor, que, com acesso a informações de qualidade sobre investimentos, terá condições de identificar possíveis conflitos de interesse”, afirma Brum. 

Dicas de linguagem e noções de ética

O material também concentra orientações sobre linguagem e princípios de ética na produção de conteúdos. Além disso, reúne links para acesso a dados e estatísticas, que podem ser úteis para a realização de posts e vídeos desses influenciadores.

A iniciativa da ANBIMA se soma a outras que promovem a transparência nas relações envolvendo influenciadores. Em novembro de 2023, entraram em vigor as regras da autorregulação para a contratação desses players na publicidade de produtos e serviços. Voltadas para as instituições financeiras contratantes, as normas determinam que o influenciador deixe explícito quando seu conteúdo é fruto de uma parceria. Os distribuidores ficam responsáveis por verificar se os influenciadores têm as certificações necessárias, caso estejam fazendo recomendações ou análises.

As instituições vinculadas à ANBIMA já se comprometeram a cumprir essas regras na publicidade de produtos de investimentos, diz Amanda Brum. 

“Esse material se torna, assim, uma poderosa ferramenta para que os finfluencers que pretendem firmar parcerias ou já trabalham com publis tenham a certeza de que estão cumprindo as normas que garantem as melhores práticas de mercado”, finaliza.

Do que desconfiar num perfil de influencer? 

A principal dica dada pela gerente-executiva da Anbima é desconfiar de influenciadores que prometem rendimentos mirabolantes e acima do usual. “Ninguém ganha R$ 1 milhão em um ano investindo R$ 500 por mês”. 

Outro ponto de atenção é nas recomendações dadas pelos influenciadores. “É preciso se perguntar qual o interesse que ele tem para recomendar determinado ativo, se ele é ligado a alguma instituição. É importante observar também quando o influenciador faz uma análise ou recomendação de produtos ou investimentos”. 

“O problema é que nem sempre essas relações comerciais entre influenciadores e empresas ficam claras e são informadas para os seguidores. Por isso, em conjunto com o mercado e com os próprios influenciadores, criamos regras para dar transparência a essas parcerias”, destaca Brum. 

Já os perfis falsos são criados, na maioria das vezes, para aplicar golpes, alerta a especialista. “Muitos influenciadores sérios, inclusive, têm suas contas hackeadas. Então é preciso ter muito cuidado, até mesmo ao seguir perfis de nomes já conhecidos. Nem todos os influenciadores de finanças têm suas contas verificadas, mas o símbolo azul ao lado do nome do perfil já é um bom começo para não ser enganado”.  

Outros pontos de atenção são:

  • Desconfie de contas com baixo número de seguidores, mas que seguem muitas pessoas;
  • Observe quem são os seguidores dessa conta, que podem ser perfis falsos;
  • Outro sinal é a quantidade e a qualidade das publicações. Fique alerta com perfis com poucas postagens ou que tenham muitas publicações em um curto espaço de tempo.

Ranking de influenciadores

Realizado pela Anbima, em parceria com o Ibpad (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados), e divulgado em dezembro, a quinta edição do relatório FInfluence – quem fala de investimentos nas redes sociais revelou o ranking dos influenciadores mais relevantes sobre o tema.

Ranking de Finfluencers mais relevantes

  1. Economista Sincero (produtor de conteúdo)
  2. O Primo Rico (produtor de conteúdo)
  3. Tiago Guitián Reis (analista)
  4. Hermann Greb (trader)
  5. Rafael Zattar (analista)
  6. Cristiane Fensterseifer (analista)
  7. Flávio Augusto da Silva (produtor de conteúdo)
  8. Carol Dias – Riqueza em Dias (produtora de conteúdo)
  9. Bruno Perini – Você mais Rico (produtor de conteúdo)
  10. Gustavo Cerbasi (analista)

Ranking de empresas

  1. Dica de hoje (casa de análise)
  2. Bloomberg Línea (portal especializado)
  3. Me Poupe! (produtor de conteúdo)
  4. InvestNews (portal especializado)
  5. Cointelegraph Brasil (produtor de conteúdo)
  6. Empiricus (casa de análise)
  7. Suno Notícias (portal especializado)
  8. Money Times (portal especializado)
  9. Criptofácil (portal especializado)
  10. Clube do Valor (portal especializado)

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