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Bancos centrais europeus voltam a subir juros e sinalizam novas altas

As pressões nas políticas monetárias na Europa já eram esperadas pelo mercado diante de uma inflação ainda em patamares elevados

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A medida do BCE segue o plano da instituição para combater a inflação que tem dado sinais de reaceleração. Foto: Arquivo/Agência Brasil

Por Redação B3 Bora Investir

Os principais bancos centrais europeus anunciaram novas altas de juros nesta quinta-feira, 15/12, em movimento semelhante ao Federal Reserve (Fed) – o banco central americano – que apertou a política monetária, mas em menor intensidade. Além do Banco Central Europeu (BCE), as autoridades monetárias da Inglaterra, Suíça e Noruega também subiram os juros. 

 O BCE elevou suas taxas em 0,50 ponto percentual, também em um movimento de redução de ritmo como o observado pelo Fed. Com a decisão, a taxa de empréstimo, a taxa de refinanciamento e a taxa de depósito ficaram em 2,75%, 2,50% e 2,00%, respectivamente.

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A decisão – que já era esperada pelo mercado – vem em um momento que a “inflação segue muito alta e as projeções indicam que ela permanecerá acima da meta por um longo período”. Ainda segundo o Banco Central Europeu, as taxas de juros terão que subir significativamente e em ritmo constante para atingir níveis suficientemente restritivos para garantir o retorno da inflação à meta de 2% no médio prazo.            

“Manter os juros em níveis restritivos reduzirá a inflação ao esfriar a demanda e criar uma proteção contra o risco de uma elevação persistente nas expectativas de inflação”, explicou a instituição no comunicado.

As projeções de inflação para os próximos anos também foram elevadas. De acordo com o BCE, a inflação da zona do euro deve terminar 2022 em 8,4%, e cair para 6,3% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025. Para 2023, a expectativa é de crescimento econômico é de 0,5%, subindo para 1,9% em 2024.

Inglaterra

O Banco Central da Inglaterra (BoE) também elevou a sua taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual nesta quinta-feira para 3,5%. Segundo a autoridade monetária, a medida foi necessária diante do momento em que projeções mostram que a economia do país vai atravessar um período prolongado de recessão com inflação muito elevada.

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Segundo o comunicado após a decisão, a maioria dos membros do BoE concorda que novas altas nos juros devem acontecer para trazer a inflação de volta a meta de 2%. O texto informou ainda que o banco vai agir vigorosamente para enfrentar as pressões inflacionárias persistentes.

A inflação inglesa, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (CPI, da sigla em inglês) foi de 11,1% em outubro para 10,7% em novembro. Os analistas acreditam que a inflação recue a partir do segundo semestre de 2023 com a queda dos preços de energia.

Suíça e Noruega

O Banco Central Suíço (BNS) também subiu mais uma vez os juros para conter a inflação. As taxas avançaram 0,5 ponto percentual para 1%. Em setembro, houve alta de 0,75 ponto percentual. A inflação suíça está em 3% desde novembro, mas desacelerou em relação ao pico de 3,5% registrado em agosto. A meta da autoridade monetária é que os preços fiquem entre a estabilidade e 2%.

Na Noruega, os juros foram elevados em 0,25 ponto percentual para 2,75% nesta quinta-feira. Segundo o comunicado do banco central do país, as taxas devem voltar a subir no primeiro trimestre de 2023. A Noruega também luta para conter a inflação que está em 6,52% nos 12 meses até novembro. O resultado é um pouco menor dos 7,51% registrado no mês anterior nessa base de comparação.

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Estados Unidos

O Fed aumentou em 0,50 ponto percentual a taxa básica dos juros dos Estados Unidos para o intervalo de 4,25% a 4,5% ao ano nesta quarta-feira, 14/12. A medida eleva o custo de crédito para seu maior nível em uma década e meia, ou seja, desde 2007.

O resultado reduz o ritmo do aperto monetário após quatro altas consecutivas de 0,75 ponto percentual. Essas elevações representaram o movimento mais agressivo da autoridade monetária para combater a inflação americana, que estava no maior patamar em 40 anos desde o início do ano.

Apesar da desaceleração no ritmo do aperto monetário, o banco central americano deixou claro no comunicado que “continua priorizando o combate à inflação e por isso novas altas serão necessárias no decorrer de 2023”. Disse ainda que “novos aumentos nos juros serão apropriados para atingir uma postura de política monetária que seja suficientemente restritiva para retornar à inflação para 2% ao longo do tempo”.

A decisão já era esperada pelo mercado financeiro e havia sido amplamente sinalizada pelo presidente do Fed, Jerome Powell, em suas recentes entrevistas.

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