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Brasil pode se destacar entre emergentes, mas fiscal segue como desafio, apontam economistas do Itaú e do Bradesco

Em painel na 7ª edição da B3 Week, economistas descreveram cenário atual e principais desafios do Brasil

O Brasil reúne condições para atrair mais investimentos nos próximos anos, favorecido por vantagens competitivas em energia, commodities e infraestrutura para data centers. Mas, para transformar esse potencial em crescimento sustentável, o país precisa avançar no equilíbrio das contas públicas. Essa foi uma das principais mensagens compartilhadas por Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco, e Diogo Guillen, economista-chefe do Itaú, durante painel da 7ª edição da B3 Week, mediado pelo CEO da B3, Chris Egan.

Para Fernando Honorato, parte do bom desempenho dos mercados emergentes está relacionada à deterioração do cenário macroeconômico nas maiores economias do mundo, especialmente nos Estados Unidos.

Segundo ele, desde 2025 investidores globais vêm buscando maior diversificação geográfica, reduzindo a concentração de recursos no mercado americano. Nesse contexto, o Brasil aparece em posição favorável por manter uma postura de neutralidade em um ambiente internacional cada vez mais dividido.

“O Brasil tem crescido dentro de uma neutralidade dentro do mercado, e isso ajuda em um mundo mais dividido”, afirmou.

Diogo Guillen compartilha uma visão semelhante e destaca que os emergentes vêm sendo beneficiados por fatores como juros mais altos e valorização das commodities.

Energia e data centers entram no radar dos investidores

Os dois economistas apontaram que a combinação de recursos naturais e capacidade energética coloca o Brasil em posição privilegiada para receber novos investimentos.

Honorato ressaltou que o país possui vantagens relevantes tanto em petróleo quanto em gás natural. Além disso, acredita que a expansão dos data centers pode representar um ponto de inflexão para a economia brasileira nos próximos anos.

Fiscal continua sendo o principal ponto de atenção

Apesar das oportunidades, os economistas foram unânimes ao reforçar que a trajetória fiscal permanece como um dos principais desafios do país.

“Se o Brasil conseguir endereçar as questões fiscais, veremos cada vez mais investimentos no nosso país”, disse Honorato.

Na avaliação do economista do Bradesco, há espaço para novos cortes de juros caso o real permaneça estabilizado entre R$ 5,00 e R$ 5,30 por dólar e haja avanço no controle das contas públicas. Ainda assim, segundo ele, a inflação global ainda deve sustentar as taxas de juros em níveis elevados – para Honorato, a Selic só deve cair abaixo de dois dígitos em 2028.

Guillen destacou que o país apresenta estabilidade macroeconômica, mas enfrenta limitações decorrentes da rigidez dos gastos públicos e do elevado volume de despesas obrigatórias.

“A credibilidade é um ponto importante, já que é através dela que criamos um ciclo positivo para o mercado”, afirmou.

Crescimento pode levar à reprecificação dos ativos

Para Honorato, a história mostra que, quando o Brasil consegue fazer “a lição de casa”, costuma crescer em linha com as principais economias globais.

Segundo ele, um crescimento sustentável entre 2% e 3% ao ano teria potencial para promover uma forte reprecificação dos ativos brasileiros, refletindo expectativas mais positivas para a economia.

Já Guillen observou que a relação entre política monetária e política fiscal é profunda e que fatores estruturais exercem influência relevante sobre os juros de longo prazo.

Inteligência artificial pode ajudar a destravar gargalos

Os dois economistas também comentaram os possíveis impactos da inteligência artificial sobre a economia. Honorato vê potencial especialmente em áreas como saúde e educação. Para ele, a democratização de ferramentas de IA, com custos mais baixos e regulamentação adequada, pode ajudar a enfrentar gargalos históricos de um país com dimensões continentais como o Brasil.

Guillen avaliou que os efeitos da tecnologia ainda são incertos, mas se mostrou otimista. “Talvez estejamos na beira de um novo crescimento, diferente dos últimos 100 anos”, afirmou, ao comentar o potencial transformador da inteligência artificial sobre produtividade e atividade econômica.

Em comum, ambos reforçaram a visão de que o Brasil possui oportunidades importantes para atrair capital e crescer, mas que a consolidação desse cenário dependerá da capacidade do país de fortalecer sua credibilidade fiscal e macroeconômica.

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