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Banco Mundial eleva expectativa para PIB do Brasil, mas alerta para crescimento global fraco

Órgão alerta que a economia global caminha para sua pior performance em meia década desde 1990

Fonte: Pixabay
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Por Redação B3 Bora Investir

O Banco Mundial manteve em 2,4% a sua previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global em 2024, o que marcaria o terceiro ano seguido de desaceleração, segundo estimativas do seu relatório de Perspectivas Econômicas Globais, divulgado nesta terça-feira (09/01). O órgão alerta que a economia global caminha para ter sua pior performance em meia década desde 1990.

Para o Brasil, as projeções foram elevadas para 2023 e 2024. No entanto, a estimativa de crescimento da economia brasileira para 2025 foi reduzida.

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Crescimento global decepciona

O relatório estima que a economia global expandiu 2,6% em 2023 (de 2,1% nas estimativas de junho) e que deve voltar a acelerar levemente a 2,7% em 2025 (de 3,0% anteriormente). Para o órgão, a desaceleração em 2024 será resultado dos efeitos atrasados do aperto na política monetária e condições financeiras restritivas, ao lado de investimento e comércio globais fracos. Além disso, a atividade enfrentará riscos negativos de possível escalada de conflitos no Oriente Médio, estresse financeiro, entre outros.

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Na visão do Banco Mundial, o fim de 2024 será um ponto de virada para “o que deveria ser uma década de transformação para o desenvolvimento”. A organização prevê que, ao invés de cumprir metas de extinção da extrema pobreza e cortar pela metade emissões de carbono, os governos enfrentarão um crescimento fraco e abaixo da tendência pré-pandemia (cerca de 3%) no horizonte de projeções, com pessoas de uma em cada quatro economias em desenvolvimento mais pobres do que antes da pandemia.

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Como exemplo deste “cenário sombrio”, o Banco Mundial estima que o crescimento do investimento per capita global em 2023 e 2024 seja, em média, de apenas 3,7% – quase a metade da média das duas décadas anteriores. “A cooperação global precisa ser fortalecida para proporcionar o alívio da dívida, facilitar a integração comercial, combater as mudanças climáticas e aliviar a insegurança alimentar”, aponta o documento, entre medidas que poderiam mudar estas perspectivas.

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O Banco Mundial também revisou suas projeções para a economia brasileira e elevou a previsão de crescimento em 2023 e 2024, citando o desempenho acima do esperado na atividade ao longo de boa parte do ano passado, mas reduziu levemente a estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025.

A estimativa é que o PIB de 2023 tenha crescido 3,1%. A previsão anterior, divulgada em junho do ano passado, apontava para uma expansão bem menor, de 1,2%.

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“A revisão para cima no crescimento de 2023 foi motivada pelos desempenhos mais fortes que o esperado na produção agrícola, no consumo privado e nas exportações nos três primeiros trimestres do ano”, disse o Banco Mundial no relatório.

Para 2024, a previsão é que o PIB cresça 1,5% – ou 0,1 ponto porcentual a mais que na estimativa anterior -, refletindo a desaceleração da atividade no segundo semestre de 2023 e a produção agrícola mais moderada neste ano.

“No entanto, a redução gradual tanto no índice cheio quanto no núcleo da inflação deve permitir mais cortes de juros, dando apoio às perspectivas de investimento e consumo de médio prazo”, disse o Banco Mundial.

Segundo a instituição, isso justifica a previsão de aceleração no crescimento do PIB em 2025 a 2,2%, ainda que a capacidade do governo para oferecer apoio fiscal à economia seja limitada pelos esforços de ajuste nas contas públicas.

Estados Unidos e demais países desenvolvidos

Conforme o relatório, a resiliência da atividade americana e a redução da inflação podem permitir continuidade do crescimento acima das projeções. O Banco Mundial elevou para 1,5% (de 0,7% em junho) sua estimativa de alta do PIB dos EUA em 2023, manteve em 1,2% a projeção para 2024 e cortou para 1,6% (de 2,2% anteriormente) a de 2025.

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Entre outras economias desenvolvidas, a zona do euro teve previsão de crescimento do PIB mantida para 2023 (0,4%) e cortada para 2024 (de 1,3% a 0,7%) e 2025 (de 2,3% para 1,6%).

No Japão, todas as projeções foram elevadas, com expectativa de que a economia consiga manter o ímpeto pós-pandemia e se beneficiar da recente flexibilização do controle da curva de juros pelo Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês). Segundo o relatório, o PIB japonês deve expandir 1,8% em 2023 (de 0,8% anteriormente), 0,9% em 2024 (de 0,7% anteriormente) e 0,8% (de 0,6% anteriormente).

China desacelera com consumo fraco e riscos no setor imobiliário

Ainda no relatório apresentado hoje, o Banco Mundial prevê que a economia da China enfrentará uma desaceleração este ano e no próximo, em meio à cautela de consumidores e à medida que riscos persistentes no mercado imobiliário pressionam os investimentos.

A projeção aponta para um crescimento de 4,5% no PIB em 2024 e de 4,3% em 2025, após o avanço estimado de 5,2% em 2023. Na edição anterior, de junho, as projeções eram de expansão de 5,6% em 2023, 4,6% em 2024 e 4,4% em 2025.

A entidade multilateral avalia que, embora o apoio do governo possa impulsionar os gastos com infraestrutura, há espaço fiscal limitado para uma política expansionista.

“Ventos contrários estruturais devido ao aumento do endividamento, uma força de trabalho envelhecida e em contração, e menor espaço para recuperação de produtividade deverão pesar sobre a atividade econômica”, afirma.

*Com Agência Estado

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